Por um urbanismo de canteiro: projeto, pesquisa e políticas públicas
É mister reconhecer o papel social da pesquisa para que a população entenda que o urbanismo é pertinente à comunidade

É mister reconhecer o papel social da pesquisa para que a população entenda que o urbanismo é pertinente à comunidade
Para recuperar o espaço público, a dimensão social do planejamento deve ser recuperada para estar ao lado daqueles cidadãos que, mais do que no passado, se organizam para defender ou obter um parque, um serviço, um espaço de uso coletivo, a fim de preservar, ao longo do tempo, os espaços públicos considerados bens comuns e que protegem a qualidade de vida das gerações futuras
Tempestades, ciclones e outros eventos meteorológicos extremos têm causado enormes prejuízos às vidas e à economia urbana. São muitas as consequências, e não se pode mais dizer, como anos atrás, que as mudanças climáticas são uma ameaça silenciosa. São, ao contrário, uma ruidosa realidade do tempo presente
Henri Lefebvre, um dos mais importantes pensadores da problemática urbana contemporânea, chegou à conclusão de que o encontro, a concentração e a centralidade constituiriam elementos inseparáveis dessa forma de sociabilidade edificada durante o século XX.
Quanto à vida nas cidades, que abrigam mais de 85% dos brasileiros, ela vem melhorando ano após ano. O direito à cidade, direito de acessar bens e serviços públicos e usufruir deles, se amplia em razão da participação das cidadãs e cidadãos nas decisões sobre as políticas públicas.
Pode não ser evidente, mas existe uma conexão direta entre políticas urbanas e habitacionais – responsáveis pela efetivação do direito à cidade e à moradia – e o enfrentamento da questão da segurança pública.
A representação mítica de um passado equilibrado entre o rio e a cidade oculta outras formas de utilização do Tietê, assim como todas as revoltas de lavadeiras, barqueiros, tiradores de areia, sitiantes, entre tantos outros que se colocaram contrárias à interdição de formas de uso produtivo e recreativo até então praticáveis. Contudo, são essas vozes, ainda presentes, que permitem reconhecer o poder de consenso da natureza para a produção de cidades fragmentadas, hierarquizadas e homogêneas
A crescente criminalidade violenta não foi capaz de impedir a consolidação democrática e a legitimação do imaginário de cidadania e direitos que lhe é inerente. Dessa forma, violência e democracia expandiram-se de maneira interligada, complexa e paradoxalPablo Lira
Em entrevista exclusiva, o geógrafo David Harvey comenta o impacto que a crise global terá nas cidades e aponta soluções voltadas para o bem-estar comum. “Este é um momento em que podemos realmente parar e dizer: ‘devemos remodelar a cidade de forma diferente, para o conjunto da população’”
É preciso acreditar que uma outra vida nas cidades é possível. A dura e insensível cidade de pedra é uma construção ideológica. Ela não existe. O que existe é uma sociedade em movimento que produz, com todas as suas contradições, as cidades e a vida que vivemos.
Para a imensa maioria dos novos governantes que serão eleitos, podemos dizer que este é um mundo quase desconhecido. Não só poucos conhecem tais avanços nas políticas públicas, mas um número ainda menor sabe como implementar estas iniciativas.