Diplô Online
Um filme que estará lá quando a gente voltar
O Agente Secreto, em sua intersecção entra a realidade da ficção e a ficção da realidade, apresenta-se como uma espécie de filme-arquivo sobre o estado de espírito de uma época, mas cujo espectro, para o bem e para o mal, ainda assombra o Brasil que conhecemos hoje
Quando o discurso se torna mais importante que a realidade
O problema é mais civilizacional do que partidário. Vivemos uma era em que o discurso vale mais que o dado, e a virtude moral substitui a evidência
Celebração de pequenos avanços de um lado e colonialismo turbinado de outro?
Fala xenófoba de chanceler alemão e postura de obstrução de negociações da Uniao Europeia são incêndios que se mantêm após fim da conferência
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Chegamos ao poder com uma plataforma de esquerda, mas governamos para o mercado
Esse foi o diagnóstico preciso apresentado pelo Presidente Lula durante reunião na ONU na última semana
Diplomacia verde, desigualdades negras
A nova obra, Multilateralismo ambiental e discriminação racial, parte de uma questão incontornável: como articular a agenda ambiental global às lutas contra a discriminação racial, num momento em que as crises climáticas e sociais se entrelaçam?
11ª edição da Feira Literária da Zona Sul de SP tematiza a memória e resistência das periferias em forma de arte
A 11º edição da FELIZS homenageia Ana Dias em programação diversa no Parque Santo Dias
Isto não é literatura
Na literatura podemos compreender a prosa ficcional como instrumento de revelação e, ao mesmo tempo, de ação e de criação da realidade
Estado de exceção, ditadura militar e vida nua
A polícia – criada na ditadura militar brasileira – nos dias de hoje, tem o poder violento e covarde de torturar e matar, de transformar qualquer indivíduo em “Amarildo”, em sujeito invisível, exercendo o sub-humanismo nas favelas, guetos e periferias. E isso ocorre a despeito da hodierna democracia. Do pós-guerra até os dias atuais, nunca foi proporcionada uma sensação tão intensa de liberdade conectada, ao mesmo tempo, ao poder onipresente da vigilância estatal. Aliás, até aqui, nossa história parece ser a autorealização de um Estado, o qual, ao longo do tempo, agigantou-se quanto a sua vigilância e violência. A KGB, o FBI, a ABIN e a MOSSAD não nos deixa mentir e, coincidentemente, de maneira proporcional, se propagou uma anoréxica liberdade.
“Roda viva” 50 anos depois
O surrealismo político da “nova era” dispensa as caricaturas: a sua mera reprodução cênica é a provocação em si mesma. No centro do palco, um demagogo anuncia cortes e ataques a direitos, absurdos ditos sob gritos de “Mito!”. Outra personagem, Tristeza Cristina, distribui veneno por todos os cantos. Agroboys armados desfilam ao som de sertanejo. Índios se opõem. Ao mesmo tempo, um rapaz com uma câmera enquadra as cenas por ângulos em movimento, tudo é projetado no fundo do palco — cinema, teatro e realidade numa só linguagem.
Universidade, autonomia e sociedade
Os ataques do governo ao sistema público de pesquisa e ensino, tal como ao jornalismo independente, são uma guerra cultural. A metáfora da guerra não tem aqui caráter bélico. Quer chamar a atenção para o fato de se tratar de um ataque sistemático, que tem uma dimensão estratégica e objetivos realmente destrutivos. Sua dimensão estratégica compreende o enquadramento, a ameaça e os inimigos, mas também uma oferta de soluções simples para problemas complexos, que as universidades, ao contrário, enfrentam justamente em sua complexidade.
A importância da volta à terra para os palestinos
“Al Nakba” é como ficou conhecido em árabe (traduzido como “catástrofe”) o processo que culminou na expulsão de 700 mil palestinos de seus territórios, consequência de uma sucessão histórica atrelada à um conflito geopolítico administrado pelo Mandato Britânico na Palestina. O quadro de refugiados é um dos mais graves do mundo: a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) presta hoje assistência à 5.5 milhões de refugiados palestinos forçados a sair de seus territórios – não apenas pela guerra de 1948, mas pelos sucessivos conflitos na região.
A moral e o passado: o “rótulo” Bolsonaro cresce na América Latina
Da Argentina a Honduras, todos os países têm suas versões do presidente brasileiro – que o rodeiam não apenas no nome, mas também no fenômeno social
A filosofia africana e o ensino de filosofia no Brasil
No contexto brasileiro, esta questão é latente no próprio ensino da filosofia no Brasil que historicamente negou ou invisibilizou os conhecimentos relacionados à intelectualidade africana, ignorando a intrínseca relação entre Brasil e África por meio de grande da parte da sua população. Por isso é tão significativo e necessário um momento como este, dentro de uma das maiores associações de filosofia da América Latina, de discutir o tema da filosofia africana e sua relevância no ensino brasileiro.
