Alívio e não deflação nos preços dos alimentos – para não comer cru ou fervendo
A inflação de alimentos reforçou o aumento nos níveis de insegurança alimentar, contribuindo para a diminuição da quantidade e da qualidade adquirida de comida

A inflação de alimentos reforçou o aumento nos níveis de insegurança alimentar, contribuindo para a diminuição da quantidade e da qualidade adquirida de comida
É inimaginável o futuro do país sem o agronegócio. Mas é evidente que a imagem de futuro do Brasil não pode ser reduzida à envelhecida metáfora de celeiro do mundo. É hora de fazer o que gerações anteriores fizeram em diferentes momentos do século XX: pactuar uma nova agenda, pensando não a curto prazo, mas nas próximas décadas
No Brasil das últimas décadas, erigimos um altar profano para o agro, no qual são imolados a natureza e os trabalhadores em nome de uma religião abstrata do dinheiro, insensível ao sofrimento e à destruição, mesmo diante da morte e devastação em escalas industriais
Das crianças brasileiras com menos de 5 anos, 40% das brancas e 58,3% das negras apresentam algum grau de insegurança alimentar. Houve um crescimento de 54,5% no número de crianças muito abaixo do peso. A Fundação Oswaldo Cruz registrou que, durante 2021, diariamente davam entrada no SUS oito bebês com menos de 1 ano com quadro de desnutrição aguda
Os dados são alarmantes e deveriam partir nossos corações – 125,2 milhões de brasileiros estão em situação de insegurança alimentar (correspondendo a 58,7% da população), destes, 33,1 milhões estão em estado de fome (15,5% da população brasileira)
Exatamente quatro anos após nosso protesto contra a extinção do Conselho, no dia 27 de fevereiro, voltaremos às ruas para fazer um novo conjunto de Banquetaços em municípios de todo o país
No ambiente escolar, o aluno forma hábitos que o acompanharão por toda a sua vida. Por isso, ele precisa estar protegido dos interesses comerciais da indústria de alimentos ultraprocessados.
A solidariedade ativa e popular tem como ponto de partida a autonomia do povo de decidir sobre as suas vidas e lutar pelos seus direitos, tem início na relação dialógica entre os atores sociais a fim de tornar as realidades e condições de vida mais condizentes com as necessidades pós-pandêmicas de brasileiras e brasileiros que sustentam esse país.
Promove-se a carestia, facilita-se acesso a alimentos de baixa qualidade e recheados com agrotóxicos. Soma-se a isso toda a dependência da tecnologia e seu individualismo e teremos uma população sedentária, alienada, ignorante, incapaz de pensar além de suas telas e dependentes de medicações
Passados mais de três anos, o cenário consegue superar qualquer previsão. Se indícios demonstravam o desastre que estava por vir, o presente escancara a fome e as demais manifestações de insegurança alimentar em patamares jamais vistos no país
Confira resenha do Atlas das situações alimentares no Brasil: a disponibilidade domiciliar de alimentos e a fome no Brasil contemporâneo, de José Raimundo Sousa Ribeiro Junior, Mateus de Almeida Prado Sampaio, Daniel Henrique Bandoni e Luiza Lima Silva de Carli (Editora Universidade São Francisco, 2021)
São muitas as causas que adoecem nossa população. Uma das principais tem a ver com um modelo agroalimentar baseado na concentração de terras e de capital e na expulsão do campo dos agricultores familiares, justamente aqueles que garantem nosso feijão com arroz e nossas frutas e verduras.