Julho 2022

Edição 180

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FRANÇA

Um presidente constrangido

Edição 180 | França

Nas eleições legislativas de junho, Macron de fato perdeu sua maioria parlamentar, apesar de um sistema de votação que super-representa os candidatos do governo e de uma taxa de participação particularmente baixa (47%), que aumenta o peso relativo de seu eleitorado rico e idoso. Ressentido e surpreso, Macron não sabe o que fazer, nem com quem. Sua estratégia consistia em anestesiar o eleitorado, não se comprometendo com nada específico. Ela falhou, e a realidade de sua impopularidade o alcançou. 


EDITORIAL

Por trás das evidências

Edição 180 | Brasil

Dom e Bruno foram silenciados para que não viessem a público as denúncias dos crimes praticados na região – crimes contra os povos indígenas, contra o meio ambiente, contra todos os brasileiros, crime de lesa-humanidade


EMPOBRECIMENTO BRUTAL DOS BRASILEIROS

Inflação persistente e falta de políticas efetivas para minorar o problema

Edição 180 | Brasil

Em 2022, a tendência é de alta generalizada dos preços: apenas nos cinco primeiros meses do ano, o IPCA acumula taxa de 4,78%. Para vencer essa alta, o governo diz contar com a fé e a resiliência dos brasileiros, como se não tivesse a responsabilidade de realizar políticas para combater o problema, que tem castigado a população, sobretudo as famílias de baixa renda


UM BALANÇO DO PADRÃO DE DESENVOLVIMENTO LIBERAL PERIFÉRICO

No caminho da dependência

Edição 180 | Brasil

O golpe trouxe de volta a hegemonia absoluta do capital financeiro no bloco no poder e o aprofundamento das reformas e políticas neoliberais, com o “tripé macroeconômico” voltando com tudo. Consequência imediata: estagnação econômica e uma nova onda de desemprego, aumento da pobreza e retorno do país ao Mapa da Fome


ENTRE O LULISMO E O NEOFASCISMO

A burguesia brasileira e a ofensiva neoliberal

Edição 180 | Brasil

As privatizações e as reformas neoliberais contra os trabalhadores granjearam o apoio do conjunto do grande capital ao governo Bolsonaro. No entanto, as políticas de abertura econômica e desregulamentação financeira indicam que, como um todo, a política econômica priorizou os interesses do grande capital internacional, em particular o capital financeiro, em detrimento do grande capital nacional


PROPOSTAS DOS MOVIMENTOS POPULARES PARA SUPERAR A CRISE E RECONSTRUIR O BRASIL

Que Brasil queremos reconstruir?

Edição 180 | Brasil

Documento lançado por mais de noventa organizações apresenta propostas formuladas nas lutas concretas para dar respostas imediatas aos problemas mais urgentes do povo, mas sem perder o olhar de futuro de país que queremos construir


VENTOS DE DEPRESSÃO DOIS ANOS DEPOIS DO FIM DO HIRAK

Argélia, sessenta anos da Independência

Edição 180 | Argélia

Em 5 de junho de 1962, a França deixava a Argélia após mais de um século de dominação colonial. As comemorações, contudo, chegam em um clima social morno. A emigração clandestina piora, enquanto o regime, fortalecido financeiramente pelo aumento dos combustíveis, mantém a repressão para impedir o retorno das manifestações populares de 2019


NOS CORREDORES DA MÁQUINA DE PUNIR

FMI, as três letras mais odiadas do mundo

Edição 180 | Mundo

Um véu de mistério envolve o Fundo Monetário Internacional (FMI), cujas regras parecem flutuar em função de motivações políticas: austeridade draconiana para alguns, generosidade sem limite para outros. A reportagem a seguir dá um mergulho no coração dessa instituição-mundo


AVANÇOS, CONCESSÕES E JANTARES DE LÓPEZ OBRADOR

O presidente mexicano é uma marionete controlada pelos empresários?

