Balança geopolítica mundial deve pender para o lado asiático
Em entrevista, a embaixadora Thereza Quintella, chefe da representação brasileira em Moscou, onde viveu de 1995 a 2001, analisa o conflito em curso na Ucrânia

Em entrevista, a embaixadora Thereza Quintella, chefe da representação brasileira em Moscou, onde viveu de 1995 a 2001, analisa o conflito em curso na Ucrânia
Impacientes para renunciar aos combustíveis russos e asfixiar o Kremlin, os países europeus improvisaram soluções alternativas. Eles pagam cada vez mais caro por sua falta de preparo: disparada de preços, desaceleração econômica, novas submissões diplomáticas. Os Estados Unidos, de sua parte, esfregam as mãos…
Bolsonaro e Trump nunca tiveram a intenção de corrigir os problemas relacionados à desigualdade econômica e à exclusão política crescentes em seus respectivos países, mas sim se valer destes para se locupletar com base na promoção de um salvacionismo mais que tudo auto interessado
Conforme argumentado no artigo anterior, o programa REpowerEU deve ser compreendido como parte de uma geopolítica do infrapoder energético mundial. Agora devemos compreender como ele se coloca em tal geopolítica e as especificidades da geopolítica russa.
Sob comando de Edorgan, a Turquia inicia uma nova ofensiva militar contra os curdos na Síria e no Iraque. Operação Claw Look fica às sombras dos acontecimentos na Europa e os curdos não encontram solidariedade internacional.
A brutal diminuição das exportações ucranianas de cereais e as sanções impostas a Moscou provocam uma alta de preços dos alimentos nos mercados. Os países importadores procuram novos fornecedores, enquanto cerca de 1,7 bilhão de indivíduos sofrem com a pobreza, a miséria e a fome
Diferentemente da maioria das nações ocidentais, lideradas pelos Estados Unidos, os países do Sul adotam uma posição prudente diante do conflito armado entre Moscou e Kiev. A atitude das monarquias do Golfo, aliadas de Washington, é emblemática: elas denunciam tanto a invasão da Ucrânia como as sanções contra a Rússia. Assim se impõe um mundo multipolar em que, a despeito das divergências ideológicas, os interesses dos Estados prevalecem
Preocupada em garantir o fornecimento de petróleo durante a guerra na Ucrânia, a Casa Branca enviou no início de março uma equipe a Caracas, cujas autoridades Washington nem sequer conhecia. Após semearem o caos no país por meio de sanções, os Estados Unidos estimam que talvez a Venezuela tenha mudado suficientemente a ponto de lhes ser novamente útil
Cientes de que os ocidentais não vão intervir diretamente em seu território, os dirigentes ucranianos poderiam renunciar a integrar a Otan para pôr fim aos combates. Agora no centro das negociações, o status de país neutro pode parecer precário, mas permite uma maior autonomia de decisão, ao mesmo tempo que favorece a coexistência pacífica
Paralelamente ao êxodo dos ucranianos, há um movimento considerável e ainda pouco visível dos russos e belarussos saindo de seus países com medo das repressões e da insegurança econômica e política provocada por ações do governo Putin e pelas extensas sanções ocidentais
Ao reconhecer a independência de duas regiões separatistas, o presidente Vladimir Putin comprometeu a integralidade da Ucrânia e acelerou a espiral de sanções contra a Rússia: embargos, restrições financeiras, lista de dirigentes excluídos de reuniões internacionais… Apesar de raramente eficazes, essas medidas são cada vez mais usadas por Washington e União Europeia
Não foi só no Brasil que a colonização da liberdade por extremistas de direita causou a corrosão de valores democráticos e polarizou a sociedade. Também no Canadá a difusão dessas ideias autoritárias alimenta um poderoso movimento reacionário, formado principalmente por caminhoneiros e autodenominado Freedom Convoy