Estreia: Granizo, o pão de trigo escurece o céu
Um híbrido inspirado em grandes obras, peça e filme, em diálogo, convidam os espectadores a refletirem: vivemos em um tempo sem saída?

Um híbrido inspirado em grandes obras, peça e filme, em diálogo, convidam os espectadores a refletirem: vivemos em um tempo sem saída?
Como Arábia transforma uma vida de precariado em saga poética no interior de Minas Gerais
Ken Loach abre o percurso. Sempre engajado, o cineasta se incumbiu do destino crepuscular dos trabalhadores britânicos. Daniel Blake é o exemplar dessa classe que viveu seus tempos heroicos. Envelhecido e adoentado, a grande façanha do hábil carpinteiro se resume a enfrentar os meandros das agências oficiais para obter o auxílio-doença.
A liberdade chegou a um nível jamais atingido, mas não sabemos o que fazer com ela. Uns até a condenam. Ronda o ódio à democracia. Por que não reivindicar uma democracia mais real? O que vemos são pessoas reclamando de ela ser real demais. Ledo engano. O que não podemos é defender uma democracia disforme, que se desdobra para atender aos interesses capitalistas – a que Hollywood reproduz com excessiva confusão de efeitos especiais e cenas românticas
Quando em 1897 o irlandês Bram Stoker inventou, com seu romance Drácula, o arquétipo do vampiro, príncipe da escuridão, seja da noite, seja dos desejos inconfessáveis, o tempo estava nervoso: atentados anarquistas, prodígios tecnológicos (início da aviação), agitação operária. Talvez o retorno atual dos vampiros acompanhe distúrbios comparáveis
Contém spoiler: Eu, Daniel Blake, dirigido por Ken Loach e escrito por Paul Laverty, tem entre seus méritos não apenas dar visibilidade a situações de sofrimento de uma classe trabalhadora, mas também o de nos deixar ver que essa classe só existe atualmente em sentido econômico, não sociológico
Longe de se resumirem a uma simples diversão, muitos filmes de artes marciais chineses falam acima de tudo de justiça e dignidade – de um indivíduo, de uma classe ou de um povo oprimido que eleva a cabeça, esfrega o nariz e dá uma surra merecida num tirano mais bem armado.Daniel Paris-Clavel
Mostrar os efeitos das mudanças climáticas diretamente na vida das pessoas talvez seja um caminho acurado a seguir para mobilizar o público. Afinal, uma coisa é ler previsões com gráficos, tabelas e mapas sobre o aumento do nível do mar no Pacífico e informar que ilhas irão desaparecer; outra é dar voz a indivíduos quMônica C. Ribeiro
De Balzac a Dan Brown, de James Bond a Matrix, entre intrigas políticas e aventuras metafísicas através das turbulências globais, o que seria da ficção sem a busca por uma verdade escondida?Evelyne Pieiller
Não poucos são os sinais do processo de esgotamento do mundo. Desde quando o homem subjugou o planeta à sua vontade, cruzou mares e começou a explorar predatoriamente os recursos naturais, o mundo pareceu dobrar-se sem grandes reações adversas aos seus caprichos e interesses.Mônica C. Ribeiro
Em “Boa sorte, meu amor”, a história de amor dos protagonistas diz muito do percurso de duas classes sociais – com toda a beleza, a violência, a alegria e a tristeza que tal estatuto pode comportarMaria Luísa Rangel
O filme O som ao redor, de Kléber Mendonça Filho, expõe a incompreensão do Brasil sobre si mesmo e sobre as raízes históricas da violência que atravessa nossa vida urbanaJoana Salém Vasconcelos