Arquivos Guerra Fria - Le Monde Diplomatique

As negociações secretas sobre os mísseis em Cuba

Em 28 de outubro de 1962, no mesmo dia em que Nikita Kruchev anunciou publicamente a retirada dos mísseis balísticos nucleares que suas forças haviam instalado em Cuba, o chefe de Estado soviético enviou uma carta confidencial ao presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, sobre o desenlace pacífico do confronto de superpotências mais perigoso …

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A parceria estratégica entre Moscou e Beijing

O encontro entre Vladimir Putin e Xi Jinping em fevereiro de 2022 deve ser visto como histórico sob o ponto de vista geopolítico e estratégico. Marca o “fim do Pós-Guerra Fria” iniciado em 1989 com a desagregação do então chamado bloco socialista e, em dezembro de 1991, com a extinção da União Soviética. Durante a …

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O enigma do La Coubre

Na sexta-feira, 4 de março de 1960, por volta das 9h30, o cargueiro francês La Coubre atraca no cais de Havana. A bordo, cargas embarcadas nos portos de Hamburgo, Antuérpia e Le Havre com destino aos Estados Unidos, México e Haiti. Jean Le Fèvre é o imediato. Ele testemunha: quando autorizados a subir a bordo, …

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Por que não estamos diante de uma Nova Guerra Fria

Os parlamentares e oficiais alemães que se reuniram na Orquestra Estatal de Weimar, em fevereiro de 1919, para a Assembleia Nacional Constituinte que escreveria a Constituição do Império Alemão, após o fim da Primeira Guerra Mundial, não se levantaram em tom eufórico e uníssono e proclamaram: “estamos inaugurando a República de Weimar!”. Por certo, a …

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A paz nos tempos de guerra

Na Paz de Lodi de 1454, as principais potências italianas (Milão, Veneza, Florença, Estado Pontifício e Nápoles) colocaram a termo trinta anos de guerras, iniciadas em 1423 a partir das conquistas de Filippo Visconti na Lombardia. Em 1451, ainda no contexto dos conflitos, Cosimo de Médici conduziu Florença à ruptura de sua aliança com Veneza …

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Stálin e Hitler: irmãos gêmeos ou inimigos mortais?

Acontecimentos históricos e categorias teóricas   Na atualidade, com base na categoria de “totalitarismo” (a ditadura terrorista do partido único e o culto ao líder), Stálin e Hitler são considerados as máximas encarnações desse flagelo, dois monstros com características tão semelhantes a ponto de parecer gêmeos. Não por acaso – argumenta-se –, ambos se uniram …

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Anos loucos

A seus olhos a tempestade passou, a eleição de Donald Trump e o Brexit estão quase conjurados. A ampla vitória de Emmanuel Macron entusiasmou os meios dirigentes da União Europeia, e um de seus colunistas juramentados ronronou inclusive que se trataria da “primeira interrupção decisiva da onda populista”.1 Aproveitar o momento para fazer ser aprovada …

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Do céu ao (buraco do) inferno

No ban, no wall: vestidos de estátuas da liberdade contra os muros que Trump pretende levantar na fronteira mexicana e banir imigrantes e refugiados     Os últimos cinco presidentes dos Estados Unidos nas suas primeiras viagens ao exterior deram preferência visitar seus vizinhos e principais parceiros econômicos: Canadá e México. Em sua primeira turnê …

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Democracia na China, só quando o povo amadurecer…

De um lado, os “democratas”, defensores de um governo pelo povo e para o povo; do outro, os “autoritários”, partidários da ditadura do partido único: essa é a paisagem política chinesa desenhada pela maior parte dos meios de comunicação ocidentais. Na realidade, os dois campos não se mostram tão distantes. Tanto os primeiros como os …

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Washington analisa cenários para uma “guerra aberta”

Enquanto a corrida presidencial norte-americana atinge seu ápice e os líderes europeus estudam as consequências do Brexit, os debates públicos sobre a segurança se concentram na luta contra o terrorismo internacional. Mas, se esse tema satura o espaço midiático e político, ele desempenha um papel relativamente secundário nas trocas entre generais, almirantes e ministros da …

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Taiwan e China disputam a América Central

Um ato de realismo elementar.”1 Foi com essas palavras que, em 2007, Oscar Arias Sánchez, então presidente da Costa Rica, comentou sua decisão de reconhecer a República Popular da China, 58 anos após sua fundação. A partir de 1949 e do exílio dos nacionalistas do Kuomintang, derrotados pela revolução, para o outro lado do Estreito …

