Diplô Online
Estados Unidos, Venezuela, segurança nacional e eleições brasileiras
O ataque dos Estados Unidos à Venezuela, país que faz fronteira com o Brasil, deve acender um alerta sobre a proteção da democracia brasileira em ano eleitoral
As universidades públicas reféns do clientelismo parlamentar
Dados parecem indicar um menor interesse dos parlamentares pela ciência em si, uma vez que as universidades oferecem maior alcance, sobretudo por meio de projetos de extensão
O Brasil, os EUA e a desordem mundial
A Venezuela foi atacada por Trump por dois motivos. Primeiro, pelo interesse econômico em controlar as jazidas de petróleo sob controle estatal. Segundo, pelo interesse político em promover a mudança de um governo contrário a Washington. E o Brasil? Será o próximo da lista?
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Tem um jumento na sala da COP 30
Como é possível o Brasil proferir um discurso de bioeconomia se permite atividades insustentáveis como o abate de jumentos?
Diante do mal, a síndrome do fascínio canibal
No mundo salvacionista ocidental-cristão, cabe, numa distorção da realidade, a defesa de uma chacina e até mesmo aplausos
Como a série ‘Tremembé’ expõe o mercado da fé nas prisões brasileiras
A nova produção da Amazon Prime Video escancara o que a sociedade tenta ignorar: dentro dos presídios, a fé virou moeda de troca e a salvação, um produto com valor de controle
Crise do capitalismo, rentismo e a obstrução da soberania popular
A crise estrutural do capitalismo ultraneoliberal, o avanço do neofascismo e a erosão democrática impõem urgência à análise. Este texto se propõe a uma leitura crítica de um processo histórico em aberto, marcado pela profunda contradição entre capital e trabalho, entre soberania popular e o poder absoluto das finanças. Ancorada na perspectiva marxista da totalidade, a análise compreende a crise em sua articulação entre economia, ideologia, política e cultura (estrutura e superestrutura). O recorte temporal, de janeiro de 2023 a 2025, examina a decomposição democrática após os atos golpistas, percebidos como sintoma de uma crise mais ampla
É preciso falar sobre a polícia
Uma pesquisa da União de Moradores e Comerciantes de Paraisópolis mostrou que o Baile da 17 está em quinto lugar apenas na lista de reclamações, na sua frente está por exemplo, as mazelas em volta da coleta de lixo. Somente esse ano existiram por parte da Polícia Militar 45 ações de repressão ao Baile da 17, ou seja, uma questão conhecida e que já se sustenta por um tempo.
Retrato da cultura política dos paulistanos: pouco conhecimento político e muita desconfiança
Pesquisa revela que cidadãos de São Paulo tendem a desconfiar das instituições nas quais têm mais ferramentas para interferir: aquelas vinculadas ao Poder Executivo e ao Legislativo. Apesar de os ocupantes de Câmara Municipal e Prefeitura serem eleitos diretamente pela população e estarem sujeitos a maior escrutínio público, os paulistanos confiam menos em tais instituições que em Forças Armadas, Polícia e Judiciário.
Matar e deixar que se matem
No Brasil, política de segurança é o apelido para um genocídio.
Cachaça: a história oculta da bebida nacional
De acordo com Azevedo, os índios são inseridos no mundo moderno ao substituírem suas bebidas tradicionais, sua embriaguez cerimonial, pela cachaça que servia de instrumento para convencê-los a suportar o trabalho escravo.
Direitos Trabalhistas ou barbárie?
Entender as condições deploráveis dos trabalhadores durante a consolidação do capitalismo industrial tem um efeito pedagógico, pois torna inteligível o histórico de lutas que existe por trás da conquista dos direitos trabalhistas, até então extremamente restritos – quando não inexistentes.
Negros artistas brasileiros dos séculos passados
Alguma vez já passou pela sua cabeça chamar Pablo Picasso de “Pablinho” Picasso? Ou chamar Pollock de “Jacksonzinho”? Jamais, acredito. Infelizmente não é o caso de outro artista brasileiro do pré-abolição, Miguel Arcanjo Benício de Assumpção Dutra. Com um nome tão bonito e pomposo, ficou conhecido como Miguelzinho Dutra, assim como Antônio Lisboa virou “Aleijadinho”.
Um difícil acordo dentro das transformações neoliberais
Desde o referendo de 24 de junho de 2016, que aprovou pela saída do Reino Unido da União Europeia, a situação permanece indefinida, tendo ocorrido dezenas de rodadas de negociações em Bruxelas na preparação de um projeto de desligamento de alguns setores e reorganização de outros nas relações entre o bloco europeu e o país. Portanto, não há consenso, nem mesmo entre as elites políticas.
Entrevista com Noam Chomsky: o maior desafio ao poder estatal
Os governos do Reino Unido e dos EUA estão usando o tratamento horrendo de whistleblowers como Chelsea Manning e editores como Julian Assange, como exemplo. O tratamento de Julian Assange é um dos casos mais extremos disso. Independentemente de suas opiniões pessoais sobre as decisões dele como editor, é preciso entender que esse caso é simbólico de até que ponto o Estado irá para esmagar a dissidência. A saúde e o bem-estar do fundador do WikiLeaks estão sendo destruídos, descaradamente e à vista do público, por ousar revelar a verdade sobre o governo dos EUA e seus inúmeros crimes de guerra no Iraque, Afeganistão e em todo o mundo. É responsabilidade de jornalistas, e das pessoas que se preocupam com a verdade e que expõem os abusos do poder estatal e corporativo, defender Assange e qualquer pessoa que coloque suas vidas e liberdade em risco. Se já houve um tempo para falar a verdade ao poder, é agora.
