O Chile vai salvar o mundo?
Os chilenos foram os que melhor transformaram uma crise em um projeto de país. Para o bem do mundo, ele precisa dar certo
Os chilenos foram os que melhor transformaram uma crise em um projeto de país. Para o bem do mundo, ele precisa dar certo
Um processo tão complexo e intenso como a Convenção Constitucional não poderia ser levado adiante sem gerar resistências frontais à sua atividade. Mais ainda, seria até suspeito se seu trabalho não gerasse fortíssimas resistências entre aqueles que deverão ver ameaçadas suas posições de poder e riqueza. A prova de verificação de sua capacidade transformadora recai justamente nos ventos contrários que desperta naqueles que, por uma questão de simples lógica, deverão opor-se ao seu desenvolvimento. Mas esse antagonismo é diferente, provém de distintos campos, gera variados efeitos e emprega estratagemas díspares.
O governo do partido Apruebo Dignidad, chefiado pelo presidente Gabriel Boric, acabou de assumir o cargo. Há muita esperança e vontade nessa equipe capaz e decidida. Mas ela terá pela frente uma oposição frontal, na qual se manifesta pela primeira vez a ação direta do Partido Republicano, liderado por Antonio Kast, que se apresenta à opinião pública com o aval de 44% dos votos obtidos no segundo turno das eleições. José Antonio Kast e seu partido são um grupo conservador? Ou fascista? Analisar esse campo é necessário para avaliarmos sua atuação e caracterizarmos o tipo de coisa que eles estão dispostos a fazer e suas alianças com outros partidos, inclusive seus apoios internacionais.
Novo artigo do especial Novos Rumos do Chile, feito em parceria com a edição chilena do Le Monde Diplomatique traz o editorial de Libio Pérez, editor-geral da publicação.
Quem diria? Em muito pouco tempo, o feminismo cresceu e se disseminou pela consciência crítica nacional com força avassaladora, a partir de 2005, logrando mobilizar, como nunca antes, milhões de pessoas para o 8 de Março. Mas influenciou também a Revolta de 2019/2020 e a redação de uma Constituição paritária. Agora, no entanto, conseguiu chegar ao poder graças ao triunfo da candidatura do presidente eleito, Gabriel Boric, que não apenas se declara feminista, tal qual seu partido Convergencia Social e sua coalizão Apruebo Dignidad, como se comprometeu a fazer do feminismo parte fundamental de seu governo
Nesse cenário renovado, o sistema universitário deve refletir e substituir os ajustes e reformas que vêm sendo feitos no sistema educacional desde a década de noventa até hoje, caso contrário continuará sendo tutelado pelos porta-vozes que rendem homenagem a intelectuais neoliberais, à política conservadora e às premissas do mercado
A convergência e juventude podem e têm que fazer história neste domingo. Pois, ao contrário, o resultado significará um país que desperdiçará uma década, comprometendo uma geração inteira frente ao desafio de mudar a injusta realidade socioeconômica da maioria da população
A eleição de Elisa Loncón expressa transformações profundas na sensibilidade da sociedade chilena em relação ao povo mapuche que ficaram visíveis sobretudo nos últimos anos por conta de revelações de operações e montagens policiais destinadas a criminalizar sua luta
A revolta popular marcou a erupção do povo chileno na cena política e a abertura de um novo ciclo. A partir daí, foram se acentuando traços que já vinham sendo observados nas últimas décadas, como o retrocesso da cisão “esquerda/direita” e a predominância da polarização “povo/elite”, elemento que foi central na revolta e nas duas eleições que aconteceram desde então
Para enterrar o legado de Pinochet, a maioria dos 6 milhões de votantes chilenos escolheu deputados constituintes alternativos ao sistema e conectados com as agendas por direitos sociais. Mas ainda restam armadilhas
A indignação fermenta há muito tempo no Chile, um país moldado pela ditadura Pinochet. Como, no entanto, romper com o passado e consertar a sociedade? Confrontado a um movimento social poderoso, o presidente conservador Sebastián Piñera encampa a ideia de uma nova Constituição. Uma concessão às mobilizações ou uma forma de esfriá-las?
O presente artigo compõe um conjunto produzido pelo Grupo de Pesquisa “Discurso, Redes Sociais e Identidades Sócio-Políticas” publicado na série Populismo e Crises. Nesta segunda fase, nos detemos na análise dos principais porta-vozes nacionais e internacionais dos discursos negacionista e científico. Busca-se aqui apresentar e analisar os elementos discursivos do presidente chileno Sebastián Piñera no contexto do enfrentamento de seu país à pandemia de Covid-19