Acesso à terra no Paraguai
Acumulação de terras pelo agronegócio, exclusão camponesa e estrangeirização do território agropecuário no Paraguai.

Acumulação de terras pelo agronegócio, exclusão camponesa e estrangeirização do território agropecuário no Paraguai.
Como chegamos a um momento histórico em que as próprias causas da crise em curso são repetidamente apresentadas como sua solução? As origens da Covid-19 mesclam as duas pontas dos nossos circuitos de produção, as florestas e as fazendas industriais.
Segundo o Censo Agropecuário de 2017, do IBGE, haviam naquele ano 607,5 mil estabelecimentos agropecuários em Minas. Eles ocupam áreas que somam 38,1 milhão de hectares. Cerca de 30% delas pertencem a menos de 1% das unidades rurais
Toda aquela balela de que era preciso produzir comida não ocorreu, afinal, os grãos produzidos não matavam a fome de ninguém, servindo apenas para exportação e fabricação de ração animal
As respostas para os problemas reiterados no campo têm sido dobrar a aposta na produtividade, que vai levando ao extremo a noção de monocultura, a qual parece querer se produzir por si mesma, sem diversidade ambiental e sem gente
Há uma inequívoca correspondência na distribuição espacial entre as áreas com grande presença de suinocultura e/ou de frigoríficos e aquelas com alta taxa da população infectada por Covid-19
Não surpreende que a falsa promessa de acabar com a fome por meio do aumento da produtividade agropecuária nunca tenha se cumprido. Verdade seja dita, desde a consolidação do setor agroindustrial, a fome continuou crescendo. Dados da FAO revelam que, antes da pandemia, uma em cada quatro pessoas no mundo passava fome: quase 2 bilhões de pessoas
Em lugares onde o setor de frigoríficos possui importância econômica, os casos da doença assumiram papel significativo. O setor se tornou centro de propagação da Covid-19, seja para os municípios–sede dos abatedouros, seja para os circunvizinhos, já que boa parte dos trabalhadores das fábricas se desloca diariamente para o trabalho
A entropia interna ao sistema agropecuário global deve ser entendida como uma ameaça existencial para toda a humanidade. O admirável mundo novo das pandemias rebaixou os limites para a existência humana: agora estamos presos debaixo do teto de zinco das granjas de abate de animais em massa, cada uma delas uma fábrica em potencial da próxima bomba microbiológica
O governo e representantes de entidades do agronegócio costumam comemorar as safras recordes de grãos do Brasil. Mas não há o que celebrar, já que a produção nacional está concentrada em duas commodities, enquanto alimentos que fazem parte do dia-a-dia das famílias brasileiras, como arroz, trigo e feijão, são residuais
Existe a imagem errada de uma China que se especializou em manufatura para se tornar a fábrica do mundo e, em troca, importa produtos agrícolas, seguindo assim a máxima de especialização no comércio internacional. Na realidade, porém, a China investiu muito para aumentar a produção e a produtividade no setor agrário. Acompanhe no novo artigo do Observatório da Economia Contemporânea
Reportagem acompanhou os impactos da monocultura no meio ambiente e na vida dos habitantes da região do Planalto Santareno, no Baixo Rio Tapajós. “A maioria da população é afetada negativamente: aumenta a pobreza, aumenta a miséria, aumenta a fome, a insegurança pública, a violência. Concentra renda, concentra terra e aumentam os impactos negativos na área social”