O direito à leitura na prisão
A oferta de projetos de leitura com o benefício da redução da pena é um estímulo importante para homens e mulheres em reclusão ressignificarem sua relação com o conhecimento e a imaginação

A oferta de projetos de leitura com o benefício da redução da pena é um estímulo importante para homens e mulheres em reclusão ressignificarem sua relação com o conhecimento e a imaginação
A direita autoritária cabe perfeitamente no figurino da cordialidade. Ela revela e exacerba os desejos antidemocráticos, aquilo que os brasileiros podem ter de pior e que denota a única ferramenta de que dispõem para existir em sociedade: a distinção
Por mera coincidência, aqui, no Brasil, no dia 8 de janeiro de 2023 – exatamente quando se completa 100 anos da primeira tentativa de golpe de Hitler; 90 anos da queima do Parlamento alemão – milhares de seguidores de Bolsonaro fizeram a história se repetir como tragédia: ocuparam e destruíram o Palácio do Planalto, os prédios da Suprema Corte e do Congresso Nacional
O melhor meio de enfrentar quem quer desestabilizar o funcionamento das instituições é o próprio funcionamento das instituições. Esse é o teste fundamental do estado democrático de direito. Os ataques de 8 de janeiro de 2023 não foram espontaneamente gerados, eles estão em um contexto de uma série de crimes. E é preciso entender qual é o papel de Jair Bolsonaro nesses crimes
A astúcia desse ataque está na forma estética em que a extrema-direita amalgamou os múltiplos afetos e sensações que marcam os nossos dias – medo, raiva, angústia, frustração, ressentimento, ansiedade, insegurança etc. –, oferecendo um reconfortante retorno imaginário à comunidade aos seus novos e velhos adeptos, além, é claro, de produzir formidáveis bodes expiatórios para os problemas complexos do mundo e a decadência das condições de vida, a quem as pessoas poderiam dedicar o seu ódio a vontade
O fato de Olavo, um antifilósofo, ter sido elevado à categoria de “pensador” e ideólogo da direita tupiniquim dá mostras do abismo em que nos encontramos
Entre derrotas, como as de Trump e de Bolsonaro, e vitórias, como de Meloni na Itália e a manutenção de alguns líderes no leste europeu, a extrema direita mantém-se viva aos solavancos
É preciso fortalecer as instâncias mediadoras da modernidade que coajam e constranjam os bolsonaristas a respeitarem os acordos de convivência social
Esses que fomentam e participam de movimentos neofascistas não são doentes e nem loucos
A ascensão de Bolsonaro e do bolsonarismo dialoga com as marcas de continuidade com o passado autoritário e com a tradição do anticomunismo. Porém, é importante destacar que não se reduzem à reprodução desse passado, sendo também construções do tempo presente, reações a mudanças políticas que ocorreram após a Constituição de 1988 e durante os governos do PT
Dos resultados nas eleições à capacidade de pautar o debate público, não faltam sinais de consolidação da ultradireita. O diagnóstico ainda deixa, todavia, perguntas no ar. Qual é o papel de Bolsonaro? Há uma coincidência entre bolsonarismo e ultradireita? Para onde vai a parte da coalizão bolsonarista afinada com os discursos e performances da direita tradicional?
O futuro ex-Presidente da República, Jair Bolsonaro, ao reconhecer indiretamente o resultado das urnas das eleições para Presidente de 2022, alegou sempre ter jogado “dentro das quatro linhas da Constituição”. No entanto, ficou um questionamento: quais são as tais ‘quatro linhas da Constituição’ sustentadas pelo derrotado nas urnas?