A clareira, os rios e o pacto dos silêncios
Há quem pense que a violência de gênero começa quando alguém levanta a mão. Mas ela costuma começar muito antes

Há quem pense que a violência de gênero começa quando alguém levanta a mão. Mas ela costuma começar muito antes
Como parar esta engrenagem de violência e morte? Como sensibilizar as famílias, as comunidades e o Estado para o compromisso prioritário de garantia da vida das mulheres? Como incidir para que os marcadores de raça, classe, idade, território e sexualidade deixem de atuar como sentenças de maiores vulnerabilidades?
Quando a narrativa social desloca o foco para a intimidade da mulher, não estamos diante de uma análise, mas de uma moralização. E a moralização jamais foi critério de responsabilização penal
Casos brutais assistidos em 2025 mostram que estamos longe de alcançar equidade de gênero, mas que a solução passa por todos nós e o primeiro passo é a indignação
A cada colega que se cala, a cada superior que recomenda “resolver em casa”, reforça-se a ideia de que a farda é sinônimo de impunidade
Pesquisa indica que radicalização política e centralidade do matrimônio compõe cenário que vulnerabiliza mulheres e meninas de forma crescente
No Brasil patriarcal, o desconforto de nascer mulher é percebido desde a infância, quando a elas são impostas as obrigações do cuidado
Complexa e sensível, narrativa ilumina as entranhas dos abusos diversos a que uma mulher pode ser submetida na obscuridade da vida privada
Após o julgamento dos estupros sofridos pela francesa Gisèle Pelicot, vozes se levantam para exigir a introdução da noção de consentimento na legislação francesa. Quando reduzida à fórmula “Só um sim é um sim”, essa solução, que parece evidente, gera consequências políticas preocupantes, expostas pela filósofa Clara Serra em um livro recém-publicado
Sugerir derrubar os fóruns com a esperança de que levem junto toda a violência revela mais sobre nós e a forma com a qual lidamos com a violência do que sobre o problema em si
O momento tenso que vivemos nesta semana, devido à exposição de lideranças importantes do Governo, não pode desviar nosso foco central: a defesa das políticas públicas de promoção e proteção dos Direitos Humanos e da Cidadania
O julgamento ocorreu no último 31 de julho, no Palácio da Justiça, Centro Histórico de São Paulo. A ação pode apontar para uma possibilidade alternativa para dar mais efetividade à Lei Maria da Penha em todo o território nacional