Mudanças climáticas e direito ao território
Não há como enfrentar a crise climática sem uma política nacional de regularização fundiária no Brasil

Não há como enfrentar a crise climática sem uma política nacional de regularização fundiária no Brasil
Não é possível que o próprio modelo que provoca os impactos ambientais e toda a destruição que vivemos hoje seja o protagonista e promotor das soluções e saídas para eles. Pelo contrário, as saídas apontadas geram mais contradições e desigualdades
O Brasil no singular que conhecemos é um projeto de homogeneização de paisagens, de uniformização de agendas culturais, de padronização de pacotes alimentares com veneno, de produção em massa de autoritarismo e de destruição em massa de nossos biomas. Esse país no singular é violento, mas teve sua violência transformada em heroísmo
A produção do arroz e do feijão não tem chegado no prato da maioria da população trabalhadora. A diminuição da área plantada não é obra da natureza e nem livre opção dos produtores, é parte das consequências da pressão política e econômica pela transformação, inclusive de nossos hábitos socioalimentares, em commodities
Desde a década de 1970, comunidades camponesas assistem atônitas à ocupação e destruição da biodiversidade do cerrado nas chapadas do Alto Jequitinhonha para a implementação massiva da monocultura do eucalipto
Caso o acordo UE-Mercosul não seja renegociado, as atuais cláusulas podem atrapalhar o desenvolvimento justo e sustentável, não apenas do Brasil, mas da América Latina como um todo
A inflação atual no Brasil é impulsionada não por uma economia superaquecida, mas por um conflito distributivo entre o setor comercializável e o não comercializável. Manter altos níveis de taxa de juros reais de curto prazo não resolverá o problema e aumentará o hiato de produção já existente na economia
O quadro macroeconômico que aqui apresentamos vai muito além do “tripé” tão falado, superávit primário, câmbio flutuante e meta de inflação. Em termos gerais resume o dreno financeiro que assola o país, que provoca paralisia econômica, uma tragédia social e dramas ambientais, mas que gera também suficientes recursos no topo da pirâmide social para travar as mudanças institucionais necessárias
Nosso país enfrenta o desafio da transição. Não somente de governo, mas também de retomada das políticas públicas e rearticulação das instâncias de participação social, inerentes à efetiva democracia
Os trabalhadores e trabalhadoras organizados no MPA configuram uma parcela expressiva da população brasileira que dedica suas vidas à produção de “comida de verdade” por meio de práticas agroecológicas
É inimaginável o futuro do país sem o agronegócio. Mas é evidente que a imagem de futuro do Brasil não pode ser reduzida à envelhecida metáfora de celeiro do mundo. É hora de fazer o que gerações anteriores fizeram em diferentes momentos do século XX: pactuar uma nova agenda, pensando não a curto prazo, mas nas próximas décadas
Reforma agrária cria comunidades de produção de alimentos, com moradia, saneamento, água, escolas, espaços de lazer e de cultura. Isso fomenta novas sociabilidades, fortalecidas por mulheres, pela juventude, pela comunidade LGBTQIA+, pelo povo preto e toda a gama de comunidades tradicionais que preservam a sustentabilidade de seus território