A morte do jovem Naël e as intensas manifestações na França
A onda de manifestações nas cidades francesas denuncia o excessivo recurso da força letal do Estado contra grupos racializados e, portanto, seu racismo estrutural

A onda de manifestações nas cidades francesas denuncia o excessivo recurso da força letal do Estado contra grupos racializados e, portanto, seu racismo estrutural
As crescentes necessidades da indústria geram hostilidade entre os usuários indignados com o desperdício de quantidades significativas de água pura, como acontece ao norte de Grenoble, na França, com a expansão da fábrica de chips da STMicroelectronics
Nos ambientes democráticos não deve ser permitida a entrada de ideais extremistas que visam a supressão da própria democracia
É notável a força desse movimento contra uma reforma que visa, em especial, elevar a idade de aposentadoria de 62 para 64 anos
Há quase um século, a República francesa assumiu a intenção de lidar com os protestos populares de rua procurando ao máximo evitar o confronto. A partir dos anos 2000, a abordagem se tornou mais punitiva e a prioridade passou a ser prisão dos “agitadores” – uma mudança que favorece a violência e coloca em questão o respeito, por parte do Estado, ao direito de manifestação
Plenamente integrado ao complexo agroindustrial, o auxílio alimentar constitui a parte do pobre, aquela que ninguém quer, mas que muitos, nos dias de hoje, conseguem monetizar
Conciliar o apoio popular maciço com a fraqueza relativa das forças mobilizadas em campo: esse é o desafio enfrentado pelos militantes sindicais em luta contra a reforma da previdência na França. Eles o aceitam mais ou menos bem, contando com o tempo. Exemplos no oeste do país
A revolta popular provocada pela perspectiva de trabalhar por mais dois anos e pela aprovação forçada do Executivo confirma uma virada. Abalado por governos que definiram como objetivo a felicidade dos acionistas, o crédito concedido pela população ao mundo político desmorona. Este abdicou de sua missão, a ponto deixar nas mãos do Conselho Constitucional uma decisão da qual depende a vida de milhões de trabalhadores. Quando o descontentamento das pessoas comuns serve de guia (ver pág. 2), os líderes sabem alimentar dois tipos de reação: a resignação ou a revolta. Eles estavam contando com a primeira. No entanto, o desejo de viver uma vida digna reacendeu nos menos politizados a força de lutar. E até a Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT) redescobriu as virtudes da luta
O discurso vazio do Executivo e a brutalidade policial testemunham a agitação febril do poder francês. E não poderia ser diferente: a contestação da reforma das aposentadorias carrega a semente do rechaço à ordem social sustentada pelo governo
Menos prisões e presos – esse poderia ser o efeito do uso cada vez maior da vigilância eletrônica de condenados para evitar o encarceramento convencional ou impedir a reincidência. Contudo, a verdade é que esses modos de privação de liberdade por meio da tecnologia têm pouco efeito sobre o aumento da população carcerária. E, para que sejam eficazes, a prisão, a real, precisa continuar sendo uma ameaça concreta
Aposentadoria mais tarde, pensão mais baixa: a batalha em torno da reforma da Previdência na França põe em evidência as desigualdades sofridas pelas mulheres. Se o projeto do governo obviamente as agrava, que medidas as remediariam?
As maiores manifestações da história de Rodez, Laval e Clermont-Ferrand; 200 mil pessoas em Marselha. A mobilização contra a reforma da Previdência na França é poderosa. Sem dúvida porque o desafio excede a idade da aposentadoria e do texto analisado no Parlamento. Nas ruas, também rejeitamos uma sociedade do cada um por si, em que a acumulação especulativa importa mais que a solidariedade