Dezembro 2022

Edição 185

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HEGEMONIA NORTE-AMERICANA

Imperialismo da virtude

Edição 185 | EUA

A coexistência de um Senado controlado pelos democratas e de uma Câmara dos Deputados em que os republicanos serão majoritários não abala a política externa dos Estados Unidos. Poderia até revelar uma convergência entre o militarismo neoconservador e o neoimperialismo moral


EDITORIAL

Cronologia da radicalização

Edição 185 | Brasil

Até a posse de Lula na Presidência da República, haverá tensão política, violência e instabilidade institucional crescentes. A extrema direita, recusando-se a aceitar o resultado das eleições, propõe o golpe de Estado e a violência aberta contra os petistas e seus aliados.


UM NOVO MOMENTO DA POLÍTICA BRASILEIRA

A ultradireita e o bolsonarismo: passado e futuro

Edição 185 | Brasil

Dos resultados nas eleições à capacidade de pautar o debate público, não faltam sinais de consolidação da ultradireita. O diagnóstico ainda deixa, todavia, perguntas no ar. Qual é o papel de Bolsonaro? Há uma coincidência entre bolsonarismo e ultradireita? Para onde vai a parte da coalizão bolsonarista afinada com os discursos e performances da direita tradicional?


O BOLSONARISMO E A DEMOCRACIA BRASILEIRA

Nem sempre a tempestade dá lugar, de imediato, à bonança

Edição 185 | Brasil

A ascensão de Bolsonaro e do bolsonarismo dialoga com as marcas de continuidade com o passado autoritário e com a tradição do anticomunismo. Porém, é importante destacar que não se reduzem à reprodução desse passado, sendo também construções do tempo presente, reações a mudanças políticas que ocorreram após a Constituição de 1988 e durante os governos do PT


A HERANÇA NA CÂMARA DOS DEPUTADOS E NOS GOVERNOS ESTADUAIS

Governabilidade e bolsonarismo

Edição 185 | Brasil

Neste artigo, produzimos um rápido panorama da operação do bolsonarismo na Câmara dos Deputados, com atenção aos partidos do Centrão, e nos governos estaduais. Ainda que a vitória de Lula tenha colocado fim ao governo Bolsonaro, não é possível afirmar que o bolsonarismo, entendido como um conjunto de ações e discursos conservadores e autoritários, tenha terminado


REVELAÇÕES DE UMA NOVA AGENDA DE LUTAS

Os jovens e a pandemia de Covid-19

Edição 185 | Brasil

Pesquisa do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) e parceiros aponta que a pandemia provocou uma intensificação do papel dos jovens brasileiros na provisão e nas responsabilidades consigo mesmos e sua família, uma vez que muitos familiares adultos ficaram doentes, incapacitados para o trabalho, foram demitidos ou tiveram o salário diminuído


RAÇAS, CLASSES E PLANALTOS ANDINOS

As intuições do marxista Mariátegui

Edição 185 | América Latina

Parte da esquerda latino-americana considera que a influência da obra de intelectuais ocidentais é uma forma de colonialismo. Não é o caso do socialista José Carlos Mariátegui, nascido no Peru em 1894. A ele devemos a introdução do marxismo na esquerda regional, sem “decalque” nem “cópia”, mas também sem a busca por uma originalidade excessiva


ARTIFÍCIOS E SUBTERFÚGIOS PARA ATRAIR OS MAIS RICOS PARA O CENTRO DA CIDADE

Nos Estados Unidos, a gentrificação pela escola

Edição 185 | EUA

Conhecemos a estratégia dos pais que escolhem o local de moradia de forma a direcionar seus filhos para as melhores escolas. Nos Estados Unidos, as prefeituras estão invertendo a lógica. Preocupadas em atrair populações ricas para centros urbanos em geral pobres, elas destroem algumas escolas para construir outras, tentando dopar a “oferta escolar” nessas regiões


