Diplô Online
As veias abertas do Brasil: trabalho e pulsão de morte
Existe uma longa história escondida atrás da palavra trabalho. Ela atravessa impérios, plantações, fábricas, escritórios e plataformas digitais; atravessa também os corpos daqueles que, para viver, precisam vender o próprio tempo. Embora frequentemente apresentado como virtude, realização ou destino, o trabalho carrega marcas de violência que remontam às origens da sociedade capitalista e permanecem visíveis nas formas contemporâneas de exploração. Em tempos de exaustão generalizada, talvez seja necessário olhar novamente para essa história e perguntar quem realmente se beneficia dela
Os 120 anos do pentecostalismo e sua ascensão política no Brasil
Se houve um tempo em que era comum a frase “crente não se mete em política” e ela contava como uma autoidentificação dos próprios evangélicos, isso já não é verdade hoje
Tradução de “O futebol ‘é’ uma linguagem com os seus poetas e prosadores”, de Pasolini
A cultura brasileira possui forte relação com o esporte, sendo um dos elementos rapidamente associados à nossa identidade nacional que, querendo ou não, atua como um fato social sobre nossas produções de coletividade
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O fascismo como futuro
Uma breve resenha de A ameaça interna: psicanálise dos fascismos globais, de Vladimir Safatle
Por uma luta antimanicomial radicalmente antirracista
Torna-se necessária a compreensão de que a manicomialização e o racismo ancoram-se numa mesma estrutura: a produção da desumanização em nome de uma ideia universal de razão. Que modelo de sociedade é esse que continua produzindo sujeitos descartáveis para sustentar sua ideia de normalidade?
Alice Puterman expõe as experiências de violência sexual e saúde mental que atravessam a criação de seu livro de estreia
Em Candura, publicado pela Toma Aí Um Poema, a autora, de 23 anos, revisita seis anos de escrita para construir uma obra visceral sobre estupro, trauma psíquico e reconstrução do corpo como território de resistência
O intelectual orgânico do futebol brasileiro
Sócrates via na política um imenso estádio onde os políticos eram os jogadores, mas que em momento algum se importavam com o time (sociedade). Essa correlação entre sua vida nos gramados e sua ideologia política em nenhum momento sofreu embate, ao contrário, foi necessário para alçá-lo como um intelectual orgânico no futebol.
Violência política de gênero como modus operandi da exclusão
Assédio contra a presidenta mexicana Claudia Sheinbaum é mais um recado emblemático, dirigido a todas nós, de que o espaço público ainda nos quer ausentes, excluídas ou, quando muito, toleradas e sob determinadas condições
Por que a polarização afetiva precisa estar no centro do debate no Brasil
Mesmo reconhecendo assimetrias, a polarização afetiva atua como um véu: ela distorce o olhar, simplifica o país em duas metades e impede que percebamos a complexidade real da sociedade brasileira
A Globo e o agro: um velho romance
O risco da história única em um contexto de concentração midiática e em tempos de emergência climática
Tem um jumento na sala da COP 30
Como é possível o Brasil proferir um discurso de bioeconomia se permite atividades insustentáveis como o abate de jumentos?
Diante do mal, a síndrome do fascínio canibal
No mundo salvacionista ocidental-cristão, cabe, numa distorção da realidade, a defesa de uma chacina e até mesmo aplausos
Como a série ‘Tremembé’ expõe o mercado da fé nas prisões brasileiras
A nova produção da Amazon Prime Video escancara o que a sociedade tenta ignorar: dentro dos presídios, a fé virou moeda de troca e a salvação, um produto com valor de controle
Crise do capitalismo, rentismo e a obstrução da soberania popular
A crise estrutural do capitalismo ultraneoliberal, o avanço do neofascismo e a erosão democrática impõem urgência à análise. Este texto se propõe a uma leitura crítica de um processo histórico em aberto, marcado pela profunda contradição entre capital e trabalho, entre soberania popular e o poder absoluto das finanças. Ancorada na perspectiva marxista da totalidade, a análise compreende a crise em sua articulação entre economia, ideologia, política e cultura (estrutura e superestrutura). O recorte temporal, de janeiro de 2023 a 2025, examina a decomposição democrática após os atos golpistas, percebidos como sintoma de uma crise mais ampla
Legalismo autocrático: o caso de Minas Gerais, no Brasil
A blitzkrieg (guerra-relâmpago) nos interiores de Minas Gerais tende a aumentar, afinal, trabalhadores da COPASA não deixarão seus empregos morrerem em câmara lenta e se engajam em mais uma campanha intensa. O debate já chega em prefeituras e câmaras de vereadores – e quem é que vai requerer pedir voto?
