Diplô Online
Alice Puterman expõe as experiências de violência sexual e saúde mental que atravessam a criação de seu livro de estreia
Em Candura, publicado pela Toma Aí Um Poema, a autora, de 23 anos, revisita seis anos de escrita para construir uma obra visceral sobre estupro, trauma psíquico e reconstrução do corpo como território de resistência
O intelectual orgânico do futebol brasileiro
Sócrates via na política um imenso estádio onde os políticos eram os jogadores, mas que em momento algum se importavam com o time (sociedade). Essa correlação entre sua vida nos gramados e sua ideologia política em nenhum momento sofreu embate, ao contrário, foi necessário para alçá-lo como um intelectual orgânico no futebol.
Avanços e desafios nas eleições de 2026
Os povos indígenas do Brasil constituem, certamente, uma das parcelas mais (ainda) perseguidas e violentadas em seus direitos fundamentais desde o início da história do Brasil
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Improvisação, o último refúgio da sanidade para uma sociedade mais igualitária
Ser mulher e improvisadora é, portanto, retomar o direito ao essencial: a liberdade de ser, de errar e de reconstruir o mundo a cada cena, a cada encontro, sem o peso de um roteiro que não foi escrito por nós
Só agora as trabalhadoras domésticas aparecem como protagonistas
Apesar de estarem dentro da casa de boa parte dos brasileiros desde o final do século XIX, o mais comum é que as trabalhadoras domésticas não apareçam na história literária brasileira
O trabalho docente alienado na sociedade do espetáculo
Para o capitalismo é fundamental que o trabalhador não se reconheça na sua própria criação. No caso do professor, isso se reflete da seguinte maneira: o conhecimento que adquiriu com montanhas de livros, congressos, dissertações e teses não deve estar no produto final. O capitalismo não quer um cidadão crítico
O esvaziamento do multilateralismo e a reconfiguração da ordem internacional
O problema, portanto, não é apenas o enfraquecimento do multilateralismo, mas o que está ocupando o seu lugar
O que está em jogo quando asfaltamos o passado?
Reconhecer ruas de paralelepípedo como parte do patrimônio urbano significa admitir que o chão também conta histórias, e que essas histórias são dignas de resguardo institucional
Da urgência de uma pedagogia antissexista e anticapitalista
Este ensaio analisa as insuficiências da educação convencional para combater a violência de gênero e propõe os fundamentos de uma pedagogia emancipatória, antissexista e anticapitalista. A partir de um diálogo interdisciplinar entre História, Sociologia, Pedagogia Crítica e Estudos de Gênero, sustenta que a violência contra as mulheres é de natureza estrutural, conformada por classe, raça e sexualidade. A educação é reivindicada, assim, como prática transformadora, enraizada no feminismo socialista. Uma pedagogia interseccional e crítica é imprescindível para desarticular as estruturas geradoras da violência
A internação forçada como instrumento imobiliário
A proliferação de políticas de internação compulsória revela um projeto higienista de exclusão social que viola a Constituição, tratados internacionais e décadas de conquistas da Reforma Psiquiátrica
A perversidade, os limites e o que a morte de Orelha revela
O que torna o caso do cachorro Orelha especialmente perturbador é o modo como a perversidade se manifesta sem qualquer elaboração simbólica
Big Tech, poder militar e o novo complexo industrial-digital
A crescente aproximação entre grandes empresas de tecnologia e estruturas militares revela uma reconfiguração do poder contemporâneo, marcada pela centralidade dos dados, da inteligência artificial e das infraestruturas digitais
Cultura, branquitude, espetáculo e disputa por influência na América Latina
Populações latino-americanas passam a ser simultaneamente tratadas como mercado consumidor e como ameaça interna, enquanto a valorização cultural convive com xenofobia, deportações e criminalização de migrantes, independentemente do governo dos Estados Unidos
Democracia em risco
O antissemitismo revela uma capacidade singular de atravessar campos políticos distintos e de se adaptar a diferentes linguagens ideológicas. Ele se mantém como estrutura explicativa em cenários marcados pela deterioração do espaço público, pela perda de confiança nas instituições e pela crise da imaginação democrática
