O que a explosão do Iraque prenuncia

  O que a explosão do Iraque prenuncia A ofensiva do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL) surpreende só aqueles que se desinteressaram pela evolução do país após a retirada das tropas norte-americanas. A incompetência do poder central e sua política favorável aos xiitas criaram as condições para uma insurreição sunita POR PETER …

por em

Rumo ao fim do kirchnerismo na Argentina?

  Buenos Aires, 1o de março de 2014. A presidente Cristina Fernández de Kirchner, recentemente recuperada de uma cirurgia, faz sua entrada no Palácio do Congresso. Construído no final do século XIX, o edifício de inspiração greco-romana simboliza a idade de ouro de uma Argentina inteiramente voltada para a exportação de produtos agrícolas. Cristina acaba …

por em

No Brasil, sons são música!

  A música eletroacústica nasceu como uma experiência sonora filha do cruzamento entre a musique concrète francesa e a elektronische musik alemã. Se o pós-guerra europeu ainda continha rusgas entre Aliados e Eixo, na música eletroacústica não era muito diferente: os alemães trabalhavam com seus geradores de tom como se eles fossem ultrainstrumentistas: os aparelhos …

por em

A dura tarefa de se opor ao que está dando certo

Oposição nos traz a ideia de resistência, de buscar travar um processo que consideramos errado ou nocivo. Os seringueiros se opuseram ao desmatamento, buscavam bloquear as máquinas. É uma guerra dura contra interesses dominantes, mas pelo menos as coisas são claras. Bastante mais complicado é se posicionar quando se trata não de reverter tendências, mas …

por em

Trajetória e deslocamento distributivo no Brasil

A livre evolução das forças de mercado aponta historicamente para a concentração da renda e da riqueza. Pela mão do Estado, a intervenção sobre a dinâmica capitalista permite produzir resultados distintos, dependendo da correlação de forças políticas, capaz de reverter a trajetória distributiva centralizadora na forma de ações institucionais que desloquem fluxos de renda apropriados …

por em

“A culpa é de Obama”?

Estava certo aquele político de Illinois que achava desde outubro de 2002 que uma invasão do Iraque “só faria atiçar as chamas no Oriente Médio, encorajar no mundo árabe os piores impulsos e reforçar o braço recrutador da Al-Qaeda”? Ou teria sido mais visionário que ele o então vice-presidente dos Estados Unidos, que prometeu que …

por em

Descobrindo o tratado

Do que estamos falando? GMT, PTCI, TTIP, APT ou Tafta? Diversas siglas circulam para designar uma mesma realidade, oficialmente conhecida em francês como Partenariat transatlantique sur le commerce et l’investissement (Parceria Transatlântica sobre o Comércio e o Investimento – PTCI) e em inglês como Transatlantic Trade and Investiment Partnership (TTIP). Essa multiplicidade de nomes se …

por em

Dez ameaças aos norte-americanos…

  1 Não respeito dos direitos fundamentais do trabalho. Os Estados Unidos ratificaram apenas duas das oito normas fundamentais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que visam proteger os trabalhadores. Por sua vez, todos os países-membros da União Europeia adotaram as regulamentações promovidas pelo organismo das Nações Unidas. A história sugere que a “harmonização” à …

por em

… e dez ameaças aos europeus

  1 Não respeito dos direitos fundamentais do trabalho. Os Estados Unidos ratificaram apenas duas das oito normas fundamentais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que visam proteger os trabalhadores. Por sua vez, todos os países-membros da União Europeia adotaram as regulamentações promovidas pelo organismo das Nações Unidas. A história sugere que a “harmonização” à …

por em

Os três atos da resistência

Até a assinatura do tratado, diversas etapas devem ser concluídas, o que abre espaço para intervenções. Mandato de negociação. A Comissão Europeia goza do monopólio da iniciativa: ela propõe apenas as recomendações destinadas a enquadrar a negociação de qualquer acordo de comércio ou de livre-troca.1 Reunidos no Conselho Europeu, os Estados-membros deliberam antes de autorizar …

