A eloquência do general
O caso Mourão nos ajuda a entender com mais precisão o modus operandi que levou à situação em que hoje estamos e o ideário transmitido de geração a geração, nas academias militares, fartamente financiadas com dinheiro público

O caso Mourão nos ajuda a entender com mais precisão o modus operandi que levou à situação em que hoje estamos e o ideário transmitido de geração a geração, nas academias militares, fartamente financiadas com dinheiro público
Toda posse presidencial tem um quê de místico e conspiratório. Mas aquela estava longe de uma posse banal
Se acreditar basta, comprovar não é preciso. A perigosa mistura de autoritarismo evangélico e marketing digital cegou metade da massa de votantes. Durante Bolsonaro vivemos a irrupção do descrédito na ciência
Apesar de aparentemente ultrapassado o terror vivenciado na capital federal, não podemos esquecer que a conclusão do bolsonarismo, ainda alimentado por seus financiadores intelectuais e econômicos, é de que não há resposta satisfatória à República
A contradição começa com o fato de que Jair Bolsonaro, líder dos que promoveram a barbárie, afirmava que os direitos humanos seriam o “esterco da vagabundagem”. Diante disso, cabe a pergunta: seus apoiadores integram essa “vagabundagem”?
EUA e Brasil enfrentaram agudos assédios na transição de poder. Prédios governamentais foram depredados. Outros países em que o autoritarismo ascendeu ao poder regrediram na agenda de direitos e na participação popular. Por que é tão fácil assediar democracias?
A invasão representou o ápice do devaneio salvador, narrativa que corrobora com toda a criação mitológica em torno de uma personalidade. Nesse caso específico o devaneio vem sendo alimentado gradativamente através das redes sociais e dos grupos em aplicativos de mensagens
Aline Sousa colocou a faixa no presidente Lula. Nesse ato, repleto de significados, espero que esteja também o recado de que as portas do governo federal foram abertas para as catadoras e os catadores de recicláveis
Não por acaso, diz Milan Kundera que “para liquidar os povos, começa-se por lhes tirar a memória. Destroem-se seus livros, sua cultura, sua história”. Para os que cultuam o inculto, restam os estilhaços da história sem culpa embalados por atordoantes cantigas que sequestram nosso hino nacional em amostras covardes de um falso patriotismo piegas
“Hoje nossa mensagem ao Brasil é de esperança e de reconstrução”. Essas palavras deram a tônica da mensagem de Luiz Inácio Lula da Silva em sua primeira fala pública como presidente empossado do Brasil, em 1º de janeiro de 2023. Reconstrução
O Brasil necessita mudar (urgentemente) sua cultura de deixar em segundo plano o planejamento estratégico de segurança para ameaças internas e externas. A segurança e defesa é um tema sensível e que trabalha nas sombras; uma possível falha ou mau planejamento pode ocasionar em um desastre e foi o que aconteceu, e poderia ser ainda pior
A rigor, a admiração por Pelé prescinde justificativa. Basta recorrer à emoção das memórias do futebol, em testemunhos, retrospectivas e nas homenagens estampadas em jornais ao redor do mundo. Instala-se nostalgia até em quem não viveu o período de seu reinado em campo