A prova de fogo da ética no Kosovo
Comportando-se como a polícia dos Bálcãs, a Otan falava em “libertar” o Kosovo com uma “guerra de valores”. Mas não sem manipulação e mentira, aproveitando a docilidade dos enviados especiais da mídia ocidental…

Comportando-se como a polícia dos Bálcãs, a Otan falava em “libertar” o Kosovo com uma “guerra de valores”. Mas não sem manipulação e mentira, aproveitando a docilidade dos enviados especiais da mídia ocidental…
O “genocídio” dos albaneses no Kosovo, que se fingiu tentar impedir a qualquer custo, seria um genocídio de fato ou a tentativa dos Estados Unidos, via Otan, de impor sua dominação sobre os Bálcãs? Daí a recusa obstinada dos aliados de qualquer solução diplomática
A moeda comum europeia surgiu em meio a um grande entusiasmo. Nas mídias, ninguém duvidava de que o euro “nos” permitiria “ter peso” na cena internacional, concorrer com o dólar. Agora o tom mudou, e a oportunidade do abandono do euro já foi discutida, pois a crise coloca as contradições essenciais da união monetáriaAntoine Schwartz
Os bancos privados continuam a dispor com facilidade de todos os créditos reinvindicados e emprestam aos Estados endividados em atos caridososSerge Halimi
Quando uma ditadura entra em colapso, é difícil entender como ela conseguia se manter. Na Líbia, no Egito ou na Tunísia, a resposta se encontra, em termos, na fiscalização sistemática das comunicações. Esse trabalho é feito graças a produtos de transnacionais que encontram nesses países um lugar p/ testar suas técnicasAntoine Champagne
Vinculados às suas antigas alianças, os social-democratas europeus, com notável exceção dos portugueses, não entendem nada dessa nova América Latina, que ousa evocar o “socialismo do século XXI”, busca uma democracia “participativa”, engana-se às vezes, avança, recua, mas que, em matéria social, obtém avanços notáveisMaurice Lemoine
Os recordes de popularidade atribuídos pelos institutos de pesquisa ao novo governo italiano, dirigido pelo ex-comissário europeu Mario Monti, indicam grandes probabilidades de adoção de um severo plano de austeridade. Silvio Berlusconi teve de ceder, mas deixou uma marca profunda na sociedade italianaIgnacio Ramonet
O que acontece quando o último refúgio é abalado pela tempestade? No dia 23.11, investidores fugiram do leilão da dívida alemã, sinal de uma desconfiança inédita. Presos em sua própria armadilha, os mercados, que exigiam rigor, agora temem a depressão. Em resposta, multiplicam-se “cúpulas”, cada vez mais, inúteisFrédéric Lordon
No momento em que a crise dos subprimes sacudia os EUA, entrava em vigor uma norma europeia para desregulamentar o mercado financeiro em nome da concorrência. Graças a ela, os bancos desenvolvem “plataformas opacas” nas quais as ações trocam de mãos a toda velocidade e sem qualquer tipo de controle
É raro pedir a motoristas pé de chumbo que reformem o código de trânsito. A débâcle da bolsa em 2008, porém, conduziu os gigantes das finanças para o posto de administradores de uma crise que eles mesmos provocaram. É o caso do banco Goldman Sachs, que há muito murmura nas orelhas do poder
A “febre da construção” alimentada pelo setor bancário espanhol deixa rastros de cidades fantasmas, florestas de gruas inativas, centenas de milhares de desempregados. Entretanto, ela é responsável também pela geração de altíssimos lucros