Diplô Online
A operação nos Complexos do Alemão e da Penha e seus impactos sobre a mobilidade urbana
A chacina do Alemão e da Penha expôs como operações policiais de grande letalidade desorganizam a vida urbana e aprofundam desigualdades, atingindo de forma desproporcional quem depende do transporte público
A história de Margot, cuidadora trans entre resistência e afeto
Num país que envelhece rapidamente e ainda carece de políticas sólidas para o cuidado, histórias como a de Margot revelam o que permanece essencial: a capacidade de ver o outro
Gasto público gera renda, não maior taxa de juros
A disputa em torno da dívida pública e da política fiscal no Brasil opõe visões radicalmente distintas sobre o papel do Estado na economia: de um lado, regras rígidas ancoradas na ideia de escassez; de outro, a compreensão de que o gasto público pode expandir a renda, a poupança e a própria base de sustentação da dívida
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Educação popular e experiência de resistência na Amazônia
A educação libertadora tem entre seus princípios a dialogicidade, a problematização e a reflexão crítica. Onde o diálogo é o instrumento que possibilita desvelar um contexto a partir dos diferentes pontos de vista dos envolvidos, trazendo à tona a problematização
Plataformas digitais, criadores de conteúdo e os desafios do direito do consumidor
A recomendação feita por um criador de conteúdo configura relação de consumo?
Urge julgar os mandantes do caso Marielle
É possível dizermos que somos uma democracia quando uma mulher negra legitimamente eleita é executada e não temos, até hoje, a resolução final desse crime?
A sabotagem da Lei de Cotas Raciais e o racismo institucional por trás dos concursos públicos é tema de livro que será lançado
O livro A mão invisível do racismo institucional e a sabotagem da Lei de Cotas Raciais (Lei nº 12.990/2014), será lançado no dia 28 de outubro
É preciso falar sobre a polícia
Uma pesquisa da União de Moradores e Comerciantes de Paraisópolis mostrou que o Baile da 17 está em quinto lugar apenas na lista de reclamações, na sua frente está por exemplo, as mazelas em volta da coleta de lixo. Somente esse ano existiram por parte da Polícia Militar 45 ações de repressão ao Baile da 17, ou seja, uma questão conhecida e que já se sustenta por um tempo.
Retrato da cultura política dos paulistanos: pouco conhecimento político e muita desconfiança
Pesquisa revela que cidadãos de São Paulo tendem a desconfiar das instituições nas quais têm mais ferramentas para interferir: aquelas vinculadas ao Poder Executivo e ao Legislativo. Apesar de os ocupantes de Câmara Municipal e Prefeitura serem eleitos diretamente pela população e estarem sujeitos a maior escrutínio público, os paulistanos confiam menos em tais instituições que em Forças Armadas, Polícia e Judiciário.
Matar e deixar que se matem
No Brasil, política de segurança é o apelido para um genocídio.
Cachaça: a história oculta da bebida nacional
De acordo com Azevedo, os índios são inseridos no mundo moderno ao substituírem suas bebidas tradicionais, sua embriaguez cerimonial, pela cachaça que servia de instrumento para convencê-los a suportar o trabalho escravo.
Direitos Trabalhistas ou barbárie?
Entender as condições deploráveis dos trabalhadores durante a consolidação do capitalismo industrial tem um efeito pedagógico, pois torna inteligível o histórico de lutas que existe por trás da conquista dos direitos trabalhistas, até então extremamente restritos – quando não inexistentes.
Negros artistas brasileiros dos séculos passados
Alguma vez já passou pela sua cabeça chamar Pablo Picasso de “Pablinho” Picasso? Ou chamar Pollock de “Jacksonzinho”? Jamais, acredito. Infelizmente não é o caso de outro artista brasileiro do pré-abolição, Miguel Arcanjo Benício de Assumpção Dutra. Com um nome tão bonito e pomposo, ficou conhecido como Miguelzinho Dutra, assim como Antônio Lisboa virou “Aleijadinho”.
Um difícil acordo dentro das transformações neoliberais
Desde o referendo de 24 de junho de 2016, que aprovou pela saída do Reino Unido da União Europeia, a situação permanece indefinida, tendo ocorrido dezenas de rodadas de negociações em Bruxelas na preparação de um projeto de desligamento de alguns setores e reorganização de outros nas relações entre o bloco europeu e o país. Portanto, não há consenso, nem mesmo entre as elites políticas.
Entrevista com Noam Chomsky: o maior desafio ao poder estatal
Os governos do Reino Unido e dos EUA estão usando o tratamento horrendo de whistleblowers como Chelsea Manning e editores como Julian Assange, como exemplo. O tratamento de Julian Assange é um dos casos mais extremos disso. Independentemente de suas opiniões pessoais sobre as decisões dele como editor, é preciso entender que esse caso é simbólico de até que ponto o Estado irá para esmagar a dissidência. A saúde e o bem-estar do fundador do WikiLeaks estão sendo destruídos, descaradamente e à vista do público, por ousar revelar a verdade sobre o governo dos EUA e seus inúmeros crimes de guerra no Iraque, Afeganistão e em todo o mundo. É responsabilidade de jornalistas, e das pessoas que se preocupam com a verdade e que expõem os abusos do poder estatal e corporativo, defender Assange e qualquer pessoa que coloque suas vidas e liberdade em risco. Se já houve um tempo para falar a verdade ao poder, é agora.
