Anatomia de um desgoverno: crônica de uma crise anunciada
Artigo do Observatório da Economia Contemporânea traça esquema das estruturas do governo Bolsonaro e analisa a dinâmica do governo tocada por essa distribuição de poder

Artigo do Observatório da Economia Contemporânea traça esquema das estruturas do governo Bolsonaro e analisa a dinâmica do governo tocada por essa distribuição de poder
O coletivismo que pressupõe alteridade e empatia pela dor do outro é, sem dúvida, o maior desafio que essa crise – e também o desacelerar – nos impõe
Enquanto a comunidade científica discute as origens do coronavírus, no Brasil as práticas que ampliam seus danos permanecem inalteradas.
Na discussão sobre mineração em TIs, um dos instrumentos legais mais comumentes mobilizados é a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Esta garante aos Povos Indígenas o Direito à Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) no caso da instalação de empreendimentos em suas terras.
O mesmo vale para a universidade, o hospital, a agricultura, os bombeiros, a escola, o estado das pontes. Na França, como em outros lugares. Trinta e cinco anos de privatizações, recuo dos serviços gratuitos, diminuição de subsídios, controles minuciosos em todas as áreas – graças à internet – e, finalmente, uma sociedade sob pressão, atordoada, arruinada, que queima suas últimas reservas.
“Al Nakba” é como ficou conhecido em árabe (traduzido como “catástrofe”) o processo que culminou na expulsão de 700 mil palestinos de seus territórios, consequência de uma sucessão histórica atrelada à um conflito geopolítico administrado pelo Mandato Britânico na Palestina. O quadro de refugiados é um dos mais graves do mundo: a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) presta hoje assistência à 5.5 milhões de refugiados palestinos forçados a sair de seus territórios – não apenas pela guerra de 1948, mas pelos sucessivos conflitos na região.
A vida das comunidades cortadas pelo Corredor de Nacala, dois anos após sua inauguração
Desde setembro de 2018, os ativistas ambientais não param de chamar atenção. Eles endureceram tanto em termos de modos de ação como de projeto político. Já não creem mais que a preservação do ecossistema seja compatível com o modelo capitalista de crescimento. Seria essa nebulosa capaz de se aproximar de outras lutas e chegar a um acordo sobre estratégias para derrubar a ordem estabelecida?
Resta saber se o pão vai sair da sua neutralidade e ser de direita ou de esquerda, assumir-se como fascista ou comunista, a favor ou contra o aquecimento global, se vai apoiar ou destruir os povos tradicionais, se vai defender agricultura orgânica ou agronegócio, liberação ou proibição da maconha e do aborto, garimpo ou floresta, polícia militar ou negros, cultura ou censura, LGBT+ ou hetero, liberação das armas ou educação.
O ultraneoliberalismo em processo, estruturado pelo bloco no poder a partir da aliança com Bolsonaro, está plantando as bases de um novo contexto autocrático que possui diferenças específicas com a ditadura empresarial-militar, entre as quais o significado da radical recusa do pensamento crítico
Talvez por conta dos efeitos devastadores ou das fortíssimas imagens que produz, a inanição segue servindo para que que se encubra o drama da fome parcial. No entanto, isso não é suficiente para explicar a tão duradoura ocultação do fenômeno. É necessário reconhecer que há uma utilização, no mínimo, ambígua dos conceitos de insegurança alimentar, subnutrição e fome, o que não apenas prejudica a compreensão da realidade, como também difunde falsos consensos habilmente utilizados para justificar a manutenção de relações econômicas e sociais responsáveis pela fome.
A super produção de grãos mantém parcerias com a indústria de alimentos e com a pesquisa em Nutrição e, além de expulsar os remanescentes agricultores do meio rural, continua impulsionando o desenvolvimento de technofoods como o extrato e a proteína texturizada de soja (nostalgicamente chamados de leite e carne de soja) ou de alimentos industrializados livres de lactose e glúten, eficientes substitutos dos atuais foco de crucificação dietética: o leite e o trigo.