O plano Bolsonaro
Mesmo a opção menos pessimista traz o quadro de um Exército fortemente politizado. Cabe então perguntar: qual é o plano do presidente?

Mesmo a opção menos pessimista traz o quadro de um Exército fortemente politizado. Cabe então perguntar: qual é o plano do presidente?
Em que país do mundo se viu um presidente responder aos indicadores de fome, miséria, desemprego e negativas do auxílio emergencial, com a frase: “quer mais auxílio, vá ao banco pedir empréstimo”?
A milícia é um fenômeno, sobretudo, econômico, de construção de novas bases materiais na vida urbana. E nesse caso, o fato de parte da Barra da Tijuca aderir ao mesmo projeto político da população mais fortemente submetida ao jugo das milícias, indica que o modo de exploração econômica caro à milícia pode estar dando lugar a uma nova superestrutura que é, por princípio, antiestatal e genuinamente neoliberal
A saída de Fernando Azevedo da Defesa e as mudanças no Ministério da Justiça e Segurança Pública e do Advogado Geral da União não têm como ser explicadas apenas por esses elementos de pressão, pois outras saídas poderiam ser utilizadas para a acomodação do centrão. E, sobretudo, a mudança de todos juntos indica um reposicionamento institucional no centro do setor da “segurança” do país, assim como as movimentações interministeriais dos demais ministros militares
Brasileiros e o mundo assistem enquanto presidente se aproveita de poderes exclusivos para comandar uma catástrofe
Como o governo Bolsonaro irá lidar com uma crise sanitária, social e econômica quando age para agravá-la ou apenas camufla uma solução?
Se brevemente nos aventurarmos nos estudos de Theodor Adorno sobre a personalidade autoritária vinculada à concepção fascista de vida, vamos encontrar alguns elementos que podem ser facilmente revelados quando o presidente resolve abrir a sua boca
Caminhamos a passos largos para um aprofundamento do autoritarismo e do fechamento democrático
Uma unidade ampla democrática não exclui a necessidade de uma frente de esquerda que aponte um novo projeto de país
A falta de tradição para formar uma frente de esquerda duradoura no Brasil vem de muito tempo
A busca a todo custo por uma frente ampla não tem lastro na realidade e está fadada ao fracasso
A transversalidade da tarifa zero como viabilizadora de direitos deve ganhar corpo e espaço nas propostas programáticas de derrota do bolsonarismo
O processo social não se resolve na disputa eleitoral quando não enseja a ruptura