Diplô Online
A guerra contra o Irã: uma leitura em múltiplas escalas
A escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã recoloca o Oriente Médio no centro das tensões internacionais e revela, mais uma vez, a fragilidade da ordem global contemporânea. Longe de ser apenas um episódio isolado, o conflito expõe disputas geopolíticas mais amplas, nas quais se entrelaçam crises internas dos Estados, rearranjos regionais e transformações na hierarquia de poder do sistema internacional
Uma semana sem impostos: da euforia ao colapso do Estado
A tributação é o mecanismo pelo qual a sociedade financia coletivamente aquilo que o mercado, por sua própria natureza, é estruturalmente incapaz de prover
De volta ao bem comum
A reflexão realizada neste texto indica alguns caminhos essenciais na perspectiva de se construir a verdadeira socialização da vida e da felicidade humana em comunhão com a natureza, o que seria a essência da Casa Comum do Papa Francisco
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Itamar Vieira Júnior encerra a ‘Trilogia da Terra’ com ‘Coração sem medo’, romance sobre a luta dos trabalhadores urbanos e rurais
A obra lançada no segundo semestre de 2025 é um romance sobre o que permanece vivo mesmo quando a violência extrema atravessa e devasta as pessoas
Conheça o estado indiano de Kerala, com 16 mil cooperativas controladas por trabalhadores e trabalhadoras
No estado indiano de Kerala, milhares de cooperativas dirigidas por trabalhadores e trabalhadoras mostram como a organização popular e políticas de esquerda transformaram a economia, combateram a pobreza e criaram experiências concretas de um socialismo possível
Petrobras coloca o Brasil na contramão da transição energética
O Brasil não se beneficia dos atuais planos de sua maior empresa também porque a maior parte dos empregos, serviços e contratações gerados pela exploração de petróleo ocorre fora do Brasil
A Lei nº 15.280 e o país que aprendeu a conviver com o indizível
Nova legislação traz o maior endurecimento penal da história contra crimes sexuais, mas a letra fria da norma não resolve a normalização da violência
A BNCC: dilemas, contradições e desafios
Não há como falar em BNCC sem buscar uma definição simples de currículo escolar, algo diferente de um currículo, mais famoso, no qual estão registradas as experiências profissionais e educacionais das pessoas para que possam buscar vagas no mercado de trabalho. Não é desse currículo que falamos. Podemos dizer que o currículo escolar é o conjunto de processos de produção de conhecimento desenvolvidos em/pelas diferentes instituições de ensino.
É preciso falar sobre a polícia
Uma pesquisa da União de Moradores e Comerciantes de Paraisópolis mostrou que o Baile da 17 está em quinto lugar apenas na lista de reclamações, na sua frente está por exemplo, as mazelas em volta da coleta de lixo. Somente esse ano existiram por parte da Polícia Militar 45 ações de repressão ao Baile da 17, ou seja, uma questão conhecida e que já se sustenta por um tempo.
Retrato da cultura política dos paulistanos: pouco conhecimento político e muita desconfiança
Pesquisa revela que cidadãos de São Paulo tendem a desconfiar das instituições nas quais têm mais ferramentas para interferir: aquelas vinculadas ao Poder Executivo e ao Legislativo. Apesar de os ocupantes de Câmara Municipal e Prefeitura serem eleitos diretamente pela população e estarem sujeitos a maior escrutínio público, os paulistanos confiam menos em tais instituições que em Forças Armadas, Polícia e Judiciário.
Matar e deixar que se matem
No Brasil, política de segurança é o apelido para um genocídio.
Cachaça: a história oculta da bebida nacional
De acordo com Azevedo, os índios são inseridos no mundo moderno ao substituírem suas bebidas tradicionais, sua embriaguez cerimonial, pela cachaça que servia de instrumento para convencê-los a suportar o trabalho escravo.
Direitos Trabalhistas ou barbárie?
Entender as condições deploráveis dos trabalhadores durante a consolidação do capitalismo industrial tem um efeito pedagógico, pois torna inteligível o histórico de lutas que existe por trás da conquista dos direitos trabalhistas, até então extremamente restritos – quando não inexistentes.
Negros artistas brasileiros dos séculos passados
Alguma vez já passou pela sua cabeça chamar Pablo Picasso de “Pablinho” Picasso? Ou chamar Pollock de “Jacksonzinho”? Jamais, acredito. Infelizmente não é o caso de outro artista brasileiro do pré-abolição, Miguel Arcanjo Benício de Assumpção Dutra. Com um nome tão bonito e pomposo, ficou conhecido como Miguelzinho Dutra, assim como Antônio Lisboa virou “Aleijadinho”.
Um difícil acordo dentro das transformações neoliberais
Desde o referendo de 24 de junho de 2016, que aprovou pela saída do Reino Unido da União Europeia, a situação permanece indefinida, tendo ocorrido dezenas de rodadas de negociações em Bruxelas na preparação de um projeto de desligamento de alguns setores e reorganização de outros nas relações entre o bloco europeu e o país. Portanto, não há consenso, nem mesmo entre as elites políticas.
