Destruir a democracia
Resenha do livro de Marcos Nobre, Ponto-final: a guerra de Bolsonaro contra a democracia (Todavia, São Paulo, 2020)

Resenha do livro de Marcos Nobre, Ponto-final: a guerra de Bolsonaro contra a democracia (Todavia, São Paulo, 2020)
No início de junho, o Facebook fechou 446 páginas, 96 grupos e mais de duzentas contas do Instagram administradas pela companhia franco-tunisiana URéputation. A empresa havia tentado influenciar, por meio da divulgação de informações falsas, eleições da África francófona. Laboratório global das manipulações digitais, o continente reagiu de diferentes maneiras
Ex-paraquedista, o presidente Jair Bolsonaro sabe que uma das melhores estratégias de defesa é o ataque. Abalado pelas instituições por sua gestão calamitosa da pandemia de Covid-19, ele aproveita o episódio para acusar o Congresso, a Justiça e os governadores de oposição de desvios ditatoriais. Enquanto isso, os apelos por sua destituição se multiplicam
Transformar o racismo estrutural sistemático da sociedade brasileira não é tarefa da população negra, é responsabilidade da população branca e do conjunto das instituições brasileiras. Na atualidade, não nos bastam afirmações e posicionamentos antirracistas, é preciso alterar relações de poder que, efetivamente, atendam aos interesses e às necessidades da população negra
Certamente não será o governo Bolsonaro que vai nos tirar dessa situação. Ele só agrava a crise. E, se nossas representações coletivas não se mexerem agora, estaremos nos condenando e à nova geração ao pior cenário possível. A geração Covid-19 será mais uma vítima da política de morte e destruição desse governo insano.
Não há absolutamente nada de novo no título desse texto. Ele é uma cópia do título da música de Raul Seixas que nomeia também o disco lançado em 1979. A canção faz jus de ser revisitada agora como parte do desafio de construir uma outra forma de convivência e de luta em meio à crise sanitária, econômica e política que vivemos. É preciso unificar as forças comprometidas com a solidariedade social e seu caráter civilizatório mais amplo em defesa da vida humana
Governo federal privilegia publicidade em meios de comunicação aliados e ameaça endurecer regras de concessão para adversários. Leia mais um artigo do especial Concentração da Mídia e liberdade de expressão.
Bolsonaro está estimulando, pessoalmente, nas redes sociais um movimento de agressão às instituições do país, marcado para 15 de março e no qual está envolvido um dos seus principais generais-assessores.
Não podemos ficar paralisados pelo medo. A organização e a luta serão capazes de interromper o avanço do fascismo neoliberal. Agora, mais do que nunca, a gravíssima situação política precisa ser enfrentada com união, estratégia, inteligência e coragem para mudar os rumos da história
Para além da dinâmica entre princípios democráticos e capitalismo e o abismo entre representantes e representados, a convivência com o outro na vida ordinária também é um termômetro do estado da democracia.
Tocar fogo na democracia e nos seus valores deixam duas alternativas: o fechamento do regime ou sua reabertura para horizontes redemocratizantes. Esse é o tabuleiro do jogo. Não há peças neutras. É preciso um mapa para no qual fique evidente quem atua para a consolidação do autoritarismo bolsonarista. Ele e seu clã não são os únicos responsáveis.
Quando os candidatos das esquerdas lideram as pesquisas de intenção de voto, a mídia logo divulga a insatisfação do mercado, explana os números negativos da Bolsa de Valores, como está fazendo a imprensa argentina depois da vitória nas primárias da chapa de Cristina Kirchner.