Estado de exceção, ditadura militar e vida nua
A polícia – criada na ditadura militar brasileira – nos dias de hoje, tem o poder violento e covarde de torturar e matar, de transformar qualquer indivíduo em “Amarildo”, em sujeito invisível, exercendo o sub-humanismo nas favelas, guetos e periferias. E isso ocorre a despeito da hodierna democracia. Do pós-guerra até os dias atuais, nunca foi proporcionada uma sensação tão intensa de liberdade conectada, ao mesmo tempo, ao poder onipresente da vigilância estatal. Aliás, até aqui, nossa história parece ser a autorealização de um Estado, o qual, ao longo do tempo, agigantou-se quanto a sua vigilância e violência. A KGB, o FBI, a ABIN e a MOSSAD não nos deixa mentir e, coincidentemente, de maneira proporcional, se propagou uma anoréxica liberdade.
“Roda viva” 50 anos depois
O surrealismo político da “nova era” dispensa as caricaturas: a sua mera reprodução cênica é a provocação em si mesma. No centro do palco, um demagogo anuncia cortes e ataques a direitos, absurdos ditos sob gritos de “Mito!”. Outra personagem, Tristeza Cristina, distribui veneno por todos os cantos. Agroboys armados desfilam ao som de sertanejo. Índios se opõem. Ao mesmo tempo, um rapaz com uma câmera enquadra as cenas por ângulos em movimento, tudo é projetado no fundo do palco — cinema, teatro e realidade numa só linguagem.
Universidade, autonomia e sociedade
Os ataques do governo ao sistema público de pesquisa e ensino, tal como ao jornalismo independente, são uma guerra cultural. A metáfora da guerra não tem aqui caráter bélico. Quer chamar a atenção para o fato de se tratar de um ataque sistemático, que tem uma dimensão estratégica e objetivos realmente destrutivos. Sua dimensão estratégica compreende o enquadramento, a ameaça e os inimigos, mas também uma oferta de soluções simples para problemas complexos, que as universidades, ao contrário, enfrentam justamente em sua complexidade.
A importância da volta à terra para os palestinos
“Al Nakba” é como ficou conhecido em árabe (traduzido como “catástrofe”) o processo que culminou na expulsão de 700 mil palestinos de seus territórios, consequência de uma sucessão histórica atrelada à um conflito geopolítico administrado pelo Mandato Britânico na Palestina. O quadro de refugiados é um dos mais graves do mundo: a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) presta hoje assistência à 5.5 milhões de refugiados palestinos forçados a sair de seus territórios – não apenas pela guerra de 1948, mas pelos sucessivos conflitos na região.
A moral e o passado: o “rótulo” Bolsonaro cresce na América Latina
Da Argentina a Honduras, todos os países têm suas versões do presidente brasileiro – que o rodeiam não apenas no nome, mas também no fenômeno social
A filosofia africana e o ensino de filosofia no Brasil
No contexto brasileiro, esta questão é latente no próprio ensino da filosofia no Brasil que historicamente negou ou invisibilizou os conhecimentos relacionados à intelectualidade africana, ignorando a intrínseca relação entre Brasil e África por meio de grande da parte da sua população. Por isso é tão significativo e necessário um momento como este, dentro de uma das maiores associações de filosofia da América Latina, de discutir o tema da filosofia africana e sua relevância no ensino brasileiro.
Comemora Lula, comemoram os golpistas — e, mais ainda, os revanchistas
Por mais inebriante que seja, portanto, a liberdade de Lula após quase dois anos na cadeia sem que tivesse direito a um julgamento justo e imparcial, e em meio a um governo fascista que se valeu da democracia para a cada dia promover um novo golpe contra a sociedade brasileira, caso não encararmos com urgência e a devida honestidade intelectual certas questões, corremos o risco de sermos assombrados pelas consequências de nosso porre incauto nas décadas que virão. E nem são tantas assim. Basicamente uma: por que simplesmente não anular a sentença condenatória de Lula?
O encarceramento em massa de mulheres no Brasil
O número de mulheres presas por tráfico de drogas é três vezes maior que o número de homens presos por esse crime. São 62% e 26%, respectivamente.
Os negros e os universitários
Sucesso incontestável nas políticas públicas das últimas duas décadas, as cotas raciais lidam também com possibilidade de fraude e reacendem a discussão sobre quem é negro no Brasil
Filosofia em disputa
“Em geral, não se reconhece a Filosofia Africana como Filosofia. Quando propomos cursos, disciplinas, grupos de pesquisa, eventos de extensão ou pesquisa e até mesmo disciplinas, a Filosofia Africana é desqualificada como não Filosofia. Enfrentamos a pergunta: ‘existe Filosofia Africana?’, ignorando que ela é uma realidade no mundo há muitos séculos.” Entrevista com o filósofo Eduardo David de Oliveira.
Porque o “doisladismo” é um totalitarismo
O que indica o uso do termo polarização como desqualificador? É um estigma. Sociologicamente, ele é utilizado por uma categoria que reúne líderes de opinião, jornalistas e comentaristas do centro econômico-intelectual do Brasil, isto é, São Paulo e Rio de Janeiro.

