A opinião pública como aliada
Nem toda crítica ao Supremo é ataque e que muito antes do bolsonarismo mirar no Tribunal, a insatisfação já aparecia

Nem toda crítica ao Supremo é ataque e que muito antes do bolsonarismo mirar no Tribunal, a insatisfação já aparecia
O Brasil escancarou de tal forma seu sistema político e jurídico, que é justo nesse entremeio que estamos. Para os temas tratados nessa coluna, uma questão torna-se ainda mais intrigante: como ficará a imagem do Sistema de Justiça depois de todo o expurgo dos últimos anos?
A depender do resultado das eleições o “surrealismo fantástico” brasileiro ganha freio e o impacto dessa disputa sobre uma ideia de Justiça também
Em 2021, o STF anulou as ações da Lava Jato que incriminavam o ex-presidente Lula, devolvendo-o à disputa presidencial. Na outra margem, seu antagonista, o ex-juiz Sérgio Moro entrou na disputa política. É o avesso do que aconteceu em 2018 e em 2016 e, nesse revés, a Justiça brasileira vê seu movimento bater nas pedras e arrebentar sobre si mesma. Com isso, a cúpula do Judiciário tenta conter os danos e tem o desafio de não cometer os mesmos erros nas eleições de 2022. Isso não significa facilitar a vida do PT, mas ter consciência de que um governo autoritário se volta contra a própria Justiça
Faltando uma semana para Sergio Moro se filiar ao Podemos, as hashtags #moropresidente2022 tinha um número significativo de menções, seguido das #brasilquermoro e #moro22. Já para Deltan Dallagnol, o cenário não parece estar tão bom. É, inclusive, o #tácaroculpadebolsonaro que ganha na série de hashtags associadas ao procurador da Lava Jato
Indígenas e caminhoneiros “bateram à porta” do Supremo Tribunal Federal nos últimos dias. Um grupo contra a demarcação temporal de suas terras. O outro pedia o fechamento do próprio Tribunal. Na armadilha da sentença, vale a provocação de perguntar: o Supremo deve escutar a voz das ruas? Resposta: um momento é diferente de um tempo. A Justiça se move em um movimento largo de proteção dos valores de uma época. Nessa pauta, 1988 é agora
Entre tanques que viraram motivo de memes e uma votação que, embora tenha rejeitado o voto impresso, mostrou significativo apoio legislativo (229 votos a favor), o Brasil caminha para 2022 expondo as entranhas de uma democracia combalida
Decisão do TSE em abrir inquérito contra Bolsonaro e sua inclusão no inquérito das fake news que tramita no Supremo dá munição ao Judiciário em uma lógica da “paz armada” que deve dar o tom da relação entre os dois Poderes. A pergunta é: explodirá antes das eleições de 2022?
A pauta da corrupção volta à tona e revela as contradições entre a lógica do Power Point (ele sabia) e à conjunção de fatores que podem levar ao impeachment.
Militares, magistrados e a opinião pública. Quais os efeitos no jogo político da participação de instituições que não tem o veto e nem a adesão do voto?
A velha política ganhou um novo palco, bateu na mesa e gritou: “truco”! Mas, diante dos holofotes, suspeito que não adianta só o barulho, algo que garanta “intimidade” é que fará diferença no discurso