Julho 2013

Edição 72

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EDITORIAL

Para onde vai o governo?

Silvio Caccia Bava


TURQUIA

Economia em expansão, povo na rua

Em junho, dezenas de milhares de pessoas, agrupadas em torno da Praça Taksim, mas também em toda a Turquia, desafiaram o governo e denunciaram os desvios autoritários do presidente Erdogan. Ainda que este tenha conseguido se recompor e a contestação tenha acalmado, o movimento de múltiplas facetas reflete mudançasTristan Coloma


A FALSA OPOSIÇÃO ENTRE ESTÉTICA E ENGAJAMENTO

Arte e política, a ação irmã do sonho

Há tempos, a arte “engajada” é suspeita de trair a causa… da arte. Houve casos de destruidores da criação submissos a dogmas oficiais e obras reduzidas à expressão de uma tese. Mas, por outro lado, as escolhas estéticas sempre se inscreveram em um conjunto de valores políticosEvelyne Pieiller


ARROCHO E DEMOCRACIA

Idade Média europeia

Os especuladores saíram de cena sem perder um centavo dos empréstimos que tinham concedido a Atenas com taxas e juros astronômicasSerge Halimi


3° FALP

Transformar a vida

O 3º Fórum Mundial de Autoridades Locais de Periferia (Falp) ocorreu de 11 a 13 de junho em Canoas (RS) e reuniu mais de 2 mil pessoas e representantes de duzentas cidades de trinta países de cinco continentes. Veja abaixo o discurso do prefeito de Canoas, Jairo Jorge, proferido durante o encontroJairo Jorge


MOBILIZAÇÕES PELO BRASIL

O junho de 2013

A luta pela revogação do aumento das tarifas de transporte gerou uma revolta nacional que passou a ditar os rumos da agenda pública. A partir da vitória na questão do preço da passagem, o movimento ganhou novas e difusas pautas, disputadas pela esquerda e a direita. Os governos tentam acalmar os movimentosLuís Brasilino|Renato Godoy|Cristiano Navarro


FRANÇA

A face oculta da fraude social

Ministros das Finanças continuam a ver os gastos sociais apenas em termos de custos, o que poderia ameaçar os “equilíbrios orçamentários”. Ora, essa representação ignora o papel central da proteção social: recusar o surgimento e a instalação de uma classe “sem direitos”, proteger os vulneráveis e preservar a cidadaniaPhilippe Warin


MOBILIZAÇÕES PELO BRASIL

Um Brasil sem catracas

O passe livre, ou tarifa zero, é possível. Trata-se de transferir o custo dos serviços públicos de transporte para a conta da sociedade como um todo, não do usuário; desmercantilizar esse serviço público, transformá-lo em bem público à disposição de todosSilvio Caccia Bava


MOBILIZAÇÕES PELO BRASIL

As ruas e o vaivém da mídia

Entusiastas das manifestações “pacíficas”, as emissoras, no entanto, não se cansavam de mostrar atos de vandalismo, sem nunca tentar descobrir de onde eles partiam e com que intenções. O importante era o espetáculo das chamas e da destruição, capaz de conquistar alguns pontos a mais de audiênciaLaurindo Leal Filho


MOBILIZAÇÕES PELO BRASIL

As plataformas de organização

Um movimento que se constrói de forma auto-organizada e autônoma deve ser protagonista de sua própria arquitetura informacional, e isso será conseguido com a criação de plataformas de código aberto, desenhadas para facilitar o trabalho colaborativo, e não para acumular amigosLuis Eduardo Tavares


MOBILIZAÇÕES PELO BRASIL

O jornalista como alvo

Repórteres enviados para cobrir as marchas têm sido tratados como alvo tanto pela polícia quanto por manifestantes. Quase vinte comunicadores foram agredidos. A consequência mais visível é o distanciamento entre o repórter e o fato, prejudicando a qualidade da informação entregue ao públicoJoão Paulo Charleaux


MOBILIZAÇÕES PELO BRASIL

O movimento recente das greves

A mudança no panorama das negociações dos reajustes salariais é tão evidente que, nos últimos anos, o centro do debate das campanhas salariais deixou de ser a simples reposição das perdas inflacionárias e passou a ser a magnitude dos aumentos reais, a distribuição de renda e os ganhos de produtividadeLuís Augusto Ribeiro da Costa|Ana Clara Demarchi Bellan|Rodrigo Linhares|Victor Gnecco Soares Pagani


