O recuo estratégico dos evangélicos
Após o 8 de Janeiro parece haver entre os evangélicos uma espécie de voto de silêncio coletivo em relação à política

Após o 8 de Janeiro parece haver entre os evangélicos uma espécie de voto de silêncio coletivo em relação à política
Há semanas temos visto a movimentação dos “patriotas” nas portas dos quartéis. O que não tem sido evidenciado com devida ênfase pelos analistas é a forte tônica religiosa dos seus manifestantes, em geral composta por evangélicos e, em menor grupo, também por católicos. Muitos vídeos e relatos comprovam o forte vínculo religioso das manifestações, frequentemente regadas a momentos de oração, louvores gospel e “atos proféticos”
Influência religiosa nas eleições nos desafia a olhar semelhanças e não só diferenças entre católicos e evangélicos
O assédio religioso é uma característica do segundo turno das eleições de 2022, marcado pelo aumento exponencial no número de relatos de ameaças de expulsão, perseguição, coerção explícita e propagação de fake news dentro da igreja evangélica.
Submetidos à desinformação, como pedem certos pastores, os fiéis tornam-se alvos dóceis e facilmente manipuláveis e, por conseguinte, qualquer contradito vira obra do demônio. Nada ou qualquer argumentação é levada em conta e a cegueira impera
A afinidade entre evangélicos e a direita conservadora não é nova, e precisa ser entendida a fundo por todos aqueles que pretendem dialogar com esse público
Agregação de pesquisas, feita pelo Cebrap, confirma a hipótese de que, diferente da tradição histórica do Brasil, há, sim, um voto confessional. Ao contrário das eleições anteriores, a presença de Lula não desativa essas posições conservadoras. Por quê? Qual caminho o ex-presidente deve seguir?
A depender da campanha de Bolsonaro, os discursos religiosos serão cada vez mais fervorosos em nome de “Deus” e o maniqueísmo tomará conta das eleições presidenciais
É sabido que a potência do púlpito ajudou a eleger Bolsonaro. E também é sabido como isso fortaleceu pautas pouco laicas no Congresso nesses quatro anos de miséria na mesa, no bolso e na imaginação
Muitos passaram a tratar como automática a associação entre evangélicos e bolsonarismo. No entanto, podemos pensar: o que é verdade e o que é preconceito sobre a atuação dos evangélicos na política? Afinal, todo evangélico é conservador? O que explica o comportamento eleitoral desse grupo?
Orientado por pastores como Silas Malafaia, que tem enorme capacidade de controle de suas comunidades pelo moralismo, Bolsonaro começou a usar esse moralismo como arma política. Com a economia em frangalhos e um governo catastrófico, o pânico moral entre os grupos vulneráveis é o que lhe resta
Irmã Cida, eleitora de Bolsonaro em 2018, crente fiel da Assembleia de Deus, percebeu que votou errado. A ficha caiu quando ela viu Bolsonaro imitando as pessoas que morriam de Covid. Ela percebeu que não havia cristianismo nele. Não há uma relação fechada entre evangélicos e Bolsonaro. E aqui entra nosso trunfo. É possível fazer a disputa. É possível acenar com a realidade e com uma leitura bíblica contextualizada