Diplô Online
Da urgência de uma pedagogia antissexista e anticapitalista
Este ensaio analisa as insuficiências da educação convencional para combater a violência de gênero e propõe os fundamentos de uma pedagogia emancipatória, antissexista e anticapitalista. A partir de um diálogo interdisciplinar entre História, Sociologia, Pedagogia Crítica e Estudos de Gênero, sustenta que a violência contra as mulheres é de natureza estrutural, conformada por classe, raça e sexualidade. A educação é reivindicada, assim, como prática transformadora, enraizada no feminismo socialista. Uma pedagogia interseccional e crítica é imprescindível para desarticular as estruturas geradoras da violência
A internação forçada como instrumento imobiliário
A proliferação de políticas de internação compulsória revela um projeto higienista de exclusão social que viola a Constituição, tratados internacionais e décadas de conquistas da Reforma Psiquiátrica
A perversidade, os limites e o que a morte de Orelha revela
O que torna o caso do cachorro Orelha especialmente perturbador é o modo como a perversidade se manifesta sem qualquer elaboração simbólica
Newsletter
Cadastre-se para receber os conteúdos do Diplô
Reformar é preciso: o desafio de melhorar casas e vidas no Brasil
A ausência de assistência técnica de projeto e acompanhamento das reformas no desenho inicial do Programa Reforma Casa Brasil ameaça o potencial transformador da nova política do governo federal, lançada em outubro
A economia política do massacre policial
Os alvos dos massacres brasileiros são majoritariamente negros, pobres, camponeses ou favelados – e a justificativa formal dada para que ocorressem: a segurança, seja ela pública ou nacional
Uma ferramenta de transformação social nas cidades
A AUP envolve o cultivo de alimentos, a criação de animais e seus produtos, mas também abrange outras formas de produção, como flores, plantas ornamentais, árvores e materiais voltados à indústria, como o tabaco e a seda
As cidades de São Paulo e Cali, dois corações da América Negra
Entre o concreto e a memória, São Paulo e Cali revelam a geografia racial da pobreza e a potência criadora das periferias negras latino-americanas
Stálin e Hitler: irmãos gêmeos ou inimigos mortais?
Em contraste com a recorrente interpretação que, à luz da categoria de “totalitarismo”, equipara o nazismo e o bolchevismo – e especificamente Hitler e Stálin –, este artigo pretende demonstrar que os líderes do nazismo alemão e da União Soviética tinham posições políticas antagônicas. Hitler parece estar muito mais próximo da política de Winston Churchill. Acima de tudo, este ensaio se concentra no conceito de colonialismo: em seu interior, as diferenças entre Hitler e Stálin tornam-se óbvias. A guerra de Hitler foi uma guerra colonial, de base racial, bastante semelhante à política de conquistas dos Estados Unidos. A União Soviética de Stálin se opôs de forma vigorosa e bem-sucedida a essa guerra. Ou seja: Stálin e Hitler não são irmãos gêmeos, e sim inimigos mortaisDomenico Losurdo
“Queermuseu”: A apropriação que acabou em censura
A perspectiva queer está ligada ao momento de intensa luta pelos direitos civis LGBT no início da década de 1980 nos EUA. Não é surpreendente que a exposição em um banco privado seja censurado e fechada pelo seu conteúdo haja vista que a lógica do capital é precisamente a de abandonar o que não é de seu interesse em termos de lucro.
Patriarcado e a cultura do estupro no Brasil
A cultura do estupro é, em termos gerais, a banalização e normalização desse crime pela sociedade que compactua e estimula essa cultura de diversas maneiras, por exemplo, quando objetifica as mulheres nos meios de comunicação
O risco de colocar a ideologia à frente da ciência
A pulga da divergência ideológica se instalou atrás de algumas orelhas. O fato da gestão Doria não ter incorporado legislações que já existem ao seu Programa de Metas deixou a impressão de que apenas as diretrizes com as quais a Prefeitura concordar serão cumpridas.
Da espanholização do Brasil
Se na primeira grande onda neoliberal (1990) era possível prever os efeitos socioeconômicos de futuras crises na Europa olhando para o Brasil, não há dúvidas de que hoje, nós, brasileiros, podemos prever o que possivelmente nos acontecerá olhando o que passou na Espanha. Viveremos a “espanholização do Brasil”
Dois Minutos de Ódio (ou o perigo de ignorar os ressentidos)
Com a crescente maré conservadora e autoritária global, ondas de ódio tem atingido a sociedade brasileira com frequência horrenda. Não levar seus impulsionadores a sério é um risco e não intervir pode ser um equívoco danoso, capaz de dar espaço à efervescência de discursos fascistas.
Uma nova ordem bipolar: a tragédia de um discurso superficial
Nesse jogo de linguagem dos dois comportamentos linguísticos, a popularidade do incorreto, esse discurso historicamente furioso que tem como fim combater o avanço das conquistas sociais, fortalece o ódio. Nos faz regredir ao fundamentalismo, impondo um estilo de vida sobre a diversidade, conseqüência da globalização, hoje criticada mais por uma perspectiva reacionária do que pelo ponto de vista do lugar em relação ao global
Dez reais e a valorização do salário mínimo no Brasil
O Governo do Presidente Michel Temer rompeu com a política de valorização do salário mínimo. Tomado pela desorientação do fundamentalismo fiscal expresso na abstrata tese da “austeridade”, o governo Federal determinou que o valor do reajuste do salário mínimo para 2017 ficará R$ 10 abaixo do previsto (R$ 979) pela Lei das Diretrizes orçamentárias – sancionada pelo próprio Presidente Temer.