EQUILÍBRIO DE FORÇAS, DESEQUILÍBRIO DAS VONTADES

Do impasse sírio à guerra regional

A situação militar recente na Síria foi marcada pela vitória das tropas oficiais, apoiadas pelo Hezbollah, em Qusayr, e pela decisão dos Estados Unidos de armar os insurgentes. Nada prenuncia o fim dos enfrentamentos. Pelo contrário: o conflito toma um rumo confessional e se espalha para toda a regiãoAlain Gresh


CRISE NA ESPANHA

Marinaleda, último vilarejo gaulês ou uma enganação?

Na pequena comunidade espanhola, o velho sonho da “terra para aquele que nela trabalha” se transformou em realidade. Ao mesmo tempo, terminou o desemprego endêmico, a imigração cessou e cada trabalhador recebe um salário idêntico. O aluguel custa 15 euros, ao passo que, pelo valor de mercado, seria de 300 eurosGilbert Haffner


EMPODERAMENTO DA SOCIEDADE

Como radicalizar a democratização?

Vivemos um perigoso momento em que, por um lado, a legalidade formal e, por outro, o poder real das grandes corporações econômico-financeiras asfixiam a democracia e tomam a primazia sobre a legitimidade instituinte e constituinte da luta cidadã, da cidadania ativa que brota da sociedade civilCândido Grzybowski


MERCADO

Ao entrar na União Europeia, a Croácia dá adeus aos seus navios

Aprontando-se para integrar a União Europeia, em 1º de julho, Zagreb lançou um vasto programa de privatizações que atinge em particular uma de suas indústrias mais antigas: a construção navalJean-Arnault Dérens


COREIA DO SUL

Samsung e o império do medo

Seu tablet Galaxy a impulsionou ao topo do mercado, a ponto de ultrapassar a Apple. A Samsung e sua concorrente travam uma guerra sem piedade diante dos tribunais. Mas, para além da eletrônica, o grupo sul-coreano constitui um conglomerado tão potente que influencia a política, a justiça e a imprensa de seu paísMartine Bulard


ELETRICIDADE VERDE, ÁLIBI DA PRIVATIZAÇÃO

Renovar as fontes de energia é suficiente?

Na Europa, a transição para fontes renováveis de eletricidade encontra um obstáculo considerável: a rede de alta-tensão, mal-adaptada aos fluxos intermitentes dos parques eólicos e solares. Sua modernização sancionará uma escolha política: a energia é um bem comum ou uma mercadoria?Aurélien Bernier


ECONOMIA DO AGRONEGÓCIO (ANOS 2000)

Pacto de poder com os donos da terra

A economia do agronegócio como pacto de poder representa uma estratégia fundamental de captura da renda da terra, à revelia dos interesses mais gerais do país, que aí não cabem. Esse pacto, contudo, é uma construção hegemônica moderna, e não uma dominação clássica ao estilo “latifúndio improdutivo”Guilherme C. Delgado


A FÁBRICA DE SONHOS DA GLOBO

Novelas, a construção de uma nação de telespectadores

Promovidas sob a ditadura para conectar o país, as novelas brasileiras evoluíram. Acompanhadas pelo conjunto da população, elas representam um espelho para uma sociedade em efervescência. A transformação do gigante não pode ser resumida pela divisa “ordem e progresso”, como mostram as recentes manifestações de ruaLamia Oualalou


CIDADES

A ética do capitalismo e o saneamento no Brasil

O quadro do saneamento segue compondo uma das mais iníquas e excludentes políticas sociais do país. Embora com perspectivas otimistas, como a criação do Plano Nacional, os sinais emitidos pelo governo são ambíguos. Entre Estado e mercado, o capitalismo brasileiro vem oscilando e a população sentirá as consequênciasLéo Heller


OS INTERESSES DA GRANDES POTÊNCIAS

Como a saúde se tornou um desafio geopolítico

Nem o altruísmo nem a filantropia explicam a preocupação das grandes potências com a saúde mundial, mas sim interesses econômicos, geopolíticos e de segurança. Contudo, a Europa poderia utilizar melhor os fundos concedidos às instituições internacionaisDominique Kerouedan