Diplô Online
Opacidade dos trapos e da morte em ‘O Agente Secreto’
O Agente Secreto evidencia, assim, a divisão social do olhar. Quem é desaparecido e quem é visto morrendo; quem vira estatística e quem vira cena; quem é reduzido a rumor e quem ganha imagem nítida aberta em carne. É nesse contraste entre o que se dá a ouvir e o que se dá a ver que o filme finca seu gesto político mais incisivo
Sede abundante
A chamada “falência da água” é uma crise de alcance global: diversas regiões do planeta enfrentam a convergência entre limites naturais e escolhas humanas mal calibradas
A ofensiva legislativa contra a proteção das infâncias
A educação domiciliar, ao restringir o convívio social, representa um retrocesso significativo na inclusão educacional
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A frieza do cotidiano e a morte da empatia
A incapacidade de reconhecer no outro um ser em sofrimento
Repensar o futuro a partir do Sul Global
O futuro da universidade depende de um duplo movimento: por um lado, reinventar-se diante das pressões financeiras e tecnológicas; por outro, reconhecer que os países em desenvolvimento não possuem apenas carências, mas também potencialidades específicas para propor novos modelos universitários mais inclusivos, descolonizados e socialmente enraizados sem perder de vista a liberdade de crítica e a autonomia do pensamento
Ameaça ao jornalismo e amplificação da desigualdade informacional
No Brasil, em um país historicamente marcado por desigualdades raciais e territoriais, o “Google Zero” amplifica um problema antigo: a exclusão de vozes diversas da esfera pública
A algoritmização da morte e o paradigma da “guerra” permanente
Um reflexo moral da política contemporânea ocidental
Imigrantes e refugiados negros na cidade de São Paulo
“Pra mim, refugiado é uma categoria da ONU e tá incompleta… Aqui no Brasil, a gente tem refugiado branco e refugiado negro. Todo mundo prefere refugiado sírio. A Síria tá em guerra há seis anos, o Congo tá em guerra há vinte! (…) O sírio, ele vai ser comerciante, dono de restaurante… o africano e o haitiano vão ser garçom, pedreiro… essas coisas, e se conseguir trabalhar. Na ocupação, você não encontra sírio, mas encontra haitiano, congolês, nigeriano. Quem vai morar na rua é africano, haitiano… então, tem refúgio branco e refúgio negro no Brasil. Pro negro é diferente. É por isso que ninguém sabe o que tá acontecendo no Congo.” ( Registro de campo de pesquisa etnográfica)
Dualidade brasileira: da Faria Lima ao Sertão
É bem verdade que a inflação está em patamares historicamente baixos. Todavia, é importante questionar até que ponto ela não está controlada, pois vivemos uma das maiores crises no Brasil, caracterizada pela precarização no mercado de trabalho, poder de compra baixo e desemprego alto. Estes fatores certamente contribuem para a inflação estar “controlada”.
O transporte público é direito, não mercadoria
Não é possível tratar deste tema sem assegurar mobilidade, moradia, infraestrutura urbana, serviços públicos, meio ambiente, participação democrática. O “Direito à Cidade” não é apenas a soma destes direitos, mas a relação entre eles.
Conflito político, presidencialismo e sociedade civil no governo Bolsonaro
O argumento central diz respeito a uma proposta de análise de conjuntura da política brasileira: Bolsonaro e os seus filhos mantêm um projeto político de caráter societário assombroso, buscando deslegitimar e perseguir a sociedade civil, cujo conflito político está instaurado a partir do gabinete que abriga a presidência da república, esgarçando a vocação do cargo para a moderação e o equilíbrio institucional entre os poderes e a governabilidade.
Cultura não é turismo
Defesa do patrimônio não significa abertura ao turismo ou incentivo à visitação. Tomemos como exemplo a Cachoeira Sagrada de Iauaretê, reconhecida patrimônio imaterial e inscrita no Livro de Registro de Lugares em 2006. O local é considerado sagrado aos povos indígenas dos rios Uaupés e Papuri, no Amazonas.
Bolsonarismo sem confiança do investidor estrangeiro
A ausência de estrangeiros no leilão da cessão onerosa e seus resultados constrangedores é o sinal mais visível da desconfiança: não fosse a Petrobrás, o vexame de Paulo Guedes seria ainda maior. O dilema é simples: as bravatas que empolgam os acólitos do bolsonarismo e as milícias digitais não enchem o bolso do Mercado.
Nós podemos reduzir a violência pela metade até 2030
A violência sempre foi um dos maiores desafios globais. Isso porque, durante a maior parte da história humana, éramos assassinos naturais. Centenas de milhões de homens, mulheres e crianças foram mortos ou mutilados por conflitos armados, crimes, extremismo e violência sexual.