Edição 180 | México

O México foi a primeira capital latino-americana a anunciar que não participaria da Cúpula das Américas de junho de 2022, já que nem Cuba nem a Nicarágua foram convidadas. Celebrado pela política externa, López Obrador é objeto de críticas em quase todo o resto. Sua relação com o empresariado, sobretudo, alimenta uma ideia de traição


MANIFESTAÇÕES CONTEMPOR NEAS, DA CIDADE DO CABO A MARRAKESH

A efervescente arte africana

Edição 180 | África

Conhecidos no mundo inteiro, as máscaras e os objetos antigos apagam com frequência a arte contemporânea africana. Inspirados pelas tradições e pelas culturas urbanas fervilhantes, os artistas – pintores, cineastas, músicos… – se expressam em qualquer mídia, inclusive nas digitais. As manifestações culturais multiplicam-se pelo continente, e o mercado explode


NAS ÁGUAS CINZAS DOS PALÁCIOS FLUTUANTES

O cruzeiro se diverte, o mar sufoca

Edição 180 | Mundo

Em março de 2022, na 5ª sessão da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unea-5), 175 países lançaram as bases de um acordo para “limitar a poluição plástica” até 2024. O comitê intergovernamental de negociação deve levar em conta especialmente os microplásticos, cuja poluição provém em grande parte dos cruzeiros


UMA FÁBRICA DE ERROS JUDICIAIS

Rússia: reprimir mais, prender menos

Edição 180 | Russia

A população carcerária da Rússia caiu para menos da metade nos últimos vinte anos. Isso mostra que a cobertura da mídia sobre as prisões políticas, multiplicadas por dez desde 2015, oferece uma imagem parcial do que se passa com a justiça criminal do país. Entretanto, mesmo que a duração das penas tenha diminuído, o sistema continua programado para punir


DOIS SÉCULOS DE ESTIGMATIZAÇÃO DOS SUBÚRBIOS POPULARES FRANCESES

Um espelho do “desprezo pelos pobres”

Edição 180 | França

Seine-Saint-Denis é o departamento da França metropolitana onde a esquerda é mais bem votada (a Nova União Popular Ecológica e Social, Nupes, venceu com folga as eleições legislativas na região). Entretanto, essa área também é a que registra o maior número de abstenções, a maior taxa de pobreza, a maior proporção de imigrantes, o maior número de moradias populares…


COMO ESCOAR O TRIGO DA UCR NIA

No front dos cereais

Edição 180 | Ucrânia

Uma corrida contra o relógio para evitar a fome e a inflação de gêneros de primeira necessidade. Sem solução diplomática, os portos ucranianos estão paralisados e, assim, as reservas de grãos vão apodrecer nos silos. Ao retomarem as rotas terrestres e fluviais, as transportadoras tomam consciência da degradação da infraestrutura e dos obstáculos que distanciam o país da União Europeia


“NO TOPO, O PODER CORROMPIDO; NA BASE, A LUTA INTRÉPIDA”

A revolta popular no Sri Lanka

Edição 180 | Sri Lanka

Há semanas os cingaleses se manifestam em massa contra a falta ou os altos preços de alimentos, remédios e combustíveis. As Nações Unidas alertam para riscos de uma catástrofe humanitária. Como o clã Rajapaksa, que governa o país, chegou a isso, dado que gozava de grande popularidade desde o esmagamento da rebelião tâmil em 2009? 


NA FRANÇA, A NOVA UNIÃO POPULAR ECOLÓGICA E SOCIAL

Os bárbaros estão em nossas portas!

Edição 180 | França

Durante um mês, a cobertura midiática da Nupes foi, a um só tempo, maciça e negativa. Entretanto, em vista do bom desempenho da esquerda na noite do primeiro turno da eleição legislativa, as chefias editoriais substituíram seus disparos cotidianos por uma estratégia do tipo “tapete de bombas”


EMPREENDIMENTOS DE DESPOLUIÇÃO

Música e greenwashing

Edição 180 | Mundo

A indústria musical compromete-se a ser verde e virtuosa, o que passa por certa quantidade de inovações, requisitos e subvenções, apoiados por autoridades públicas e grandes transnacionais. Espectadores, artistas, gravadoras e produtores de turnês são empregados para reduzir sua emissão de carbono. Até que ponto?


UMA NOVA LEI EUROPEIA SOBRE OS SERVIÇOS DIGITAIS

Para automatizar a censura, clique aqui

Edição 180 | Europa

Regulamentar a selva digital: é a essa tarefa hercúlea que a Comissão Europeia diz se dedicar. Submetida neste meio de ano ao sufrágio dos eurodeputados, a regulamentação dos serviços digitais impõe novas obrigações às grandes plataformas, entre as quais a retirada rápida de conteúdos ilícitos. Mas isso não significa uma terceirização da censura para atores privados?


ENTREVISTA – EMBAIXADORA THEREZA QUINTELLA

Balança geopolítica mundial deve pender para o lado asiático

Edição 180 | EUA

Em entrevista, a embaixadora Thereza Quintella, chefe da representação brasileira em Moscou, onde viveu de 1995 a 2001, analisa o conflito em curso na Ucrânia


RESENHAS

Miscelânea

Edição 180 | Brasil