Para seguir em frente
A falta de tradição para formar uma frente de esquerda duradoura no Brasil vem de muito tempo

A falta de tradição para formar uma frente de esquerda duradoura no Brasil vem de muito tempo
Como saímos dessa encruzilhada? Vai ser um processo longo, dolorido, conflitivo e com muitas incertezas. Uma frente popular que seja apenas a reunião das lideranças dos movimentos e organizações não terá força suficiente para nos colocar em outro patamar
Uma frente que consiga romper com as hierarquias estabelecidas para a manutenção do poder poderá ser uma ferramenta importante para a garantia do direito à vida e dos demais direitos humanos de milhares de brasileiras e brasileiros
Se a situação geral melhorar a partir de 2022 e Bolsonaro se reeleger, aumentam consideravelmente as chances de ele e seu clã se perpetuarem no poder e de que consiga colocar em prática em definitivo seu projeto autoritário a partir de um segundo mandato. Esse cenário catastrófico só poderá ser evitado com a formação de uma frente ampla
A oposição de direita mostrou que não tem força, nem social nem de vontade, para liderar o combate ao bolsonarismo. Essa tarefa cabe ao campo popular. A relação com tais aliados pontuais e vacilantes deve ser avaliada em cada ocasião, mas o caminho não surgirá do Supremo, nem da mídia, nem do empresariado “racional”, nem do governo paulista
Acreditamos que a democracia precisa estar no centro das reflexões e das estratégias da esquerda. Essa prioridade não é nova em nossa história e marcou a experiência virtuosa de construção do PT. Com esse horizonte, defendemos tanto a Frente de Esquerda para as eleições de 2022 como a Frente Ampla para as mobilizações que precisamos construir desde já
O bolsonarismo se apoia na burguesia comercial improdutiva, na burguesia industrial dependente e importadora, no setor extrativo atrasado e ilegal, no agronegócio desregulado e em uma infinidade de “pequenos empreendedores”, uberizados e precarizados. O setor financeiro foi conquistado a posteriori, no segundo turno da eleição presidencial, com o aval do ultraliberalismo de Paulo Guedes
O capitalismo, livre de limitações governamentais, é a corrente política mais forte nesta mesma comunidade que se sente injustiçada pelas políticas da maior corporação de mídia social do mundo
Eis o cis-hétero-bolsonarismo: contradições funcionais, configurações ditatoriais e uma boa pitada de ressentimento, que serve como mobilizador dos afetos da “classe média”.
A identidade social com um determinado grupo é amplificada ao incluir uma identidade moral com atribuição e julgamento de certo e errado
Bolsonaro quer impedir qualquer combate ao legado escravista e, ao mesmo tempo, busca preservar todos os benefícios jurídicos, econômicos e políticos construídos para os brancos por meio da escravidão
Decretar o início da morte do fenômeno social que alçou Bolsonaro é uma postura equivocada e despreocupada