Reativar o passado, potencializar a história
Resenha do livro História potencial: desaprender o imperialismo de Ariella Aïsha Azoulay (Ubu Editora, 2024, trad. Célia Euvaldo)

Resenha do livro História potencial: desaprender o imperialismo de Ariella Aïsha Azoulay (Ubu Editora, 2024, trad. Célia Euvaldo)
Foi para “garantir a democracia no mundo” que os Estados Unidos se envolveram na Primeira Guerra Mundial, enquanto a segregação racial dos negros do sul era mais meticulosa do que as futuras leis nazistas de Nuremberg. Nesta segunda parte dos excertos publicados pelo Diplô de seu novo livro, Loïc Wacquant analisa esse sistema político e repressivo que sobreviveu até os anos 1960
Como manter um regime racista em um país onde a igualdade entre brancos e negros foi formalmente consagrada pela abolição da escravidão? O novo livro de Loïc Wacquant, do qual publicamos alguns trechos escolhidos, ajuda a entender como o direito e a política podem garantir uma dominação feroz… mesmo em um país que já se considerava um paraíso democrático
Sua devoção e suas proezas físicas na ausência de gravidade são ingredientes de uma receita que faz sucesso desde os anos 1950. Astronauta, cosmonauta, espaçonauta… eles estimulam a imaginação e dão corpo a uma necessidade de aventura humana que nada tem de evidente, sobretudo diante da perspectiva do envio ao espaço de robôs aperfeiçoados pela inteligência artificial
Personagem do poema fundador de José Hernández, o gaucho Martín Fierro ocupa um lugar central no imaginário argentino há mais de 150 anos. Ao mesmo tempo indígena e paternalista, esse “filho da pátria” foi reivindicado por Perón e é referência constante do papa Francisco. Ainda assim, algumas vozes críticas, inclusive a de Jorge Luis Borges, se fazem ouvir
No princípio está o fait-divers, a notícia cotidiana, que pode ser tanto real como inventada, mas é quase sempre sangrenta. Na França, do fim do século XV até a Libertação dos nazistas, pequenas publicações vendidas por ambulantes descreviam, nos mínimos detalhes, homicídios, assassinatos e outros casos sórdidos. Havia o texto, que cada um comentava à sua maneira, e a complainte, ou lamento, cantada sobre uma melodia conhecida. Eles ofereciam uma catarse coletiva a um público sempre ansioso por esse tipo de história
Invadir a terra dos czares e se tornar senhor de Moscou passando pela Ucrânia era o plano do soberano sueco no início do século XVIII. Por muito tempo, isso foi considerado um erro estratégico; depois, os especialistas em guerra se convenceram do contrário. No entanto, assim como para outros invasores posteriores, o resultado foi a derrota
O fato é que novas interpretações e novas narrativas do passado são sempre possíveis, mas não podem ser puramente subjetivas ou tendenciosas: devem respeitar os critérios metodológicos que fazem da historiografia uma ciência
O historiador Vijay Prashad visitou a redação do Le Monde Diplomatique Brasil para falar sobre o lançamento brasileiro de “Uma História Popular do Terceiro Mundo” e os desafios da esquerda no Brasil após as eleições.
“Precisamos falar sobre Cuba” está dividido em três textos: a primeira parte tem o foco nos processos internos de Cuba; a parte II trata das relações internacionais, principalmente com seu antagonista, os EUA; e por fim, o último texto aborda a atualidade do país e seu legado para o continente. Leia o primeiro artigo
O arquivamento da pandemia de Covid-19 passará por um importante processo de escolha entre a guarda e o descarte, bem como pela criação de formas seguras de preservação documental – o que é particularmente difícil, já alguns dos vestígios mais importantes do período estão no meio digital
Legado do neocolonialismo, a noção simplificadora e estereotipada afeta o nosso entendimento em relação a diferentes aspectos do continente. Sem enfrentar esse tipo de visão, nunca teremos acesso à realidade complexa e própria da região. É dessa forma que distorções históricas ganham terreno fértil, explorado pela mídia e charlatões nas redes sociais