A chegada ao poder de um indivíduo com o perfil público de Jair Messias Bolsonaro ao posto mais alto da política brasileira, certamente não seria um evento comum. Membro do parlamento brasileiro por quase trinta anos, Bolsonaro sobreviveu nas entranhas da Câmara legislativa construindo uma trajetória que flertou permanentemente com as franjas do poder. Parlamentar do chamado baixo clero, grupo de indivíduos com pouca ou nenhuma visibilidade na dinâmica da Casa legislativa, Bolsonaro foi se constituindo em uma espécie de outsider.
Incorporando um perfil ideológico conservador e reacionário, defensor de causas que pouco dialogava com a civilidade da vida pública, foi com esse know how que Jair Messias Bolsonaro resolveu investir em voos mais altos e buscar uma ousada candidatura a presidente da República. Diante de uma conjuntura de extremo desprestígio da política e dos próprios políticos, Bolsonaro apresentou-se como representante de uma suposta “nova política” e se posicionou como a solução mais realista para os problemas brasileiros. Uma parcela da população reconheceu no político de extrema direita o Messias que nos salvaria do Armagedon da “velha política”.
Uma vez vencedor Bolsonaro não nos surpreendeu. Não cometeu o que tradicionalmente se chama de estelionato eleitoral. Ao acompanhar os sujeitos e as ações que compuseram o governo Bolsonaro em seu primeiro ano de governo esse livro registra, para a posteridade, imagens pitorescas e degradantes de um momento sui genere da história política do Brasil. O país se viu refém das influências de um improvável guru até o comportamento abjeto de uma “filhocracia” sem noção. Os capítulos que compõem o livro relembram a todos os brasileiros o quanto a destruição da política e dos valores democráticos podem colocar em risco as mais básicas conquistas civilizatórias. No primeiro ano em que esteve à frende do governo brasileiro, Jair Bolsonaro e sua turma, zombaram de todos nós, tripudiaram sobre valores mais caros à existência humana e transformaram o país e seu sistema democrático em um grande e patético picadeiro.
Confira um capítulo do livro inédito “Bolsonaro ano I: a democracia no picadeiro”