Depois de Tobin
Os Estados salvaram os bancos sem impor outra contrapartida além de lucros ainda mais gordos. Mas nenhuma decisão foi tomada contra as finanças, que segue sendo alvo dos ataques mais dissonantes.Serge Halimi

Os Estados salvaram os bancos sem impor outra contrapartida além de lucros ainda mais gordos. Mas nenhuma decisão foi tomada contra as finanças, que segue sendo alvo dos ataques mais dissonantes.Serge Halimi
A moeda comum europeia surgiu em meio a um grande entusiasmo. Nas mídias, ninguém duvidava de que o euro “nos” permitiria “ter peso” na cena internacional, concorrer com o dólar. Agora o tom mudou, e a oportunidade do abandono do euro já foi discutida, pois a crise coloca as contradições essenciais da união monetáriaAntoine Schwartz
Especialmente em tempos de crise, a vida pública se dobra diante de uma avalanche de números, taxas, notas e outras porcentagens que procuram quantificar a realidade objetiva. Arma superior de prova, o argumento estatístico é autoritário. Mas o que indicam os indicadores? Alguns têm por vocação simplesmente impedir a dGilles Ardinat
O que acontece quando o último refúgio é abalado pela tempestade? No dia 23.11, investidores fugiram do leilão da dívida alemã, sinal de uma desconfiança inédita. Presos em sua própria armadilha, os mercados, que exigiam rigor, agora temem a depressão. Em resposta, multiplicam-se “cúpulas”, cada vez mais, inúteisFrédéric Lordon
Se todas as mazelas do mundo se explicam pela primazia das finanças no capitalismo real e a financeirização é um desvio lamentável da economia de mercado, então, sim, a questão das demissões coletivas começa e termina na Bolsa. Mas se a economia pudesse se desfazer da “verruga financeira”,ela se tornaria mais virtuosa?Claude Jacquin
De Londres a Hong Kong, as belas fachadas dos grandes centros de negócios com frequência escondem a violência de suas origens. Esse é o caso do banco HSBC, cujas raízes mergulham em guerras coloniais e comerciais conduzidas pelo Império Britânico na Ásia
Na maioria dos setores de atividade, os comportamentos de risco geram desconfiança. No meio financeiro, eles são recompensados. Mesmo quando levam empresas – ou países – à ruína. “Qualquer que seja o volume das perdas pelas quais são responsáveis, os figurões sempre conseguem se reerguer”
Na França, a Attac e a Amigos da Terra lançam uma campanha nacional para reafirmar as exigências cidadãs diante das intempéries do sistema bancário. Se, por um lado, uma parte dos franceses ainda confia em suas entidades de crédito, um estudo recente sugere que elas podem não estar sempre com a razão
Após o colapso de 2008, acrobatas financeiros, professores de Economia e políticos repetiram todos a mesma ladainha: “Nada será como antes”. Três anos depois, os mesmos culpados pela crise retomaram os mesmos negócios, armados com as mesmas teorias econômicas
No dia 10 de maio de 2010, após os governos europeus procederem a uma nova injeção de 750 bilhões de euros na fornalha da especulação, o presidente francês Nicolas Sarkozy anunciou que, por questões de rigor orçamentário, uma ajuda especial de 150 euros a famílias necessitadas não seria renovadaSerge Halimi
Investidores e governantes miram um novo horizonte: voltar ao momento que precedeu a queda, graças a um “melhor enquadramento dos mercados financeiros”. A ladainha tantas vezes repetida pode gerar dúvidas. Será que, ao contrário, não é chegada a hora de ir para a frente?