por em

Tailândia: o 12° golpe de Estado

  Desde o fim da monarquia absolutista em 1932, a Tailândia passou por dezessete tentativas de derrubada do governo pelo Exército, doze delas bem-sucedidas. A última foi em 22 de maio de 2014, dois dias após a proclamação da lei marcial pelo comandante-chefe do Exército, o general Prayuth Chan-ocha. Durante os sete meses que a …

por em

Matteo Renzi, a “salvação” da Europa

  Na noite de 25 de maio, durante o anúncio dos resultados das eleições europeias, um placar encantou os meios de comunicação: aquele registrado por Matteo Renzi. O presidente do Conselho italiano podia se vangloriar de ser um dos únicos líderes do continente a sair reforçado do pleito. Obtendo 41% dos votos, o Partido Democrata …

por em

O verdadeiro programa da direita

É um exercício de juntar as partes e buscar compreender esse discurso, que agora se torna raivoso, de uma direita que está presente no espaço público e nos estádios de futebol e já disputa as eleições, com as armas que tem. Vale tudo para tirar o PT do governo. Seu maior poder é o controle …

por em

Na Espanha, direita contra direita

No coração do bairro abastado de Salamanca, em Madri, ergue-se uma torre de vidro e mármore cinza. O sexto andar abriga o “laboratório de ideias” do Partido Popular (PP), a Fundação de Análise e Estudos Sociais (Faes), presidida por José Maria Aznar, ex-presidente do governo espanhol de 1996 a 2004. A Faes não se reduz …

por em

Brasil: dois projetos em disputa

Vivemos a disputa entre dois projetos antagônicos. O liberal versus o desenvolvimentista. O mercado versus o Estado. A focalização exclusiva nos mais “pobres” versus a universalização dos direitos da cidadania. Os valores do Estado mínimo versus os do Estado de bem-estar. Os direitos sindicais e laborais versus as relações de trabalho flexíveis. Essa disputa tem …

por em

As raízes econômicas da crise ucraniana

É possível ver na crise política ucraniana o desfecho dramático de uma trajetória financeira que se tornou insustentável ao longo dos últimos meses de 2013. Em julho de 2010, o governo assinava um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em troca do empréstimo de US$ 15,5 bilhões, ele se comprometia principalmente a elevar a …

por em

Chá, bolinhos e boas ideias no Shangri-La Palace

  “Graças a Deus não há muito público aqui, pois são discussões como estas que alarmam os adversários do Grande Mercado Transatlântico (GMT). Francamente, alguns dos comentários que ouvi hoje de manhã os deixariam arrepiados.”  Sob o imenso lustre de cristal do salão privado do hotel Shangri-La, a deputada europeia Marietje Schaake desperta a assistência, …

por em

Um ano depois de junho – parte 2

A luta orientada por pautas As manifestações realizadas em junho de 2013 tiveram como foco muito mais a defesa de pautas – em especial relacionadas a políticas públicas – do que o ataque a políticos com mandato. Os prefeitos, os governadores e a presidente da República apareciam como adversários na luta por questões específicas (como …

por em

Uma tímida brisa de esquerda sopra sobre Nova York

  ova York vai se transformar numa “nova Havana”? Desde que o democrata Bill de Blasio foi eleito para a prefeitura da principal cidade norte-americana, em 5 de novembro de 2013, esse medo paira sobre o Partido Republicano, que designou o sucessor de Michael Bloomberg como seu “principal inimigo progressista”. Segundo o New York Times, …

por em

Quem está com a verdade, quem está com a mentira?1

O golpe civil-militar de 1964 tem lacunas que começam a ser preenchidas por acervos guardados com particulares − por exemplo, na casa do recém-falecido coronel Malhães − ou mesmo em órgãos públicos, como a Escola Superior de Guerra. Os noticiários divulgaram nos últimos meses informações sobre papéis que comprovam os crimes (inclusive o assassinato de …

por em