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Desde 7 de outubro de 2023, os principais meios de comunicação franceses zelam pelo alinhamento dos astros autoritários. Seu apoio incondicional a Israel vem acompanhado da difamação de opiniões dissidentes, questionamento das liberdades públicas e caça aos imigrantes. Até onde vai essa guerra ideológica? A serviço de quem?
Todo o horror do conflito entre Israel e Hamas, que se tornou o massacre do povo palestino, é transmitido ao vivo pelas TVs, retransmitido pelas redes sociais, como se tudo isso fosse normal
Da crise financeira de 2008 ao conflito no Oriente Médio, passando pela crise climática e pela invasão da Ucrânia, o planeta experimentou nos últimos quinze anos uma série de abalos que perturbaram as bússolas intelectuais e geopolíticas. Não a do Le Monde Diplomatique, que defende, quase sozinho, o não alinhamento e solicita a seus leitores apoio nesta luta
“O ataque dos terroristas do Hamas” parece interromper um cotidiano tranquilo, sem vínculo com os 75 anos de história do conflito, o bloqueio de Gaza há dezessete anos e a marcha da colonização
Como “resistir” e “vencer” quando os grandes jornais dos Estados Unidos e o próprio Zelensky admitem a estagnação da contraofensiva ucraniana e a impotência das sanções ocidentais? Um conjunto de leitores preparado desde 2022 para os sucessos militares de Kiev em função dos armamentos norte-americanos poderia ficar desorientado. Para tranquilizá-lo, existem diversas soluções
No princípio está o fait-divers, a notícia cotidiana, que pode ser tanto real como inventada, mas é quase sempre sangrenta. Na França, do fim do século XV até a Libertação dos nazistas, pequenas publicações vendidas por ambulantes descreviam, nos mínimos detalhes, homicídios, assassinatos e outros casos sórdidos. Havia o texto, que cada um comentava à sua maneira, e a complainte, ou lamento, cantada sobre uma melodia conhecida. Eles ofereciam uma catarse coletiva a um público sempre ansioso por esse tipo de história
Se queremos contribuir para as mudanças necessárias, precisamos procurar por causas profundas e estabelecer conexões entre os problemas. Mas como entender o que é prioritário no século 21?
Esse apagão jornalístico não é caso isolado e ocorre toda vez que o estrago causado pela elite econômica emerge. Como fica difícil de ignorar o tamanho da encrenca, a cobertura da imprensa faz um trabalho de redução de danos, aborda o assunto pelas franjas e evita expor os personagens
Por retratar a vida pública, a mídia se beneficia de certa indulgência por parte de partidos e sindicatos: qualquer crítica ao papel social desempenhado pelos jornalistas expõe seus autores à suspeita de antidemocráticos. Não era o caso no início do século XX na França, onde a Confederação Geral do Trabalho (CGT) lutou vigorosamente contra a imprensa dominante
Leia um trecho do livro da jornalista Fabiana Moraes, “A pauta é uma arma de combate”, publicada pela editora Arquipélago em setembro.
Será preciso uma guerra mundial para que a grande mídia audiovisual francesa questione os candidatos à eleição presidencial de 10 de abril sobre sua política externa? Enquanto a insistência nos limites provocados pela globalização se torna uma obsessão, o tratamento dispensado a outros países não para de se degradar – tanto em tempo como em qualidade