O enfrentamento do coronavírus na Venezuela
Em comparação com outros países da região, chama atenção a grande diferença tanto no número de casos confirmados como de falecimentos

Em comparação com outros países da região, chama atenção a grande diferença tanto no número de casos confirmados como de falecimentos
A pandemia de Covid-19 lamentavelmente administrada pelo Ocidente revelou os limites de sua hegemonia. A Europa e os Estados Unidos perdem cada vez mais autoridade moral. Mas uma ordem internacional mais justa está distante. Para a África, os acontecimentos destacam o sentimento de um destino comum e certa combatividade. Os obstáculos, contudo, continuam numerosos
A fala de um vendedor ambulante de 65 anos que continuava vendendo suas mercadorias pela cidade de São Paulo sintetizou o dilema que rapidamente ganhou o noticiário nacional e internacional: “O que você quer que eu faça? Se não morrer desse vírus, morro de fome. Não posso parar de trabalhar”
Ex-paraquedista, o presidente Jair Bolsonaro sabe que uma das melhores estratégias de defesa é o ataque. Abalado pelas instituições por sua gestão calamitosa da pandemia de Covid-19, ele aproveita o episódio para acusar o Congresso, a Justiça e os governadores de oposição de desvios ditatoriais. Enquanto isso, os apelos por sua destituição se multiplicam
A pandemia da Covid-19 precisa trazer ao debate, além das questões relacionadas à economia, política e sociedade, o papel social da ciência, seu sequestro pela indústria e a submissão de seus conhecimentos aos interesses de mercado
Contagens diárias macabras, vizinhança tóxica, previsões apocalípticas, imagens mórbidas em sequência: protegida pelo combate à Covid-19, a mídia organizou o terror sanitário para uma população francesa tratada como uma criança pequena. Interlocutores únicos de uma audiência confinada por dois meses, ela acabou por construir uma realidade
A assembleia geral da OMS realizada entre 18 e 19 de maio, sob uma chuva de críticas, propôs tratar toda futura vacina contra a Covid-19 como um “bem comum”. Nada que acalme os Estados Unidos, que acusam Pequim pelo desastre sanitário e destacam a fragilidade dos números de mortes declaradas. Mas o que esconde essa polêmica sobre os dados?
Em poucos meses, a pandemia de Covid-19 alcançou quase todos os países do planeta. Ameaça a saúde e modifica o cotidiano de bilhões de pessoas. Ressuscita demandas e expectativas sobre o Estado. Abre espaços para a importância da solidariedade na sociedade. Ofusca o papel redentor do mercado no imaginário hegemônico
As crises têm nos ensinado muitas coisas. Uma delas é o aumento exponencial da vulnerabilidade social, que acaba criando condições para um processo acentuado de centralização e concentração de renda e patrimônio
No pós-pandemia, o conservadorismo econômico concentrará todos os esforços no resgate de uma suposta normalidade, apoiado no argumento de que a dívida pública cresceu e com uma retórica de que é necessário pagar a conta da crise. De outro lado, será preciso apontar para a hipocrisia e a demagogia desse discurso
Agora que a situação se complica, o coronavírus chega às periferias das grandes cidades, às favelas, ao interior, às regiões mais pobres do país; agora que a morte, o desemprego e a fome batem à porta, de quem essas pessoas podem esperar amparo, proteção, cuidados? A quem elas poderão recorrer?
As orientações terapêuticas para uso precoce no caso da Covid-19 chamam a atenção ao referir que “até o momento não existem evidências científicas robustas que possibilitem a indicação de terapia farmacológica específica para a Covid-19”