Diplô Online
Occupy Wall Street e a longa travessia até Zohran Mamdani
A eleição de Zohran Mamdani para a prefeitura de Nova York, em janeiro de 2026, sintetiza uma trajetória mais longa da esquerda norte-americana, marcada por deslocamentos estratégicos, aprendizados coletivos e disputas internas sobre como transformar crítica social em poder politico
Falso patriotismo e reserva de mercado – de Dorival a Osvaldo e Leão
Nos últimos anos, no Brasil, vimos a expressão de um suposto e autoproclamado patriotismo que se revelou, no curso dos acontecimentos históricos, contraditório ao conceito de verdadeira defesa da pátria ou da nação. Neste artigo, debateremos o mau uso desse conceito à luz das vergonhosas falas dos treinadores brasileiros de futebol Oswaldo de Oliveira, Emerson Leão e Dorival Júnior
Vivenciando a arquitetura da Fundação Louis Vuitton (FLV)
A arquitetura contemporânea, especialmente aquela alçada à condição de ícone global, raramente se limita à função de abrigar usos: ela comunica, disputa sentidos, reorganiza fluxos urbanos e produz imagens que circulam muito além do lugar onde se insere. Entre a obra construída e a experiência vivida, estabelece-se um campo de tensões que envolve estética, mercado, turismo, poder e cidade
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Reflexões sobre a infraestrutura urbana
“É através da distribuição no espaço urbano que se percebem as desigualdades e as distâncias físicas e sociais (estritamente relacionadas) que contribuem para a desconstrução do cidadão” (Flávio Matioli Veríssimo Silva e Eduardo Henrique Lopes Figueiredo).[1]
[1] In“Direito Social ao Transporte: nova diretriz e velhas premissas na mobilidade urbana”, Revista da AGU, Brasília-DF, v. 17, n. 01, jan/mar 2018, pp. 153-168, p. 155. Esta frase tem como base as observações de Milton Santos, geógrafo, jornalista, advogado, professor e escritor. Percebe-se que mobilidade é, então, um requisito para a cidadania.
O labirinto do WhatsApp
Mais do que uma simples ferramenta, o WhatsApp tornou-se parte da arquitetura emocional que estrutura a vida pública brasileira
Dez anos de desastre no Vale do Rio Doce
Ao contrário de um evento encerrado no passado, o rompimento da barragem de Fundão, que completa uma década neste 5 de novembro de 2025, prolonga-se ao longo dos anos e ainda opera sobre distintos ambientes e contextos socioculturais
A legitimação da chacina pela opinião pública
A legitimação do massacre a partir da economia política, sua relação com as políticas de “segurança pública” apregoadas pela extrema-direita e o medo do crime sentido pela população
Days Gone e a representação anarquista no mundo dos games
Podemos conceber os games, não somente como um produto da indústria cultural (o que realmente são), mas como uma arte interativa que produz narrativas capazes de nos fornecer ferramentas interpretativas que ajudam a entender melhor o mundo em que vivemos. Parece o conto de Alice, no qual a menina precisou ir para um mundo imaginário e fantasioso, que possui regras completamente distintas do mundo real, para poder tirar dali uma lição útil para a vida
Habitação em São Paulo: a truculência dos cortes no auxílio aluguel
Se o orçamento destinado ao auxílio aluguel no município de São Paulo chama atenção, é preciso lembrar que a Secretaria de Habitação utiliza por ano quase o mesmo montante que o Tribunal de Justiça de São Paulo gasta para arcar com o auxílio moradia de menos de 2.500 juízes e procuradores. Caracterizado pelo pagamento mensal de mais de R$4.000, este auxílio moradia ofertado pelo Tribunal se destina a membros do judiciário cujos salários iniciais chegam a 20 salários mínimos.
O esculacho nosso de cada dia
Não há melhor palavra para descrever o que a grande maioria da população vive diariamente que esculacho. É uma palavra que faz parte de nosso vocabulário cotidiano. A palavra tanto significa o espancamento e a surra como, também, um chicoteamento verbal para lembrar a pessoa de sua insignificância. E é assim que vamos andando ou, quem sabe, levando
A universidade contra a barbárie e o obscurantismo
As universidades federais, desde a sua criação, por volta da década de 1950, sempre tiveram um papel fundamental na consolidação de uma cultura democrática entre nós.
O que fazer após a orgia neoliberal?
Da reforma da trabalhista à reforma da previdência, as políticas neoliberais conhecem seu êxtase desviando a atenção do que é fundamental para a esquerda: repensar as formas de organização econômica
Sob o governo dos homens falo
Entrevista com Christian Dunker, psicanalista e professor titular da Universidade de São Paulo (USP).