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Homens de pulso

A troca de elogios surpreendeu. Em 17 de dezembro, o presidente russo, Vladimir Putin, marcou sua preferência por um dos candidatos das eleições primárias republicanas norte-americanas, o bilionário nova-iorquino Donald Trump. Qualificando-o de “homem brilhante e cheio de talento”, fez dele “o grande favorito da corrida presidencial”. Longe de recusar tal homenagem, que, no entanto, …

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A nova Guerra Fria

Em 1980, para resumir sua visão das relações entre os Estados Unidos e a União Soviética, Ronald Reagan proferiu esta fórmula: “Nós ganhamos; eles perdem”. Doze anos depois, seu sucessor imediato na Casa Branca, George Bush, felicitava-se pelo caminho percorrido: “Um mundo outrora dividido entre dois campos armados reconhece que existe apenas uma superpotência preeminente: …

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Moscou, entre demonstrações de força e influências sutis

Em matéria de política internacional russa, este início de 2014 foi marcado por dois acontecimentos capitais. Primeiro, os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, cuja organização deu lugar nas mídias ocidentais a uma vasta campanha crítica do regime de Vladimir Putin; depois, assim que os Jogos se encerraram, a crise ucraniana. De certa forma, esses …

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Lampedusa

Há trinta anos, fugir do sistema político opressor de seu país valia aos candidatos ao exílio os louvores dos países ricos e da imprensa. Estimava-se então que os refugiados tinham “escolhido a liberdade”, ou seja, o Ocidente. Um museu presta homenagem, desta forma, em Berlim à memória dos 136 fugitivos que morreram entre 1961 e …

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Como entender Pyongyang?

  (Kim Jong-un em plenária do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte) Mais uma vez, a República Democrática Popular da Coreia (RDPC) deixa o resto do mundo sem fôlego: onda de ameaças – ataques nucleares aos Estados Unidos, rejeição do armistício de 1953,1 uma inevitável “Segunda Guerra da Coreia” – e baterias de mísseis …

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E agora, as estrelas!

Ninguém esperava realmente de Ronald Reagan que, na sua carreira anterior de ator de cinema e de governador da Califórnia, tivesse tido a oportunidade de dominar as complexas tecnologias laser de raios X, das armas de energia dirigida e da física dos feixes de partículas. No entanto, em 23 de março de 1983, o então …

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E se tivéssemos acreditado nas Nações Unidas em 1990…

Imaginemos… uma manhã de novembro de 1990, os cinco delegados dos membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas se encontram na residência do representante do Reino Unido para preparar uma reunião à tarde. Eles redigem a Resolução n. 678, “Iraque e Kuwait”, autorizando o uso da força. No texto, eles põem peso nas …

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Um sonho desfeito

Enquanto a Segunda Guerra Mundial prosseguia na Ásia, a adoção da Carta das Nações Unidas, em junho de 1945, em São Francisco, marcava uma virada radical na história das relações internacionais. Todo recurso à força – a guerra ou qualquer outra forma de intervenção militar – passou a ser, em princípio, proibido. Um órgão centralizado, …

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O que os russos pensam de 1917

("Abaixo o capital! Vida longa à ditadura do proletariado" celebra poster do 3° aniversário da Revolução de Outubro) Durante mais de setenta anos, a Grande Revolução de Outubro (nome oficial, inclusive em letras maiúsculas) foi, para os soviéticos, o principal evento não apenas da história de seu país, mas do mundo, e não unicamente do …

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Decadência dramática dos Estados africanos

A destituição do presidente Henri Konan Bédié pelos militares da Costa do Marfim lembra, mais uma vez, que um golpe de Estado é geralmente consequência, certamente lamentável, de graves obstáculos institucionais, impasses políticos, ilegitimidade dos dirigentes, fracasso de processos de sucessão, falência das elites e, mais intensamente, de má administração e um serviço público arruinado. …

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Quando a Rússia se reergue

A questão da responsabilidade sobre o conflito no Cáucaso não nos atormentou por muito tempo. Menos de uma semana depois do ataque georgiano, dois comentaristas franceses, especialistas em generalidades, o julgaram “obsoleto”. Um neoconservador americano influente já tinha dado o tom: saber quem havia começado “pouco importava”, declarou Robert Sagan, pois “se o presidente da …

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