O que está por trás do leilão dos excedentes da cessão onerosa
Gestão da política petrolífera brasileira parece obedecer às diretrizes dos países importadores em vez dos produtores de petróleo
Noturno do Chile
A obra do chileno Roberto Bolaño (1953-2003) é marcada pela presença de personagens que aparentam ser conduzidos sobre um país que vive o ponto de passagem compartilhado entre realidade e pesadelo, historicamente situados no período de busca pelos significados deixados entre as ruínas humanas causadas pela ditadura de Augusto Pinochet.
Em meio ao fake history e fake news, é tudo verdade
O governo tem proposto, como prioridade, acabar com o dinheiro fácil para os partidos políticos, habitados por pessoas absolutamente honestas e preocupadas com o bem público. Tenho certeza, se os governados, na nossa democracia real, soubessem como interferir nos fundos partidários e eleitorais resolveriam aumentá-los para que os nossos coitados políticos tivessem mais verbas.
Apenas reagir ou inventar o Brasil que nós queremos?
Existem milhões de pessoas que votaram branco, nulo ou nem votaram. Juntas são mais de quarenta milhões. Sem contar jovens que ainda não votam. São pessoas que não estão envenenadas com o bolsonarismo mas não acreditam em nenhuma outra alternativa. É com elas que podemos criar uma cidadania que inclua a toda nossa gente.
Coringa e o semblante da margem
Coringa é produto de um tempo de brutalização capaz de reforçar a indiscernibilidade entre ordem e anomia característica do estado de exceção, encapsulamento contemporâneo do bio-necro-poder burguês e condição da política neoliberal 3.0
O judiciário pune duplamente presas que são mães
O Marco Legal, que visa proteger a maternidade de mulheres mães em conflito com a lei, é deturpado na medida em que justamente o fato de a mulher ser mãe é mobilizado – por meio de julgamentos morais do judiciário – para reforçar sua punição.
A única ameaça a Bolsonaro está na política institucional
Em crise econômica e mais desigual do que antes, as ruas do Brasil seguem silenciosas, enquanto as mesmas demandas fazem os países da região entrarem em ebulição.
Angela Davis, a filósofa na cidade
Davis é uma filósofa bem particular. Quem teve a oportunidade de vê-la palestrando e dialogando com as pessoas na sua breve passagem pela cidade deparou-se com alguém que insiste em livrar-se do manto sagrado que envolve a figura clássica do filósofo. Resistindo gentilmente ao protagonismo que lhe queriam imputar, ela pedia às pessoas que se descolonizassem e lessem Lélia Gonzales, “que tem mais a ensinar a vocês do que eu”.
Future-se: A educação pública na mira no setor privado
O projeto é inconstitucional e fere um princípio fundamental para o livre pensamento crítico e independente das instituições federais de educação. Ao propor, como um dos eixos principais do projeto a “Autonomia Financeira” das universidades federais, o texto está em aberto confronto com o acordado na Constituição Federal de 1988 (Art. 1, Capítulo V, Arts. 22, 23 Seção IV), que dispôs sobre a autonomia de gestão financeira, e não autonomia financeira.
Estado mínimo ou Estado incompetente?
O modelo de Estado mínimo apresentado pelo governo se mostra imperfeito por priorizar uma política de aniquilação da esquerda e dos projetos de cidadania que vinham sendo encampados por ela, de forma tímida, vale dizer, porém eficiente. Por conta disto, o governo brasileiro se atola em sua grosseria ideológica, edificando um Estado incompetente e ineficiente para o cidadão e para a atração de investimentos, mas extremamente interessante para alguns setores da elite que querem aumentar suas fortunas por meio do perdão de suas dívidas, isenção de impostos e da retirada dos direitos trabalhistas.
A hora e a vez das deepfakes no Brasil e no mundo
Qualquer problema envolvendo deepfakes não pode ser separado de como as notícias falsas se multiplicam em plataformas como o WhatsApp e como isso é utilizado como arma por políticos sem escrúpulos.
Privilégio e crise geográfica urbana
O geógrafo britânico David Harvey identifica uma crise geográfica urbana para o sistema capitalista (bolhas imobiliárias, como a gentrificação). Isso gera especulação com o preço das terras urbanas, a cidade fica mais cara, menos acessível e, portanto, nada democrática.
Guerra comercial, petroleiros piratas e o vazamento de óleo
As novas táticas empresariais de transporte e logística marítima (off transponder e ship-to-ship), que decorrem das novas estratégias nacionais de guerra comercial (com sanções e embargos), podem ter alguma relação com o recente caso de vazamentos ou derramamentos de óleo que atingiu a costa do nordeste brasileiro

