Roosevelt e Biden: para além de um “touro de ouro”
O governo norte-americano mantém uma espécie de política industrial constante, que vincula o fortalecimento do seu mercado interno e a organização do processo econômico

O governo norte-americano mantém uma espécie de política industrial constante, que vincula o fortalecimento do seu mercado interno e a organização do processo econômico
A entrada da China na Organização Mundial do Comércio, em 2001, foi facilitada pela esperança dos Estados Unidos de que a liberalização econômica do país levaria à “abertura política”. Vinte anos depois, é exatamente o contrário: a desregulamentação serve a Pequim, que se apoia nas transnacionais norte-americanas para se opor às tendências protecionistas da Casa Branca
Tendo chegado sem um tostão e conseguido ascender socialmente, os asiáticos que vivem nos Estados Unidos encarnam o sonho norte-americano. Dizem que trabalham duro, são brilhantes na escola, mas também discretos e dóceis. Por trás desses estereótipos, contudo, esconde-se uma sociedade fragmentada e assombrada pela multiplicação de ataques de ódio desde o início da pandemia
As invasões do Afeganistão e do Iraque significavam dois governos inimigos retirados do poder. Mas a guerra ao terror não acabara. As ocupações foram seguidas de insurgências e da inabilidade dos estadunidenses e de seus aliados ocidentais em criar condições de criar novos governos com seus aliados locais. A única área em que eles não falharam foi em enriquecer suas petroleiras, empreiteiras e até companhias de mercenários
O México observa sua soberania ser dilapidada por todas as partes. No plano institucional, pela corrupção. No territorial, pelos cartéis. No econômico, pelo livre-comércio. E, no geopolítico, por sua proximidade “maldita” com os Estados Unidos. Nesse último campo, o presidente López Obrador operou uma mudança discreta, porém determinante
Poucos presidentes norte-americanos despertaram tanto entusiasmo e se beneficiaram de tanta popularidade internacional. Ao final, contudo, restou um sentimento de que faltou alguma coisa. Em suas Memórias, Barack Obama apresenta algumas chaves para entender essa decepção. Elas podem explicar a atual audácia econômica de seu antigo vice-presidente?
Famosos hollywoodianos, jornalistas, políticos: todos desejavam a criação de uma seção sindical no imenso armazém da Amazon em Bessemer, no Alabama. Todo mundo, menos os trabalhadores do local, que votaram em massa contra a sindicalização… A pressão exercida pela transnacional durante a campanha bastaria para explicar esse resultado?
Nos primeiros cem dias de seu governo, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se libertou de vez da imagem que a oposição tentou colar em sua persona política, condensada na alcunha “Sleepy Joe” (“Joe Dorminhoco”). Da mesma forma, ele se demonstra tudo, menos moderado. Com determinação, ousadia e muita vontade política, em idade o mais velho presidente dos Estados Unidos pretende liderar um processo de rejuvenescimento do capitalismo norte-americano. Embora vários elementos já estivessem em pauta, como os megainvestimentos públicos em infraestrutura, a novidade é que agora são integrados a uma visão mais ampla que abarca não só a economia, mas também a esfera social e a retomada do papel de liderança global dos Estados Unidos. Confira no novo artigo do Observatório da Economia Contemporânea
Os Estados Unidos acabam, com efeito, de adotar uma das leis mais sociais de sua história. Ela descarta as estratégias econômicas feitas nas últimas décadas, que favoreciam as rendas do capital – “inovadores” e rentistas juntos – e castigavam as classes populares
Às vésperas de sua efetivação, a telefonia móvel de quinta geração – o 5G – suscita um fluxo de questões ligadas ao seu impacto ecológico e sanitário e, fundamentalmente, ao desenvolvimento tecnológico sem controle. Mas a grande disputa do 5G é travada no campo geopolítico, com o enfrentamento sempre duro entre Estados Unidos e China
A nomeação pelo presidente Donald Trump de uma nova juíza para a Suprema Corte dividiu os Estados Unidos, especialmente porque ela pode desempenhar um papel decisivo em caso de contestação dos resultados das eleições de 3 de novembro. E, por enquanto, nenhum dos dois campos parece disposto a aceitar uma derrota
No fundo, o dilema habitual dos nacionalistas é bem esse: quando rompem com povos geográfica e culturalmente próximos, conquistam uma “independência” cujo preço é quase sempre a subordinação a potências longínquas e desdenhosas.