Entrevista com Noam Chomsky: o maior desafio ao poder estatal
Os governos do Reino Unido e dos EUA estão usando o tratamento horrendo de whistleblowers como Chelsea Manning e editores como Julian Assange, como exemplo. O tratamento de Julian Assange é um dos casos mais extremos disso. Independentemente de suas opiniões pessoais sobre as decisões dele como editor, é preciso entender que esse caso é simbólico de até que ponto o Estado irá para esmagar a dissidência. A saúde e o bem-estar do fundador do WikiLeaks estão sendo destruídos, descaradamente e à vista do público, por ousar revelar a verdade sobre o governo dos EUA e seus inúmeros crimes de guerra no Iraque, Afeganistão e em todo o mundo. É responsabilidade de jornalistas, e das pessoas que se preocupam com a verdade e que expõem os abusos do poder estatal e corporativo, defender Assange e qualquer pessoa que coloque suas vidas e liberdade em risco. Se já houve um tempo para falar a verdade ao poder, é agora.
Estado de exceção, ditadura militar e vida nua
A polícia – criada na ditadura militar brasileira – nos dias de hoje, tem o poder violento e covarde de torturar e matar, de transformar qualquer indivíduo em “Amarildo”, em sujeito invisível, exercendo o sub-humanismo nas favelas, guetos e periferias. E isso ocorre a despeito da hodierna democracia. Do pós-guerra até os dias atuais, nunca foi proporcionada uma sensação tão intensa de liberdade conectada, ao mesmo tempo, ao poder onipresente da vigilância estatal. Aliás, até aqui, nossa história parece ser a autorealização de um Estado, o qual, ao longo do tempo, agigantou-se quanto a sua vigilância e violência. A KGB, o FBI, a ABIN e a MOSSAD não nos deixa mentir e, coincidentemente, de maneira proporcional, se propagou uma anoréxica liberdade.
“Roda viva” 50 anos depois
O surrealismo político da “nova era” dispensa as caricaturas: a sua mera reprodução cênica é a provocação em si mesma. No centro do palco, um demagogo anuncia cortes e ataques a direitos, absurdos ditos sob gritos de “Mito!”. Outra personagem, Tristeza Cristina, distribui veneno por todos os cantos. Agroboys armados desfilam ao som de sertanejo. Índios se opõem. Ao mesmo tempo, um rapaz com uma câmera enquadra as cenas por ângulos em movimento, tudo é projetado no fundo do palco — cinema, teatro e realidade numa só linguagem.
Universidade, autonomia e sociedade
Os ataques do governo ao sistema público de pesquisa e ensino, tal como ao jornalismo independente, são uma guerra cultural. A metáfora da guerra não tem aqui caráter bélico. Quer chamar a atenção para o fato de se tratar de um ataque sistemático, que tem uma dimensão estratégica e objetivos realmente destrutivos. Sua dimensão estratégica compreende o enquadramento, a ameaça e os inimigos, mas também uma oferta de soluções simples para problemas complexos, que as universidades, ao contrário, enfrentam justamente em sua complexidade.
A importância da volta à terra para os palestinos
“Al Nakba” é como ficou conhecido em árabe (traduzido como “catástrofe”) o processo que culminou na expulsão de 700 mil palestinos de seus territórios, consequência de uma sucessão histórica atrelada à um conflito geopolítico administrado pelo Mandato Britânico na Palestina. O quadro de refugiados é um dos mais graves do mundo: a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) presta hoje assistência à 5.5 milhões de refugiados palestinos forçados a sair de seus territórios – não apenas pela guerra de 1948, mas pelos sucessivos conflitos na região.
A moral e o passado: o “rótulo” Bolsonaro cresce na América Latina
Da Argentina a Honduras, todos os países têm suas versões do presidente brasileiro – que o rodeiam não apenas no nome, mas também no fenômeno social
A filosofia africana e o ensino de filosofia no Brasil
No contexto brasileiro, esta questão é latente no próprio ensino da filosofia no Brasil que historicamente negou ou invisibilizou os conhecimentos relacionados à intelectualidade africana, ignorando a intrínseca relação entre Brasil e África por meio de grande da parte da sua população. Por isso é tão significativo e necessário um momento como este, dentro de uma das maiores associações de filosofia da América Latina, de discutir o tema da filosofia africana e sua relevância no ensino brasileiro.
Comemora Lula, comemoram os golpistas — e, mais ainda, os revanchistas
Por mais inebriante que seja, portanto, a liberdade de Lula após quase dois anos na cadeia sem que tivesse direito a um julgamento justo e imparcial, e em meio a um governo fascista que se valeu da democracia para a cada dia promover um novo golpe contra a sociedade brasileira, caso não encararmos com urgência e a devida honestidade intelectual certas questões, corremos o risco de sermos assombrados pelas consequências de nosso porre incauto nas décadas que virão. E nem são tantas assim. Basicamente uma: por que simplesmente não anular a sentença condenatória de Lula?
O encarceramento em massa de mulheres no Brasil
O número de mulheres presas por tráfico de drogas é três vezes maior que o número de homens presos por esse crime. São 62% e 26%, respectivamente.
Os negros e os universitários
Sucesso incontestável nas políticas públicas das últimas duas décadas, as cotas raciais lidam também com possibilidade de fraude e reacendem a discussão sobre quem é negro no Brasil
Filosofia em disputa
“Em geral, não se reconhece a Filosofia Africana como Filosofia. Quando propomos cursos, disciplinas, grupos de pesquisa, eventos de extensão ou pesquisa e até mesmo disciplinas, a Filosofia Africana é desqualificada como não Filosofia. Enfrentamos a pergunta: ‘existe Filosofia Africana?’, ignorando que ela é uma realidade no mundo há muitos séculos.” Entrevista com o filósofo Eduardo David de Oliveira.

