O desmonte das eleições
A eleição presidencial romena de 2024 surpreendeu ao registrar resultados inesperados e ser anulada, um caso sem precedentes em democracias

A eleição presidencial romena de 2024 surpreendeu ao registrar resultados inesperados e ser anulada, um caso sem precedentes em democracias
Enquanto o “enviado especial” de Emmanuel Macron, o ex-ministro Jean-Marie Bockel, apresentava seu relatório sobre a reconfiguração do dispositivo militar francês na África no fim de novembro, Paris era surpreendida pela decisão do Senegal e do Chade de encerrar os acordos de defesa que os vinculavam à antiga potência colonial. Esse novo revés marca uma virada para a França no contexto de uma reconfiguração da geopolítica mundial
Há seis meses, a obstinação de Emmanuel Macron em ignorar o desagrado eleitoral de que foi alvo provoca uma situação de impasse político e instabilidade ministerial. Para se manter no poder, ele busca criar uma coalizão de “terceira força”, indo da direita ao centro-esquerda. Ao escolher François Bayrou como primeiro-ministro, o presidente francês estaria gastando seu última cartucho?
Após um longo período de crescimento no número de votos registrados na República da Irlanda, o Sinn Féin agora enfrenta dificuldades. O partido que sonhava apagar a fronteira que divide a ilha acaba de deparar com outra linha de fratura: a que opõe beneficiários e perdedores do modelo de crescimento idealizado por Dublin após a crise de 2009
Escapar do trabalho assalariado – que exaure, embrutece, entedia – criando a própria atividade? A ideia seduz, especialmente entre profissionais com ensino superior, parte dos quais se reconverte… na “reconversão profissional”. Um mercado promissor, mas frágil
Por muito tempo marginal, o evangelismo está hoje bem mais presente na França. Alimentado por várias lideranças, notadamente a dos missionários anglo-saxões, mas também a de fiéis originários da África Subsaariana, esse ramo do protestantismo está se estruturando pouco a pouco. Vários de seus membros desejam agora influenciar o debate nacional por meio da defesa de ideias conservadoras
Constitucionalistas ocupam os programas de televisão e as sessões de debate dos jornais para analisar a crise do regime que se instala na França desde as eleições legislativas. Propostas surgem; no entanto, a maioria das ideias esquece o ponto fundamental: as instituições são, antes de tudo, um bem público e um contrato social a ser reconstruído
Dos pequenos bistrôs aos grandes restaurantes, as humilhações fazem parte do cotidiano de quem trabalha na cozinha. Enraizada em uma concepção militar de hierarquia, a violência é justificada como uma etapa de passagem obrigatória. Porém, enquanto os novos recrutas estão mais dispostos a denunciar abusos, alguns chefs começam a combater o sistema
Desde que Emmanuel Macron decretou, em 9 de junho, a dissolução da Assembleia Nacional, os ânimos estão exaltados. Diante desse clima, uma solução multipartidária parece emergir: o “apaziguamento”
Parece que a sequência caótica aberta pela dissolução da Assembleia Nacional em 9 de junho na França vai se prolongar. Entretanto, para além da confusão entre os partidos, as alianças e os projetos, é possível identificar algumas linhas de transmissão bastante esclarecedoras
Seis meses após o cinquentenário de sua fundação, o Reunião Nacional se tornou o maior da França. Suas prioridades ideológicas – endurecimento penal, combate aos imigrantes e “assistidos” – já inspiram as políticas do presidente Emmanuel Macron. No entanto, a extrema direita se alimenta há muito mais tempo da falta de compromisso e das acomodações dos partidos no governo
Não há algo de hipócrita em nossa surpresa? Uma crise institucional, o Reunião Nacional como o principal partido da França, um “grande jogo” político: a conjuntura das últimas semanas se inscreve em uma história de pelo menos quarenta anos. A falta de compromisso das classes dirigentes, sua arrogância cultural, seu desprezo social e seu segregacionismo espacial prepararam o terreno para a extrema direita (pág. 2). Atualmente, a xenofobia e o antifeminismo do Reunião Nacional não repelem mais certas parcelas das elites (pág. 18). À frente de um Estado do qual as classes populares desconfiam (pág. 16), um presidente enfraquecido tenta improvisar. Porém, como mostra seu balanço diplomático, esse método tem limites (ver abaixo)