Comemora Lula, comemoram os golpistas — e, mais ainda, os revanchistas
Por mais inebriante que seja, portanto, a liberdade de Lula após quase dois anos na cadeia sem que tivesse direito a um julgamento justo e imparcial, e em meio a um governo fascista que se valeu da democracia para a cada dia promover um novo golpe contra a sociedade brasileira, caso não encararmos com urgência e a devida honestidade intelectual certas questões, corremos o risco de sermos assombrados pelas consequências de nosso porre incauto nas décadas que virão. E nem são tantas assim. Basicamente uma: por que simplesmente não anular a sentença condenatória de Lula?
O encarceramento em massa de mulheres no Brasil
O número de mulheres presas por tráfico de drogas é três vezes maior que o número de homens presos por esse crime. São 62% e 26%, respectivamente.
Os negros e os universitários
Sucesso incontestável nas políticas públicas das últimas duas décadas, as cotas raciais lidam também com possibilidade de fraude e reacendem a discussão sobre quem é negro no Brasil
Filosofia em disputa
“Em geral, não se reconhece a Filosofia Africana como Filosofia. Quando propomos cursos, disciplinas, grupos de pesquisa, eventos de extensão ou pesquisa e até mesmo disciplinas, a Filosofia Africana é desqualificada como não Filosofia. Enfrentamos a pergunta: ‘existe Filosofia Africana?’, ignorando que ela é uma realidade no mundo há muitos séculos.” Entrevista com o filósofo Eduardo David de Oliveira.
Porque o “doisladismo” é um totalitarismo
O que indica o uso do termo polarização como desqualificador? É um estigma. Sociologicamente, ele é utilizado por uma categoria que reúne líderes de opinião, jornalistas e comentaristas do centro econômico-intelectual do Brasil, isto é, São Paulo e Rio de Janeiro.
Imigrantes e refugiados negros na cidade de São Paulo
“Pra mim, refugiado é uma categoria da ONU e tá incompleta… Aqui no Brasil, a gente tem refugiado branco e refugiado negro. Todo mundo prefere refugiado sírio. A Síria tá em guerra há seis anos, o Congo tá em guerra há vinte! (…) O sírio, ele vai ser comerciante, dono de restaurante… o africano e o haitiano vão ser garçom, pedreiro… essas coisas, e se conseguir trabalhar. Na ocupação, você não encontra sírio, mas encontra haitiano, congolês, nigeriano. Quem vai morar na rua é africano, haitiano… então, tem refúgio branco e refúgio negro no Brasil. Pro negro é diferente. É por isso que ninguém sabe o que tá acontecendo no Congo.” ( Registro de campo de pesquisa etnográfica)
Dualidade brasileira: da Faria Lima ao Sertão
É bem verdade que a inflação está em patamares historicamente baixos. Todavia, é importante questionar até que ponto ela não está controlada, pois vivemos uma das maiores crises no Brasil, caracterizada pela precarização no mercado de trabalho, poder de compra baixo e desemprego alto. Estes fatores certamente contribuem para a inflação estar “controlada”.
O transporte público é direito, não mercadoria
Não é possível tratar deste tema sem assegurar mobilidade, moradia, infraestrutura urbana, serviços públicos, meio ambiente, participação democrática. O “Direito à Cidade” não é apenas a soma destes direitos, mas a relação entre eles.
Conflito político, presidencialismo e sociedade civil no governo Bolsonaro
O argumento central diz respeito a uma proposta de análise de conjuntura da política brasileira: Bolsonaro e os seus filhos mantêm um projeto político de caráter societário assombroso, buscando deslegitimar e perseguir a sociedade civil, cujo conflito político está instaurado a partir do gabinete que abriga a presidência da república, esgarçando a vocação do cargo para a moderação e o equilíbrio institucional entre os poderes e a governabilidade.
Cultura não é turismo
Defesa do patrimônio não significa abertura ao turismo ou incentivo à visitação. Tomemos como exemplo a Cachoeira Sagrada de Iauaretê, reconhecida patrimônio imaterial e inscrita no Livro de Registro de Lugares em 2006. O local é considerado sagrado aos povos indígenas dos rios Uaupés e Papuri, no Amazonas.
Bolsonarismo sem confiança do investidor estrangeiro
A ausência de estrangeiros no leilão da cessão onerosa e seus resultados constrangedores é o sinal mais visível da desconfiança: não fosse a Petrobrás, o vexame de Paulo Guedes seria ainda maior. O dilema é simples: as bravatas que empolgam os acólitos do bolsonarismo e as milícias digitais não enchem o bolso do Mercado.
Nós podemos reduzir a violência pela metade até 2030
A violência sempre foi um dos maiores desafios globais. Isso porque, durante a maior parte da história humana, éramos assassinos naturais. Centenas de milhões de homens, mulheres e crianças foram mortos ou mutilados por conflitos armados, crimes, extremismo e violência sexual.
O que está por trás do leilão dos excedentes da cessão onerosa
Gestão da política petrolífera brasileira parece obedecer às diretrizes dos países importadores em vez dos produtores de petróleo
Noturno do Chile
A obra do chileno Roberto Bolaño (1953-2003) é marcada pela presença de personagens que aparentam ser conduzidos sobre um país que vive o ponto de passagem compartilhado entre realidade e pesadelo, historicamente situados no período de busca pelos significados deixados entre as ruínas humanas causadas pela ditadura de Augusto Pinochet.

