Um porrema para Adorno
Resenha do livro Porremas, de Diego Barboza, Manuela Oiticica e Rafael Maieiro (orgs.), Rio de Janeiro, Mórula

Resenha do livro Porremas, de Diego Barboza, Manuela Oiticica e Rafael Maieiro (orgs.), Rio de Janeiro, Mórula
Em vez de difamar foliões, por que não apresentar propostas específicas contra a violência e o desemprego?
Quanto à vida nas cidades, que abrigam mais de 85% dos brasileiros, ela vem melhorando ano após ano. O direito à cidade, direito de acessar bens e serviços públicos e usufruir deles, se amplia em razão da participação das cidadãs e cidadãos nas decisões sobre as políticas públicas.
Apesar de diversos esforços, políticas públicas participativas de patrimônio cultural tornaram-se letra morta devido ao despreparo político e desconhecimento técnico na gestão pública. Os escombros do Museu Nacional viraram vestígios do descaso e do desprezo pela memória, pela educação e pela ciência do país
Pinturas, gravuras, performances e happenings tensionaram a todo momento o autoritarismo e denunciaram os crimes contra a humanidade cometidos pelos militares, às vezes com imagens hiper-realistas, às vezes com um mero conceito lançado no ar, às vezes com intervenções urbanas que escrachavam o que era empurrado para debaixo do tapete social simbólico
O inaceitável desastre estava anunciado: desde décadas sucessivas administrações do Museu apontavam e denunciavam necessidades, e clamavam por recursos para que projetos de segurança contra incêndios, reparos e expansão das exposições no palácio fossem executados, bem como para a construção dos necessários novos prédios para administração, pesquisa e guarda das coleções.
Em seu difícil cotidiano como produtores culturais, artistas buscam programas de incentivo, novas formas de qualificação, valorização e reconhecimento de seu trabalho
Le Monde Diplomatique Brasil e Aliança Francesa exibem o documentário “Operações de Garantia da Lei e da Ordem”
A classe média critica o modo de vida da “ralé” (termo usado pelo sociólogo Jessé Souza), sua religião, sua música, a humilha na atividade laboriosa, esbanja sua soberba e superioridade, mas é inculta, não lê, e se contenta com análises superficiais da política, da economia e da sociedade que vive
Uma metamorfose sociológica possibilitou a criação de uma esquerda flexível e consolidou seu papel no novo capitalismo: inovação, empreendedorismo, criatividade e respeito aos direitos humanos, a última utopia e que lhes garante o rótulo de progressista, o lado certo da História
Quem são e como atuam os novos coletivos que estão enfrentando a conjuntura de crise que afeta o Brasil nos últimos anos, organizando a população das periferias e questionando os vícios das estruturas tradicionais da esquerda
Aos 81 anos, Raduan Nassar, paulista de Pindorama, norte do estado, possui uma trajetória de inquietude. Abandonou a Faculdade de Direito do Largo São Francisco no quinto ano, já fisgado pela literatura. A filosofia e o jornalismo foram casas temporárias de um homem que aprendeu, na adolescência, a gostar de palavras, então aluno de uma de suas irmãs, professoras de português. O pendor pela palavra desembocou em Lavoura arcaica (1975), Um copo de cólera (1978) e uma coletânea de contos publicados de maneira esparsa ao longo dos anos, incluindo Menina a caminho, O ventre seco, Hoje de madrugada e outros.