Diplô Online
Quando a tecnologia abandona quem mais precisa de proteção
A segurança dos usuários raramente aparece como métrica prioritária nesses sistemas. Isso não é um acidente técnico, mas uma decisão de design que reflete prioridades corporativas
Morre José Afonso da Silva. Vive a Constituição de 88
Em sua vida centenária, José Afonso testemunhou diversos desafios à sua obra-prima – a Constituição de 1988. A sua obra, felizmente, resistiu a todos eles. E, nestes dias, exibe força, ao se impor àqueles que tentaram golpeá-la
Filosofia, fuga e liberdade em Dénètem Touam Bona e novas tecnologias de Marronagem
Ao ler a obra de Dénètem, Sabedoria dos Cipós, torna-se quase impossível não pensar em territórios brasileiros, urbanos e não urbanos, em que descendentes de negros e indígenas se encontram, seja para festejar, morar ou exercer suas religiosidades
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Um chamado ao mundo diante do genocídio e das contradições do poder global
Como falar de dignidade global se metade de sua população vive sob um regime de vigilância e punição moral?
Quem cuida de quem cuida das crianças e adolescentes nas periferias?
A regulamentação das redes sociais para proteger infâncias e adolescências ganhou força. Mas, é urgente pensar em espaços de acolhimento e formação para agentes municipais, referências comunitárias e famílias que atuam com juventudes às margens dessa discussão
Ricardo Pecego fala como “Cidadão”, seu novo livro, expõe a desumanização nas metrópoles
Obra publicada pela Editora Cachalote mergulha na complexidade das relações urbanas e questiona a indiferença social
Afirmação da soberania e a trégua com Trump
O Brasil não apenas voltou à cena internacional, mas também é um país soberano com voz ativa nos principais assuntos
O “Future-se” no capitalismo dependente brasileiro
A avaliação dos reais objetivos e do significado do Future-se, a recente proposta do governo Bolsonaro para às Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), exige, necessariamente, a compreensão da natureza estrutural do capitalismo dependente brasileiro e de sua burguesia.
Esquerda reconciliada
O concílio, expressão derivada do latim concilium, originalmente designa reuniões, assembleias e conselhos, quando transformada em verbo está associada à construção de acordo, de alianças, de paz nas relações e de harmonia. Para partes inconciliadas, agir junto e compatibilizar entendimentos é uma impossibilidade. Ao que tudo indica, as esquerdas brasileiras sofrem duas inconciliações, uma entre elas e outra com uma boa parte da sociedade civil.
Ação desastrosa da Prefeitura empareda moradias na região da Luz
Ao invés de propor soluções às demandas habitacionais da população no centro de São Paulo, intervenções públicas removem pessoas, inflam a necessidade por auxílio aluguel, agravam a situação das famílias mais vulneráveis e aumentam a demanda por moradia. A ação desastrosa é um triste exemplo de como a ação direta do poder público tem feito crescer o déficit habitacional da cidade.
A Amazônia e o óleo que inflama o fogo
O crescente interesse global sobre a Amazônia não pode ser visto apenas como manifestação da comunidade internacional em favor da preservação do meio ambiente. As recentes declarações do presidente francês Emmanuel Macron alertando para as queimadas como um problema internacional devem ser observados em conjunto com os interesses petroeconômicos da francesa Total.
Amazônia e uma pós-verdade inconveniente
A pós-verdade soa como um eufemismo inconveniente, uma vez que este, por definição, cumpre a função de suavizar uma expressão ou evento de carga negativa. As imagens de satélites da Nasa e as nuvens de fumaça que cobrem os céus de boa parte do país, porém, dispensam figuras de linguagem contraproducentes. O cenário caótico, mais do que nunca, justifica alarmismos e sobressaltos, exigindo ações rápidas para conter as chamas que se espalharam da democracia brasileira para a floresta amazônica.
O “necroambiente” brasileiro e a política da devastação
A extração e utilização dos recursos naturais sem qualquer fiscalização por parte dos órgãos ambientais, a longo prazo, pode representar severos problemas no desenvolvimento do país, em especial, se persistir a tendência do atual governo em flexibilizar a proteção do meio ambiente a pretexto de progredir economicamente o país.
Herzer queria que as pessoas fossem mais humanas
Entrevista com Eduardo Suplicy: a história de Anderson Herzer
A pejotização como via para a terceirização de indivíduos
A pejotização “inova” nas relações laborais, ao estabelecer uma via contratual híbrida, dotada de aspectos jurídicos relativos a empregados, terceirizados, autônomos e empreendedores em um único sujeito: o trabalhador-empresa. Assim, a terceirização, que seria de processos, encontra uma controversa brecha que permite sua operacionalização direta sobre o trabalhador, estabelecendo a “terceirização individual”, elemento até então estranho às relações trabalhistas.
Liberdade como fundamento, igualdade como tática, fraternidade como estratégia
Hoje, qualquer um é produtor de conteúdo; do conteúdo que desejar e não precisa se basear em fatos, basta ter, como dizem, uma opinião. O “opinismo” é a tônica e é tanto mais forte, quanto mais poder a pessoa que dele lança mão, tiver. Mas afinal, quem irá pendurar o guizo da verdade fundamentada, no gato poderoso que se acha a reencarnação de Deus, na terra? Nelson Rodrigues dizia, com propriedade, que poucas coisas são mais perigosas do que um idiota com iniciativa e poder. Tristes tempos, estes! Tristes e perigosos.