Conspiração e corrupção: uma hipótese muito provável
Não há como não seguir a trilha da chamada “conspiração”, que culminou com a ruptura institucional e a mudança do governo brasileiro. E nossa hipótese preliminar é que a história desta conspiração começou na primeira década do século XXI, durante o “mandarinato” do vice-presidente americano, Dick Cheney, apesar de que ela tenha adquirido uma outra direção e velocidade a partir da posse de Donald Trump, e da formulação da sua nova “estratégia de segurança nacional”, em dezembro de 2017.
Future-se e o aporte de recursos de empresas
A proposta do governo é que as IFES diminuam seu custo mediante a “captação de recursos próprios” que adviriam de uma “maior interação com o setor empresarial para atividades de inovação”. Essencial para isso seria a “criação de um ecossistema de inovação pujante nas IFES, possibilitando que trabalhem com maior foco em inovação e em parceria com empresas”.
Economia Solidária e a reorganização do governo Bolsonaro: o caminho é a mobilização
Com a extinção do Ministério do Trabalho, a antiga Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes) teve suas atribuições enviadas ao Ministério da Cidadania. As competências que têm relação com a economia solidária ficaram restritas à política de assistência social e à de renda, associada ao conceito de cidadania, evidenciando que não é nesse ministério que se define estratégias da política de trabalho e de desenvolvimento do país.
A jurisprudência do erro: a prisão de Lula na suprema corte brasileira
A Suprema Corte ainda resiste em assegurar os direitos fundamentais da presunção de inocência e do próprio devido processo legal ao ex-presidente brasileiro. A jurisdição constitucional, a despeito de todos os princípios constitucionais e criminais, resiste em garantir os direitos e, consequentemente, a liberdade de Luiz Inácio Lula da Silva, contrariando a Carta Magna e constituindo, assim, uma jurisprudência do erro.
Tirano de fachada: Bolsonaro e a paralaxe zizekiana
Como pode um ditador ser o líder de uma democracia liberal? É evidente que as tecnologias de dominação do século XXI dispensam a necessidade de uma ditadura. Contudo, a aparência ditatorial vem se mostrando muito útil para fortalecer a democracia burguesa. Ela cria o esporro, um absurdo atrativo, enquanto a Câmara dos Deputados aprova os projetos que alavancam a economia liberal que, como um monstro munido de diversos tentáculos, devora o setor público.
Patrimonialismo e estamento burocrático no Brasil
Analisando os dados sobre a estrutura tributária brasileira, o sistema penal e os gastos com a elite política nacional, podem ser observados indícios de que o patrimonialismo e o estamento burocrático ainda fazem parte da realidade brasileira, mesmo após toda a “modernização” decorrida. Nesse contexto, as análises de Raymundo Faoro e de Florestan Fernandes são muito válidas para explicar o Brasil contemporâneo, como afirma Faoro (1979), essa camada que são os “donos do poder” se modifica, renova-se, porém, mesmo com o passar do tempo não representam a nação.
Nada admirável mundo novo
Para 90% dos brasileiros, governa-se “para uns poucos”. O Brasil possui também o mais baixo índice, no subcontinente, de confiança interpessoal – apenas 4% declaravam, em 2018, confiar em seus compatriotas.
A privatização silenciosa do crédito público
Saldo das operações de crédito das instituições financeiras privadas voltou a superar o dos bancos públicos pela primeira vez desde junho de 2013
O que a África pode nos ensinar sobre imperialismo
O imperialismo sobre África não é apenas um jogo geopolítico, mas uma fase natural da expansão capitalista. Assim que o capitalismo se torna altamente desenvolvido dentro de uma determinada fronteira, ele parte para sua próxima fase que, ao tempo de Vladimir Lênin, era a expansão imperialista sobre a África, que virou um local de luta entre os colonizadores.
O interminável ciclo de golpes no Brasil
Os golpes sempre fizeram parte da História do Brasil. Começando em 1889, quando o marechal Deodoro da Fonseca derrubou o imperador Pedro II, até 2016 quando um complô político-militar-judiciário derrubou a presidente Dilma Rousseff e prendeu o ex-presidente Lula.
Democracia em transe
Democracia em Vertigem defronta-nos com fatos que sempre estiveram ali, diante de nós, sem que os tenhamos tomado em questão com suficiente descortino. Essa indiferença foi, aliás, um dos fatores a sancionar o irracionalismo que tomou conta da política brasileira, conduzindo a um momento de radicalismo e polarização.
A colonização do outro
Qualquer imposição de ideias, conceitos, religião e ideologia ao outro se torna fundamentalismo, autoritarismo e colonização. Homogeneidade de conhecimento não combina com aqueles que acreditam na democracia.
Os cortes no Censo 2020: vergonha nacional ganha relevância estatística internacional
Para acompanhar o progresso dos países em relação às metas pactuadas na Agenda 2030, foram estabelecidos 244 indicadores diferentes. Os cortes promovidos no Censo 2020, nesse sentido, são extremamente preocupantes. Principal fonte de dados sobre a realidade social, econômica e urbanística do país, a redução da pesquisa impactará o monitoramento de áreas fundamentais da agenda do desenvolvimento.

