O patriotismo na Ucrânia
As primeiras medidas destinadas à disseminação do patriotismo na Ucrânia aconteceram na década de 1990 e incidiram na área da educação, especificamente no ensino médio

As primeiras medidas destinadas à disseminação do patriotismo na Ucrânia aconteceram na década de 1990 e incidiram na área da educação, especificamente no ensino médio
Conforme argumentado no artigo anterior, o programa REpowerEU deve ser compreendido como parte de uma geopolítica do infrapoder energético mundial. Agora devemos compreender como ele se coloca em tal geopolítica e as especificidades da geopolítica russa.
Nosso objetivo, aqui, não é discutir as causas da guerra, nem fazer prognósticos sobre os destinos da mesma, nem mesmo tentar desvendar as estratégias militares em curso dos diferentes blocos (Otan-UE x Rússia e aliados). Mas, todavia, tentar sugerir como a presente guerra faz parte de uma guerra mundial inerente à ordem internacional do século XXI.
Se existe um processo de desglobalização em curso, a atuação dos países centrais desenvolvidos nesse movimento cumpriu papel essencial, seja buscando restringir e isolar polos emergentes, seja revertendo de maneira geral princípios antes defendidos, como a livre circulação de capitais e pessoas e o papel das instituições na governança global
A brutal diminuição das exportações ucranianas de cereais e as sanções impostas a Moscou provocam uma alta de preços dos alimentos nos mercados. Os países importadores procuram novos fornecedores, enquanto cerca de 1,7 bilhão de indivíduos sofrem com a pobreza, a miséria e a fome
Refugiados, alimentação, cuidados médicos… Todas as agências das Nações Unidas foram ativadas diante da guerra na Ucrânia. Entretanto, a instituição falha em sua missão primordial de garantir a paz e a segurança. O secretário-geral António Guterres levou 54 dias para lançar uma iniciativa diplomática. Depois do fiasco na Síria, a ONU vai falhar ainda mais profundamente?
Diferentemente da maioria das nações ocidentais, lideradas pelos Estados Unidos, os países do Sul adotam uma posição prudente diante do conflito armado entre Moscou e Kiev. A atitude das monarquias do Golfo, aliadas de Washington, é emblemática: elas denunciam tanto a invasão da Ucrânia como as sanções contra a Rússia. Assim se impõe um mundo multipolar em que, a despeito das divergências ideológicas, os interesses dos Estados prevalecem
Todas as tentativas de atribuir justiça aos atos de guerra fracassaram na história das relações internacionais
O conflito na Ucrânia acelera uma degradação iniciada na primavera de 2021, por ocasião dos protestos favoráveis ao opositor Alexei Navalny. Com a guerra contra Kiev, a pressão transformou-se em ameaça. Segundo a mídia online Agence, 150 jornalistas teriam deixado o país apenas dez dias após deflagrada a guerra
Cientes de que os ocidentais não vão intervir diretamente em seu território, os dirigentes ucranianos poderiam renunciar a integrar a Otan para pôr fim aos combates. Agora no centro das negociações, o status de país neutro pode parecer precário, mas permite uma maior autonomia de decisão, ao mesmo tempo que favorece a coexistência pacífica
Após um tempo paralisada pelo que chamou, assim como a Rússia, de “operação militar especial” na Ucrânia, a China ressurgiu. Até para agradar a seu “amigo Putin”, o presidente Xi Jinping não pretende abrir mão de sua ambição de modificar a “arquitetura de segurança e governança” do planeta
Já esgotados pela pressão do cronômetro e da audiência, os procedimentos de seleção e de verificação afrouxaram. Imagens e testemunhos próprios para provocar emoção (refugiados, crianças chorando) formam o grosso de uma produção jornalística à qual os envolvidos são chamados a “reagir”