Mergulhar no submundo para transformá-lo
Israel quer que nos habituemos tanto à escuridão e ao submundo que percamos a capacidade de ver o que está diante de nós

Israel quer que nos habituemos tanto à escuridão e ao submundo que percamos a capacidade de ver o que está diante de nós
Gaza é um laboratório que combina racismo, militarismo e colonialismo, produzindo o experimento deliberado e intencional mais brutal e sanguinário do século XXI: o genocídio palestino
Enquanto a Palestina se torna a cada vez mais um campo de concentração, as críticas piedosas e as proclamações vazias da diplomacia francesa levantam questionamentos. Como Paris, outrora influente no Oriente Médio, pôde se tornar tão ausente nos últimos dois anos? Quando a França adotará sanções contra Israel? Enquanto isso, um poderoso conglomerado político-midiático se opõe a essas medidas
Apesar da diferença de escala institucional entre os dois países, é importante
destacar a origem comum das iniciativas: o campo evangélico conservador. A retórica do sionismo cristão mobiliza símbolos bíblicos e a ideia de bênção divina para justificar o apoio político a Israel, reforçando o papel de ambos os países como “aliados espirituais” e seculares
Quantas vezes pode um homem virar a cabeça e fazer de conta que, tão-somente, não está vendo nada?
Após as supostas “armas de destruição em massa” no Iraque e a guerra que destruiu aquele país, a vez do Irã parece anunciar o início de uma nova “guerra sem fim”, o novo atoleiro norte-americano
A agressão lançada por Benjamin Netanyahu contra o Irã, em violação ao direito internacional, reflete uma aposta desmedida, possibilitada por uma correlação de forças militares fortemente desequilibrada. No entanto, desrespeitar a soberania iraniana sob o pretexto do repúdio que o regime dos aiatolás suscita em parte da população não atende às aspirações desse povo
Em breve será mais fácil listar os países e territórios no Oriente Médio que Israel não bombardeou em 2025
Há quase dois anos, diversas obras dão conta do que em geral se chama, equivocadamente, de “conflito Israel-Palestina”. Algumas restituem sua dimensão colonial e iluminam os entraves do atual alastramento de violência no Oriente Médio. Outras apontam ainda a cumplicidade do Ocidente na guerra em Gaza ou esmiúçam a pouco provável “solução de dois Estados”
Após dois meses e meio de bloqueio total e em violação ao direito internacional, Israel autorizou a entrada, a conta-gotas, de ajuda humanitária em Gaza. Sem nenhuma proporção em relação às necessidades, essa decisão não conseguirá impedir o avanço da fome no enclave. Sob intensa pressão militar, o destino da população oscila entre uma grande hecatombe e a expulsão
A automatização da letalidade contra a população Palestina em seu mais alto grau de eficiência destrutiva se traduz em uma verdadeira gestão da morte
Convencido de que as instituições culturais norte-americanas lhe são hostis e ensinam o ódio a Israel e ao Ocidente, o presidente Donald Trump decidiu purgá-las, expulsando pesquisadores estrangeiros críticos das políticas oficiais, cortando recursos de universidades recalcitrantes e equiparando manifestações de solidariedade com a Palestina ao antissemitismo. Por enquanto, o medo prevalece sobre a indignação