Cinco motivos pelos quais um fascista tem chances reais nas próximas eleições
A rua se mostra como a última trincheira. Mas ela está vazia, de pessoas e parece também de sentidos. Estamos com a pele dura, e vamos aceitando a excepcionalidade como um processo ordinário. No Brasil estamos vivendo um filme, de drama e com um roteiro ditado por poucos. É neste cenário, de almas derrotadas, de debacle econômica e de paralisia geral é que escrevo este artigo.
Um caminho para o ódio: ciberespaço e o crescimento da extrema direita
Aquele jovem que vive na fenda entre os dois mundos, defendendo no mundo virtual uma coisa totalmente diferente do que faz no mundo real, acaba por aderir aos velhos que sempre defenderam tal discurso. Com o poder da retórica que, por sua vez, sempre prestou para seduzir pessoas, os carcomidos da política, percebendo que seu discurso tem demanda, aliciam a juventude iludida pela liberdade que as redes sociais e os jogos de mundo aberto proporcionam
A memória da terra: o que o marco temporal não pode apagar
No próximo dia 16, o STF julgará ações que podem ser decisivas para o futuro dos povos indígenas e quilombolas no Brasil. No centro da controvérsia jurídica está a noção de “terra tradicionalmente ocupada” e a ameaça de consolidação da tese político-jurídica do “marco temporal” – sobre as quais há um debate marcado por desinformação e preconceito. Este artigo busca discutir ambas de um ponto de vista antropológico.
O desmonte da universidade pública e branqueamento cultural: outra estratégia do genocídio
O branqueamento cultural como complemento do genocídio é um ponto de partida interessante para compreender os ataques ao direito à educação materializados pela operação de desmonte das universidades públicas estaduais e federais em curso e cujas consequências já são sentidas com maior intensidade pelos setores mais excluídos
As mulheres e a Batalha de Mossul
Desde combatentes, líderes, ativistas para a paz, trabalhadoras humanitárias, representantes de governos, jornalistas e fotógrafas, as mulheres assumem papéis múltiplos e desempenham variadas funções em cenários de guerra
O craque crespo
Desde que Neymar despontou no futebol, uma de suas marcas registradas é o cabelo. Quando conseguimos fazer a transição capilar, esse gesto nos aproxima da nossa real identidade e nos empodera. Falo por experiência própria. Passei 30 anos usando cabelos lisos e já nem me lembrava de como eram meus fios naturais. Recuperar a textura crespa, para além do cuidado estético, foi um ato político, de aceitação, de autorreconhecimento e de redescoberta da minha negritude, algo que consegui no Brasil graças a minha aproximação com as militantes negras, donas de um discurso muito poderoso nesse sentido.
O médico e o monstro – A reforma trabalhista e o exercício da medicina no Brasil
Uma das alterações mais prejudiciais da reforma trabalhista é a instituição do contrato intermitente, o trabalhador just in time. Nesta modalidade de contrato, o médico – que deverá ficar disponível 24 por dia – será solicitado a prestar seus serviços conforme as demandas especificas da empresa, hospital ou clínica em questão – é a uberização da profissão médica.
“Não há negociação se a oposição mantiver uma estratégia baseada na insurreição”, afirma Adolfo Pérez Esquivel
Nobel da Paz em 1980, ativista argentino diz que situação da Venezuela exige serenidade. Para ele, divisão social pode ser resolvida pelo diálogo político. “Desde o governo de Hugo Chávez, a Venezuela sofreu com as agressões dos Estados Unidos, que não quer perder a hegemonia continental, e intervém em todos os governos e suas respectivas economias”
É preciso falar de Rafael Braga Vieira
Mais do que isso, a raça como construto social e invenção que estrutura a colonialidade do poder sempre exerceu centralidade nas políticas de contenção e repressão no continente latino-americano, funcionando como um potente marcador social de desigualdades
Entre o medo, o desdém e a cólera: o avanço da extrema direita no Brasil
A extrema direita tem uma função útil para o mercado e para o governo golpista: usar os seus seguidores para “criminalizar” e estigmatizar toda a esquerda e transformar, por conseguinte, a luta por liberdade e justiça social em uma falácia. É lógico que se aproveitam das condições sócio-históricas da democracia atual, onde uma massa de cidadãos desencantados, desorientados e descontentes, não sabem a quem ser leais.
A exaustão da Nova República
Para as classes subalternas, a deficiência da Nova República manifesta-se no caráter impermeável do Estado brasileiro às demandas democratizantes da população. A convicção de que “todos os políticos são iguais” decorre da constatação prática de que, no final das contas, os imperativos do capital sempre acabam prevalecendo. Para as classes dominantes, é o oposto.
Há lógica no aumento dos impostos sobre combustíveis?
O mito das “contas que não fecham”, sem dizer por quê, ou colocando a culpa em uma irresponsabilidade abstrata de governos anteriores, é o instrumento subjetivo que pacifica o povo diante de tamanha extorsão em favor de poucos privilegiados que já detém fortunas inimagináveis.

