A Revolução, ah vai dar certo!*
Ao fazerem filmes sobre a Revolução, os cineastas se proíbem de defender uma ou outra causa, ou no máximo apoiam a causa do povo, sem que essa escolha se manifeste de outra maneira a não ser nas intenções.

Ao fazerem filmes sobre a Revolução, os cineastas se proíbem de defender uma ou outra causa, ou no máximo apoiam a causa do povo, sem que essa escolha se manifeste de outra maneira a não ser nas intenções.
Em entrevista ao Le Monde Diplomatique Brasil, cineasta pernambucano analisa polarização no país e fala sobre seu próximo filme, Piedade, que será lançado em 2019
O cinema se transformou em uma lâmpada que se acende e apaga, um espelho giratório parecido com o que Franz Mesmer utilizava para hipnotizar seus pacientes. Trata-se de encher os olhos do espectador e da espectadora para que não vejam mais nada; e encher seus ouvidos para que não ouçam mais nada.
Um híbrido inspirado em grandes obras, peça e filme, em diálogo, convidam os espectadores a refletirem: vivemos em um tempo sem saída?
Como Arábia transforma uma vida de precariado em saga poética no interior de Minas Gerais
Ken Loach abre o percurso. Sempre engajado, o cineasta se incumbiu do destino crepuscular dos trabalhadores britânicos. Daniel Blake é o exemplar dessa classe que viveu seus tempos heroicos. Envelhecido e adoentado, a grande façanha do hábil carpinteiro se resume a enfrentar os meandros das agências oficiais para obter o auxílio-doença.
A liberdade chegou a um nível jamais atingido, mas não sabemos o que fazer com ela. Uns até a condenam. Ronda o ódio à democracia. Por que não reivindicar uma democracia mais real? O que vemos são pessoas reclamando de ela ser real demais. Ledo engano. O que não podemos é defender uma democracia disforme, que se desdobra para atender aos interesses capitalistas – a que Hollywood reproduz com excessiva confusão de efeitos especiais e cenas românticas
Quando em 1897 o irlandês Bram Stoker inventou, com seu romance Drácula, o arquétipo do vampiro, príncipe da escuridão, seja da noite, seja dos desejos inconfessáveis, o tempo estava nervoso: atentados anarquistas, prodígios tecnológicos (início da aviação), agitação operária. Talvez o retorno atual dos vampiros acompanhe distúrbios comparáveis
Contém spoiler: Eu, Daniel Blake, dirigido por Ken Loach e escrito por Paul Laverty, tem entre seus méritos não apenas dar visibilidade a situações de sofrimento de uma classe trabalhadora, mas também o de nos deixar ver que essa classe só existe atualmente em sentido econômico, não sociológico
Longe de se resumirem a uma simples diversão, muitos filmes de artes marciais chineses falam acima de tudo de justiça e dignidade – de um indivíduo, de uma classe ou de um povo oprimido que eleva a cabeça, esfrega o nariz e dá uma surra merecida num tirano mais bem armado.Daniel Paris-Clavel
Mostrar os efeitos das mudanças climáticas diretamente na vida das pessoas talvez seja um caminho acurado a seguir para mobilizar o público. Afinal, uma coisa é ler previsões com gráficos, tabelas e mapas sobre o aumento do nível do mar no Pacífico e informar que ilhas irão desaparecer; outra é dar voz a indivíduos quMônica C. Ribeiro
De Balzac a Dan Brown, de James Bond a Matrix, entre intrigas políticas e aventuras metafísicas através das turbulências globais, o que seria da ficção sem a busca por uma verdade escondida?Evelyne Pieiller