Estado de exceção, ditadura militar e vida nua
A polícia – criada na ditadura militar brasileira – nos dias de hoje, tem o poder violento e covarde de torturar e matar, de transformar qualquer indivíduo em “Amarildo”, em sujeito invisível, exercendo o sub-humanismo nas favelas, guetos e periferias. E isso ocorre a despeito da hodierna democracia. Do pós-guerra até os dias atuais, nunca foi proporcionada uma sensação tão intensa de liberdade conectada, ao mesmo tempo, ao poder onipresente da vigilância estatal. Aliás, até aqui, nossa história parece ser a autorealização de um Estado, o qual, ao longo do tempo, agigantou-se quanto a sua vigilância e violência. A KGB, o FBI, a ABIN e a MOSSAD não nos deixa mentir e, coincidentemente, de maneira proporcional, se propagou uma anoréxica liberdade.
“Roda viva” 50 anos depois
O surrealismo político da “nova era” dispensa as caricaturas: a sua mera reprodução cênica é a provocação em si mesma. No centro do palco, um demagogo anuncia cortes e ataques a direitos, absurdos ditos sob gritos de “Mito!”. Outra personagem, Tristeza Cristina, distribui veneno por todos os cantos. Agroboys armados desfilam ao som de sertanejo. Índios se opõem. Ao mesmo tempo, um rapaz com uma câmera enquadra as cenas por ângulos em movimento, tudo é projetado no fundo do palco — cinema, teatro e realidade numa só linguagem.
Universidade, autonomia e sociedade
Os ataques do governo ao sistema público de pesquisa e ensino, tal como ao jornalismo independente, são uma guerra cultural. A metáfora da guerra não tem aqui caráter bélico. Quer chamar a atenção para o fato de se tratar de um ataque sistemático, que tem uma dimensão estratégica e objetivos realmente destrutivos. Sua dimensão estratégica compreende o enquadramento, a ameaça e os inimigos, mas também uma oferta de soluções simples para problemas complexos, que as universidades, ao contrário, enfrentam justamente em sua complexidade.
A importância da volta à terra para os palestinos
“Al Nakba” é como ficou conhecido em árabe (traduzido como “catástrofe”) o processo que culminou na expulsão de 700 mil palestinos de seus territórios, consequência de uma sucessão histórica atrelada à um conflito geopolítico administrado pelo Mandato Britânico na Palestina. O quadro de refugiados é um dos mais graves do mundo: a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) presta hoje assistência à 5.5 milhões de refugiados palestinos forçados a sair de seus territórios – não apenas pela guerra de 1948, mas pelos sucessivos conflitos na região.
A moral e o passado: o “rótulo” Bolsonaro cresce na América Latina
Da Argentina a Honduras, todos os países têm suas versões do presidente brasileiro – que o rodeiam não apenas no nome, mas também no fenômeno social
A filosofia africana e o ensino de filosofia no Brasil
No contexto brasileiro, esta questão é latente no próprio ensino da filosofia no Brasil que historicamente negou ou invisibilizou os conhecimentos relacionados à intelectualidade africana, ignorando a intrínseca relação entre Brasil e África por meio de grande da parte da sua população. Por isso é tão significativo e necessário um momento como este, dentro de uma das maiores associações de filosofia da América Latina, de discutir o tema da filosofia africana e sua relevância no ensino brasileiro.
Comemora Lula, comemoram os golpistas — e, mais ainda, os revanchistas
Por mais inebriante que seja, portanto, a liberdade de Lula após quase dois anos na cadeia sem que tivesse direito a um julgamento justo e imparcial, e em meio a um governo fascista que se valeu da democracia para a cada dia promover um novo golpe contra a sociedade brasileira, caso não encararmos com urgência e a devida honestidade intelectual certas questões, corremos o risco de sermos assombrados pelas consequências de nosso porre incauto nas décadas que virão. E nem são tantas assim. Basicamente uma: por que simplesmente não anular a sentença condenatória de Lula?
O encarceramento em massa de mulheres no Brasil
O número de mulheres presas por tráfico de drogas é três vezes maior que o número de homens presos por esse crime. São 62% e 26%, respectivamente.
Os negros e os universitários
Sucesso incontestável nas políticas públicas das últimas duas décadas, as cotas raciais lidam também com possibilidade de fraude e reacendem a discussão sobre quem é negro no Brasil
Filosofia em disputa
“Em geral, não se reconhece a Filosofia Africana como Filosofia. Quando propomos cursos, disciplinas, grupos de pesquisa, eventos de extensão ou pesquisa e até mesmo disciplinas, a Filosofia Africana é desqualificada como não Filosofia. Enfrentamos a pergunta: ‘existe Filosofia Africana?’, ignorando que ela é uma realidade no mundo há muitos séculos.” Entrevista com o filósofo Eduardo David de Oliveira.
Porque o “doisladismo” é um totalitarismo
O que indica o uso do termo polarização como desqualificador? É um estigma. Sociologicamente, ele é utilizado por uma categoria que reúne líderes de opinião, jornalistas e comentaristas do centro econômico-intelectual do Brasil, isto é, São Paulo e Rio de Janeiro.

