O impacto da psicometria nas eleições chilenas
A cada campanha eleitoral, fica cada vez mais evidente a importância das redes sociais como canais de informação, de conexão e até de mobilização para milhões de pessoas

A cada campanha eleitoral, fica cada vez mais evidente a importância das redes sociais como canais de informação, de conexão e até de mobilização para milhões de pessoas
Aproximar-se do entendimento da derrota no referendo requer uma análise multivariada, ou seja, a compreensão de que não há uma causa única que explique a ampla margem com que a rejeição foi imposta
Temos um importante desafio para as próximas etapas do processo constituinte, a fim de sustentar práticas políticas e sociais que nos permitam superar a subjetividade herdada da ditadura e ter um desenho estratégico que nos permita derrotar seu legado
Não surpreende que algumas das hipóteses que explicam a rebelião que se espalhou pelo Chile em 2019 se baseassem na suposta participação de agentes estrangeiros, principalmente chavistas venezuelanos e colombianos, coordenados por cubanos
Sobre o mecanismo preciso do novo processo constituinte, a coalizão de direita Chile Vamos não definiu uma única posição sobre um possível novo plebiscito de entrada para definir os redatores do novo texto. Parece evidente que com essas demandas o que se instalou é uma portada na cara de um novo texto verdadeiramente elaborado a partir da lógica de um processo constituinte
No Chile, o plebiscito de saída, apesar de seu resultado adverso ao processo de mudança, é um novo marco para pôr fim a essa eterna transição que já dura mais de trinta anos. A proposta constitucional, embora tenha sido finalmente rejeitada, constitui em si uma conquista da soberania popular e estabelece um padrão sobre a forma como o povo deve resolver os assuntos que lhe dizem respeito
Em uma imagem invertida do plebiscito que deu início ao processo de reforma constitucional, uma esmagadora maioria expressou seu desacordo com uma proposta específica de nova Carta Magna. Embora se mantenha o consenso em mudar a Constituição de 1980, herdada da ditadura de Augusto Pinochet, a luta pelo como fazer isso já começou
A retumbante derrota sofrida em 4 de setembro no plebiscito sobre a Constituinte chilena nos convida a refletir sobre o motivo desse revés e os cenários que se abrem. A classe política terá a responsabilidade de continuar o processo constitucional aberto em 25 de outubro de 2020 com o plebiscito de entrada e seus significativos 80% de votos a favor de uma nova carta. Não podemos negar a frustração da derrota e também não podemos esquecer as 4.860.093 pessoas que confiaram e acreditaram que outro Chile era possível
Sabemos que no atual modelo privado de água, os conflitos socioambientais continuarão crescendo no Chile, assim como a resistência das comunidades. Por quê? É simples, porque é a vida que está em jogo.
Em um país onde a mídia é tão concentrada como no Chile, organizar um referendo sem reformar o setor equivale a alçar os donos dos meios de comunicação à categoria de grandes eleitores. Porém, isso é suficiente para elucidar a rejeição do projeto de nova Constituição? Ou há outras razões para explicar por que o povo nem sempre vota como os progressistas gostariam?
A luta pelas identidades estourou e quebrou a perspectiva da esquerda do século XX. Somente uma “força” de novo tipo pode combinar diferentes vetores sociais em uma sociedade tão desigual como a chilena
As condições que incubaram a derrota no plebiscito foram pré-definidas no momento da eleição constituinte, em 15 e 16 de maio de 2021. Não é de estranhar que, quanto mais corajoso, ambicioso e abrangente o texto fosse, mais demônios ele despertaria