A continuidade anti-capitalista entre Francisco e Leão XIV
Em vez da ruptura, Leão XIV propõe a continuidade anti-capitalista – uma fidelidade que se expressa não em slogans, mas em coerência espiritual e ética

Em vez da ruptura, Leão XIV propõe a continuidade anti-capitalista – uma fidelidade que se expressa não em slogans, mas em coerência espiritual e ética
Mussolini procurou fazer o possível para identificar o Estado com a Igreja Católica, no intuito de crescer sua popularidade e encontrar apoio e legitimidade por parte da religião. Foram anos de negociações, que esquentavam e esfriavam – principalmente pelos casos de violência contra a Ação Católica praticados por grupos fascistas
A dissonância entre o arcabouço religioso cristão e o pensamento filosófico de matriz greco-romana no mundo ocidental
Na primeira missa realizada hoje, novo papa evita tom político, prioriza espiritualidade e sinaliza unidade como eixo de seu pontificado. Apesar de se inspirar e valorizar o papado de seu antecessor Francisco, suas diferenças são nítidas. Francisco: o político. Leão XIV: o religioso
Com a nova eleição em curso, as alas mais conservadoras e tradicionalistas visam sobretudo travar o jogo dos chamados “progressistas”, “reformistas” ou talvez até “bergoglianos”
Agora, com o trono de Pedro vago (sede vacante), a grande dúvida que se coloca para católicos e analistas do vaticano é a seguinte: o legado de Francisco corre o risco de ser abandonado ou poderá haver continuidade?
Francisco procurou ser o menos formal possível, começando por sua residência após a eleição: escolheu residir na casa de hóspedes Santa Marta, em vez de morar no Palácio Apostólico, tradicionalmente a residência dos papas. O que estava nas entrelinhas da decisão? Desconfiança de quem o rodearia?!
O próximo papa olhará para onde e a partir de onde? Quais reformas irá propor e quais não fará?
Em meio às ascensões de líderes políticos globais com posturas reacionárias e, internamente, tendências tradicionalistas no meio eclesial, como debater sobre um possível sucessor de Francisco? Quais seriam os nomes mais cotados atualmente para ser o novo Sumo Pontífice?
Como em outras situações cotidianas de polarização política, a campanha tornou-se palco de um verdadeiro campo de batalha
Desde 31 de dezembro de 2017, as manifestações de militantes católicos se multiplicam na República Democrática do Congo. Elas reclamam eleições diretas antes do fim de 2018. O poder responde violentamente: diversas dezenas de mortos (difícil de calcular com precisão), prisões arbitrárias às dezenas e locais de culto profanados
Nos comentários sobre a “demissão” do papa Bento XVI, um tom é dominante: ao deixar o trono com “coragem e bravura”, o soberano pontífice se conforma aos critérios da modernidade. No entanto, na América Latina, a lembrança que deixou o ex-cardeal Joseph Ratzinger continuará associada a um momento bem mais antigoMaurice Lemoine