Blowin’ in the wind
Quantas vezes pode um homem virar a cabeça e fazer de conta que, tão-somente, não está vendo nada?

Quantas vezes pode um homem virar a cabeça e fazer de conta que, tão-somente, não está vendo nada?
Após as supostas “armas de destruição em massa” no Iraque e a guerra que destruiu aquele país, a vez do Irã parece anunciar o início de uma nova “guerra sem fim”, o novo atoleiro norte-americano
A agressão lançada por Benjamin Netanyahu contra o Irã, em violação ao direito internacional, reflete uma aposta desmedida, possibilitada por uma correlação de forças militares fortemente desequilibrada. No entanto, desrespeitar a soberania iraniana sob o pretexto do repúdio que o regime dos aiatolás suscita em parte da população não atende às aspirações desse povo
Em breve será mais fácil listar os países e territórios no Oriente Médio que Israel não bombardeou em 2025
Há quase dois anos, diversas obras dão conta do que em geral se chama, equivocadamente, de “conflito Israel-Palestina”. Algumas restituem sua dimensão colonial e iluminam os entraves do atual alastramento de violência no Oriente Médio. Outras apontam ainda a cumplicidade do Ocidente na guerra em Gaza ou esmiúçam a pouco provável “solução de dois Estados”
Após dois meses e meio de bloqueio total e em violação ao direito internacional, Israel autorizou a entrada, a conta-gotas, de ajuda humanitária em Gaza. Sem nenhuma proporção em relação às necessidades, essa decisão não conseguirá impedir o avanço da fome no enclave. Sob intensa pressão militar, o destino da população oscila entre uma grande hecatombe e a expulsão
A automatização da letalidade contra a população Palestina em seu mais alto grau de eficiência destrutiva se traduz em uma verdadeira gestão da morte
Convencido de que as instituições culturais norte-americanas lhe são hostis e ensinam o ódio a Israel e ao Ocidente, o presidente Donald Trump decidiu purgá-las, expulsando pesquisadores estrangeiros críticos das políticas oficiais, cortando recursos de universidades recalcitrantes e equiparando manifestações de solidariedade com a Palestina ao antissemitismo. Por enquanto, o medo prevalece sobre a indignação
A prisão do prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, em março, provocou importantes manifestações que prosseguem nas universidades. Entre as divergências que opõem o líder da oposição ao presidente Recep Tayyip Erdogan está o apoio de Ancara ao novo poder na Síria – uma escolha que pode colocar a Turquia em rota de colisão com seu antigo aliado, Israel
Como apagar os vestígios dos vilarejos árabes esvaziados de sua população durante a Nakba de 1948? Como forçar os beduínos do Neguev a partir? Plantando árvores. Missão do Fundo Nacional Judaico, o reflorestamento voluntário desenha uma nova geografia em Israel e mascara a presença de vestígios que testemunham a presença palestina, ao custo de significativos riscos ambientais
A ocupação dos territórios palestinos é ilegal e constitui uma política que pode ser qualificada como um apartheid, decidiu a Corte Internacional de Justiça em um momento em que Gaza, sua população e suas infraestruturas, especialmente educacionais, estão sendo sistematicamente destruídas pela intervenção israelense. Conscientes de que são alvo da extrema direita, que faz parte da coalizão governamental, os cidadãos árabes de Israel, marginalizados, adotam uma postura discreta. Já a maioria judaica da sociedade, traumatizada pelo ataque de 7 de outubro, oscila entre o desejo de eliminar os palestinos e o temor pelo futuro do país. Nesse contexto, cada dia que passa agrava o calvário dos habitantes de Gaza e aproxima toda a região do precipício
O ataque de 7 de outubro destruiu o mito de um Exército superpoderoso, no qual se baseava o sentimento de segurança da população. Em choque, a sociedade se entrega à sede de vingança, sem acreditar, no entanto, que a erradicação do Hamas seja um objetivo alcançável. Por sua vez, ao dobrar a aposta, o governo alimenta o medo de extinção do Estado de Israel