As disputas monetárias internacionais e a posição do Brasil
A descoberta do pré-sal redesenhou o Brasil na geopolítica mundial do petróleo que, sob o resguardo da legislação de 2010, potencializava a atuação da política externa brasileira, voltada, desde 2003, a uma inserção mais autônoma, com base no multilateralismo e no eixo sul-sul. Combinado a isso, em 2014, a VI Cúpula dos BRICS ocorreu em Fortaleza, onde se anunciou tanto a assinatura do acordo constitutivo do Novo Banco de Desenvolvimento quanto a assinatura do tratado para o estabelecimento do Arranjo Contingente de Reservas.
Do reconhecimento à superação da fome
Talvez por conta dos efeitos devastadores ou das fortíssimas imagens que produz, a inanição segue servindo para que que se encubra o drama da fome parcial. No entanto, isso não é suficiente para explicar a tão duradoura ocultação do fenômeno. É necessário reconhecer que há uma utilização, no mínimo, ambígua dos conceitos de insegurança alimentar, subnutrição e fome, o que não apenas prejudica a compreensão da realidade, como também difunde falsos consensos habilmente utilizados para justificar a manutenção de relações econômicas e sociais responsáveis pela fome.
O risco à inovação e o descaso com a vida
A decisão de Bolsonaro de suspender as PDP atinge dezenove laboratórios brasileiros, dos quais sete são públicos. A Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), atingida pela medida do governo, fornece ao MS vacinas 30% mais baratas do que o preço de mercado, proporcionando ao Sistema Único de Saúde (SUS) economia anual de R$ 300 milhões. No que respeita a medicamentos, os laboratórios públicos fornecem ao SUS um valor superior a R$ 1,8 bilhões.
Discriminação de motoristas de aplicativos e o direito à cidade
Enquanto não forem responsabilizados pelo estado e tomarem atitudes mais incisivas sobre o assunto, os aplicativos estarão negando e até mesmo violando o direito à cidade de pessoas negras, LGBTQIs, periféricas, de favelas.
O fim da eleição e a continuidade das tensões na Guatemala
A vitória de Alejandro Giamattei sobre Sandra Torres nem de perto significa trégua aos impasses do país centro-americano
A mestiçagem a partir de Portinari
Se hoje a arte contemporânea pauta constantemente o debate pós-colonial, no passado não era assim: por isso a tela de Portinari é especial. Apesar de, neste caso, temos a repetição comum de um autor branco se debruçando sobre o tema da mestiçagem, a abordagem de Portinari evidencia a consciência de classe do pós-abolição. O mestiço não ilustra apenas um brasileiro nato numa nação construída a partir da mistura violenta de raças. A obra evidencia também a cor da classe trabalhadora do Brasil.
A institucionalização das desigualdades e o populismo xenofóbico
O alvo costumeiro para o sucesso eleitoral são os imigrantes, que supostamente roubariam os postos de trabalho da população nativa e alavancariam a criminalidade. Como consequência, ainda atraídos pela esperança de melhores condições de vida, os fluxos migratórios que partem da periferia em direção ao centro capitalista vêm sendo, com cada vez maior intensidade, repelidos por discursos de ódio e de xenofobia, atos de violência e barreiras físicas.
Para pensar com Hannah Arendt
O esforço reiterado e antigo por justificar publicamente a tortura e a execução arbitrária, dentro de uma ordem constitucional que as interdita, a recusa da humanidade no diferente, a promoção pública do abjeto, as práticas espontâneas e estratégicas para tornar indistintos autoridade e autoritarismo, convidaram-me a pensar com Hannah Arendt. Estendo, então, o convite ao leitor, sabendo que não estaremos sós nem a sós em sua companhia. Arendt tem sido, afinal, referência constante em mídias sociais e artigos de opinião.
Invisíveis no Bel Paese: o drama dos apátridas da Itália
Segundo estimativas da ONU, atualmente há 12 milhões de apátridas no mundo, sendo que 600 mil somente na Europa. Na Itália, estima-se que há entre 3 mil e 15 mil pessoas que são ou que correm risco de se tornarem apátridas, segundo dados divulgados pelo Conselho Italiano para Refugiados (CIR). A maioria é de origem rom, da ex-Iugoslávia. É importante pontuar que os números variam consideravelmente por causa da invisibilidade social que muitos rom apátridas sofrem no país, sem documentação e vivendo marginalizados em campos inacessíveis fora dos grandes centros.
Poder econômico e corrupção para além da Operação Lava Jato
A existência de uma cultura política fraca e de instituições políticas pouco sólidas, criando um clima muito favorável para a desqualificação e a criminalização da política em geral e para a construção de uma opinião pública muito suscetível ao moralismo e desejosa menos de justiça e mais de justiçamentos e linchamentos.
Tecnologia a favor dos migrantes
Aplicativos desenvolvidos sem a colaboração dos próprios migrantes, que coletam dados individuais de usuários e/ou não garantem a segurança desses dados podem pôr em risco populações que são vulneráveis não apenas a ataques xenofóbicos, como a mudanças políticas. Os migrantes temem que seus nomes sejam usados contra eles caso haja uma mudança radical na política migratória do país de destino.