Aline Bei: “quando uma presença se estabelece, uma outra ausência se torna presença naquilo, naquela relação”
Em Uma delicada coleção de ausências, a autora retoma a escrita poética e fragmentada que marcou sua estreia em O peso do pássaro morto, mas agora mergulha ainda mais fundo nas feridas silenciosas da memória, da perda e da herança familiar
Expectativas e ponderações diante da 30ª Conferência do Clima
Olhando globalmente, quais os maiores desafios para a humanidade enfrentar as mudanças do clima?
Crises, ficção especulativa e crítica da economia política contemporânea
Livro ficção climática (cli-fi) do escritor norte-americano Kim Stanley Robinson, The Ministry for the Future, ganha especial relevância neste momento em que o Brasil se prepara para sediar a COP 30
Por que a Doutrina Monroe está de volta?
A hipótese de uma intervenção dos Estados Unidos na Venezuela voltou a ganhar força nos últimos meses, sustentada pelo agravamento da crise humanitária, pelas sanções econômicas e pelo isolamento político do governo de Nicolás Maduro
O papel da Cultura na ação climática
Estudo aponta que 83% dos brasileiros acreditam que podem se informar e entender melhor sobre mudanças climáticas por meio de atividades e bens culturais
Nessa memória, uma carta do futuro
Entre o projeto duplo que celebra sua trajetória, a gravação de um disco ao vivo e o desejo de seguir próximo às pessoas, o artista baiano reafirma o movimento constante que marca sua obra
Casa de Doces
O aumento da velocidade e da descontinuidade, somado à intensificação do desprazer, revela a promessa da Modernidade como uma ilusão sádica
O avanço do negacionismo e a nova dependência geopolítica
O ensaio analisa as eleições legislativas argentinas de 2025, que consolidaram o poder de Javier Milei e revelaram a crescente influência dos Estados Unidos sobre a política e a economia do país. Discute-se o avanço do negacionismo histórico e o enfraquecimento da memória democrática diante da aliança ultraliberal com Washington. A Argentina surge em uma encruzilhada entre dependência externa, erosão institucional e promessas de modernização tecnológica subordinada
Sobre doenças, magia e políticas do encanto
A cultura de direita produz “máquinas mitológicas” como dispositivos narrativos combinando fatos e ficções politicamente capitalizáveis
O debate sobre Armas autônomas letais e sua discussão na ONU
O que antes habitava a ficção científica agora redefine o poder e a guerra: máquinas que decidem quem vive e quem morre
Fortalecendo a intersetorialidade em tempos de emergência climática na luta contra as iniquidades em saúde
Mudanças climáticas, perda de biodiversidade, degradação ambiental, pandemias, resistência aos antimicrobianos, riscos na segurança dos alimentos e insegurança alimentar são faces da mesma crise sistêmica global, profundamente interconectadas com o modelo econômico capitalista dominante. A implementação de estratégias baseadas na abordagem Uma Só Saúde torna-se essencial para enfrentar os desafios contemporâneos de forma mais efetiva, promovendo uma visão sistêmica que integra as dimensões da saúde humana, animal, vegetal e ambiental
Trinta e cinco anos do SUS
Em artigo originalmente publicado na The Lancet Regional Health – Americas, inédito em português, o ministro da Saúde Alexandre Padilha e especialistas em saúde pública celebram os 35 anos do SUS, completados em 19 de setembro

