A atávica corrupção no Brasil
As campanhas anticorrupção dos amigos do alheio

As campanhas anticorrupção dos amigos do alheio
Não cabe ao presidente da Câmara dos Deputados antecipar juízo de admissibilidade do processo de impeachment. Essa prerrogativa é da casa legislativa. Menos ainda tecer considerações de mérito. Da mesma forma, o não recebimento motivado enseja recurso ao plenário
Mesmo sendo um labirinto de torpor aquele onde estamos, muitas e muitas vozes clamam pela busca da saída e é certo que a encontraremos
Sem uma estratégia de radical transição, que aponte mudanças estruturais que nunca foram feitas, a via institucional pode nos levar a uma grande farsa, na melhor das hipóteses ao tal reformismo sem esperanças para a maioria excluída
Dos 11 titulares da CPI da Covid, o governo conta com o apoio de apenas 4 (PP, PL, DEM e Podemos) e com a oposição indubitável de 2 (Rede e PT). Sua força dependerá significativamente da atuação da bancada que se diz independente, composta por 5 membros dos seguintes partidos: PSD, PSDB e MDB
O impeachment de Dilma Rousseff abriu um caminho de degradação institucional muito mais rápido do que seria possível imaginar naquele momento. A partir desse acontecimento e, principalmente, da eleição de Jair Bolsonaro, novos elementos se acrescentam à tendência antidemocrática, tais como o ataque do Poder Judiciário e das instituições de controle do sistema político
Certamente não será o governo Bolsonaro que vai nos tirar dessa situação. Ele só agrava a crise. E, se nossas representações coletivas não se mexerem agora, estaremos nos condenando e à nova geração ao pior cenário possível. A geração Covid-19 será mais uma vítima da política de morte e destruição desse governo insano.
Os militares mais influentes do governo não aconselham o presidente Jair Bolsonaro a diminuir as provocações, afrontes e desrespeitos às instituições, aos demais poderes da República e ao povo brasileiro, ou até o incentivam a aumentar esses desatinos e ataques diários, a fim de esgarçar o tecido social e institucional para, finalmente, “justificar” e “fundamentar” o autogolpe
Na nossa situação, a falta de imaginação resulta em falta de juízo e pode contribuir para dar racionalidade à crueldade. O impeachment é a nossa salvação? Não sabemos. Mas o seu pedido é não apenas legítimo, é politicamente necessário.
O processo de impeachment de Donald Trump começou a tramitar em janeiro no Senado, enquanto, a partir de 3 de fevereiro, iniciam-se as primárias que devem definir seu adversário nas eleições presidenciais de novembro. Ambos os eventos são dominados por suas ações, comentários e personalidade. Contudo, se alguns democratas têm como único programa combatê-lo, outros veem bem mais longe
Esta eleição se diferencia de outras da Nova República porque terá um aspecto central: a restauração de uma concepção pública de Estado em contraposição à forma privada hegemonizada pelo mercado financeiro que se instalou depois do impeachment
O documentário O processo, de Maria Augusta Ramos, com algum tipo de mediação, pode ser comparado ao desfile de 2018 da escola de samba Paraíso do Tuiuti. Em certo sentido, o filme é um grito de: “Pera aí! Não foi bem assim!”