A lógica e os limites na fórmula de Javier Milei
Tradição sindical argentina não foi o suficiente para conter o avanço da reforma recém aprovada sobre as leis trabalhistas

Tradição sindical argentina não foi o suficiente para conter o avanço da reforma recém aprovada sobre as leis trabalhistas
Escritora convidada do mês de dezembro da Amora Livros conversou com o Le Monde Diplomatique Brasil sobre a criação de seu romance de estreia e sua tradução para o português, prevista para 2025
A “motosserra” da austeridade do presidente Javier Milei restabeleceu os equilíbrios macroeconômicos da Argentina à custa da contração do consumo popular e do aumento da dívida pública, sobretudo junto a credores internacionais. Quais são os reflexos desse processo em termos de contestação popular?
Cristina diz ser uma fuzilada viva. Foi alvo não somente do tiro mas também dos meios de comunicação hegemônicos do país, do macrismo, do mileismo, e não raro, de setores do peronismo. Frequentemente é considerada culpada por todos os problemas sociais, políticos e econômicos que a Argentina tem enfrentado
Qual foi o impacto do movimento na última década, considerando desde a desnaturalização do feminicídio até a politização do cuidado, incluindo avanços como a legalização do aborto na Argentina e as resistências à ofensiva conservadora, com base em dados atuais e episódios recentes, como o ataque misógino a deputadas paulistas?
Como entender tamanha capacidade de “domesticação” de uma sociedade acostumada à mobilização social permanente?
A divisão de poderes num modelo constitucional republicano e federal de governo foi afetada na Argentina, o Presidente da Nação nomeou por decreto dois novos juízes para a CSJN sem ter poderes para fazê-lo. Portanto, a fragilidade institucional e democrática que isso representa é evidente
O avanço da extrema-direita, originado nos países ricos, impacta os conflitos internos da periferia. Com a ordem em colapso, surge uma dinâmica ingovernável
A Argentina detém o recorde mundial do número de psicólogos por habitante. Quase metade deles está em Buenos Aires e pratica a psicanálise. Elemento constitutivo da cultura porteña e integrada ao sistema de saúde, a disciplina agora enfrenta a concorrência das terapias comportamentais e do movimento de autoajuda. Uma viagem à “Villa Freud” no coração de Palermo…
Javier Milei tem pouca simpatia pela cultura, suas instituições, suas subvenções – “um setor parasitário, um meio progressista”… Ainda que sua ofensiva se baseie em números, ela não é fundamentalmente ditada por escolhas econômicas, e sim por uma visão política. Um messianismo obsessivamente “antivermelho” o leva a brandir sua motosserra
Milei ataca o mundo da cultura, baseado na sua compreensão limitada da liberdade – uma liberdade autoritária e ultra individualista
Poder remunerar os funcionários com leite ou carne? A “liberdade” conforme entendida pelo novo presidente argentino, Javier Milei, encanta o setor privado, mas seduz menos os eleitores que acreditaram em suas receitas para acabar com a crise. Estes descobrem o significado de sua promessa de “erradicar a casta”: servir à oligarquia. Entre as ruas e o homem da motosserra, a batalha está apenas começando