As eleições de 2026 e os possíveis impactos para a docência no Brasil
A intensificação das disputas políticas e culturais no Brasil, sobretudo a partir da década de 2010, tem produzido impactos diretos sobre o ambiente escolar e o exercício da docência. Em meio ao avanço de agendas conservadoras, à disseminação de discursos de ódio e ao fortalecimento de mecanismos institucionais de controle, professores e professoras passaram a enfrentar um cenário crescente de censura, perseguição e violência simbólica
Ilaina Damasceno revela a força política e ancestral da festa que transforma o litoral cearense em território de resistência
O livro analisa a Festa de Iemanjá em Fortaleza como uma manifestação que ultrapassa o campo religioso, revelando-se como ato político, performático e estético de resistência afro-brasileira
Não se trata apenas da morte de um cachorro
A indignação diante da morte hedionda do cachorro Orelha recoloca em ação diversos valores cívicos e coletivos que hoje fazem falta à nossa vida pública: união, engajamento, participação e sensibilidade
Sinais de uma transição geopolítica silenciosa
A ordem econômica e geopolítica global passa por uma transição silenciosa, marcada pelo deslocamento das prioridades da globalização financeira para a centralidade de recursos estratégicos, soberania produtiva e capacidade estatal
Por que a ciência prova que o modelo de transporte de SP falhou (e como o SUM 5.0 é a solução)?
A crise do transporte coletivo no Brasil decorre de um modelo rodoviarista que, em São Paulo, submete estudantes a uma lógica de mercado voltada ao menor custo operacional
O que a crise boliviana pode ensinar à esquerda latino-americana?
Os sinais otimistas dos anos 2000 deram lugar a uma crise generalizada no país, em um fenômeno que reflete e é refletido pela queda de Evo Morales e do MAS
A universidade brasileira e a América Latina num cenário de grandes transformações
Apesar de ainda termos pela frente a gigantesca tarefa de ampliar, entre nós, brasileiras e brasileiros, o conhecimento sobre a América Latina e de contribuir para a construção de uma identidade latino-americana, a região tem sido, há muito tempo, objeto de reflexão e pesquisa na universidade pública brasileira
O colágeno do futuro não passa pelo abate
A expansão do comércio entre Mercosul e União Europeia pode gerar novas oportunidades econômicas, mas também exige atenção aos impactos sociais e ambientais. Nesse contexto, o uso de tecnologias sustentáveis surge como alternativa para agregar valor às exportações, reduzir danos ambientais e promover desenvolvimento econômico aliado ao bem-estar social
Os intelectuais brasileiros críticos da ‘decolonialidade’ estão desesperados: já não conseguem consenso em torno das teorias às quais dedicaram a vida
A decolonialidade, por ser o conceito que melhor permite enfrentar as críticas contemporâneas, evidencia que o colonialismo não se encerra com a descolonização formal, mas se prolonga como colonialidade nas formas de conhecimento, subjetividade e organização social
Prestígio literário, paz imaginada e os usos políticos do Nobel no século XX e XXI
Premiações internacionais costumam ser apresentadas como reconhecimentos neutros de mérito, mas, na prática, operam dentro de complexas relações de poder. Ao articular cultura, política e geopolítica, este texto examina como o prestígio simbólico pode ser convertido em recurso estratégico em disputas nacionais e internacionais, evidenciando as tensões entre autonomia intelectual, legitimidade política e soberania em contextos de conflito
O lugar das mulheres negras no BBB e na sociedade
O que o programa nos mostra, ano após ano, não é apenas quem “errou”, mas quem a sociedade escolhe punir com mais intensidade. E essa escolha não é aleatória
‘O Último Azul’: o envelhecimento como fato social
O enredo enquadra um Brasil distópico que possui uma política de exílio etário obrigatório contra a população idosa, sendo forçosamente transferidos para colônias habitacionais em que podem “aproveitar” o restante de suas vidas
O clã Bolsonaro e a economia da atenção: quando a punição vira espetáculo
O “clã Bolsonaro” compreendeu que, uma vez perdido o poder institucional, resta disputar o tempo mental da sociedade