DEPOIS DA INGLATERRA E DA FRANÇA, AS OFENSIVAS RUSSAS, CHINESAS E TURCAS

Uma guerra midiática no continente africano

Edição 185 | África

Na cúpula da Organização Internacional da Francofonia, em Djerba (Tunísia), em 20 de novembro, Emmanuel Macron denunciou novamente a propaganda das “potências” que querem “prejudicar” a imagem da França na África. Países que incomodam Paris estão travando uma guerra midiática para promover seus interesses e prejudicar os concorrentes


INDUSTRIAIS FORA DE ALCANCE

No Paquistão, capitalismo à mão armada

Edição 185 | Paquistão

Num contexto de crise econômica, o Paquistão é, mais uma vez, sacudido por uma tempestade política. Afastado do cargo de primeiro-ministro, Imran Khan, que organizou uma marcha contra seu sucessor, Shehbaz Sharif, escapou de uma tentativa de assassinato. Em Karachi, líderes locais, empresários e militares se unem para controlar com mão de ferro os trabalhadores da indústria têxtil


CONTRA OS MANIFESTANTES, UMA REPRESSÃO DESUNIDA

A divisão do poder no Irã

Edição 185 | Irã

Diante dos protestos, que continuam determinados, o regime iraniano optou pelo método de endurecer para restaurar a calma. Entretanto, uma fração da hierarquia religiosa se arrepende da ausência de mecanismos de conciliação entre o poder e as manifestações


RASTROS DA GUERRA NA UCRÂNIA

Prudentes emancipações na Ásia Central

Edição 185 | Ucrânia

Se nenhum país da Ásia Central o condenou oficialmente, o ataque russo à Ucrânia provocou ranger de dentes na região. Moscou, até bem pouco tempo atrás garantia de segurança e parceiro econômico imprescindível, vê seu monopólio contestado por outras potências, principalmente os Estados Unidos, que retornam à Ásia Central após o fracasso afegão


GUERRA NA UCRÂNIA EMBARALHA AS CARTAS DO ANTIGO BLOCO SOVIÉTICO

A ladainha húngara

Edição 185 | Hungria

No concerto europeu de apoio à Ucrânia, a Hungria toca sua própria partitura. Embora denuncie a agressão russa, o primeiro-ministro Viktor Orbán defende uma via de compromisso com Moscou. Essa singularidade, que o afasta de seus vizinhos, responde sobretudo a considerações ideológicas e de política interna. Para nacionalistas húngaros, o futuro está no Oriente


NÚPCIAS DO NEOLIBERALISMO COM A EXTREMA DIREITA

Na Itália, a linguagem dupla de Giorgia Meloni

Edição 185 | Itália

Em visita a Bruxelas, Giorgia Meloni apresentou suas credenciais: a primeira-ministra italiana promete respeitar os tratados europeus, cumprir o dogmatismo com rigor, apoiar a Ucrânia a todo custo… Posições que ela combina com o ultraconservadorismo autoritário em questões sociais. Porém, isso interessa menos às autoridades da União Europeia


CUSTO EXORBITANTE DA LIBERALIZAÇÃO

O choque elétrico europeu

Edição 185 | Europa

A crise energética resultante das sanções ocidentais contra a Rússia não só corroeu o poder de compra dos europeus, como também enfraqueceu o Velho Continente. Ela ilumina o fracasso da liberalização do mercado da eletricidade na França e, sobretudo, a obstinação dos vários governos em manter essa política a qualquer custo


ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

A reforma devora seus filhos

Edição 185 | França

Durante muito tempo, nós os poupamos: os altos funcionários públicos acreditavam estar protegidos. Eles observavam com um olhar benevolente as reformas do Estado ao molho sarkozista (Revisão Geral das Políticas Públicas – RGPP), ao de Hollande (Modernização do Serviço Público – MAP) ou macronista (Comitê do Programa Serviço Público 2022 – CAP22), que sempre poupavam a nobreza, mas atingiam os outros servidores. Em nome da digitalização, serviços foram fechados. Para fazer economia, não indenizavam mais as demissões. Seria preciso fazer mudanças, suportar a cólera dos usuários irritados, trabalhar mais e ganhar menos, já que os governos estavam determinados a congelar as remunerações. Não fazia sentido, era um fiscal da receita estimulado a dar consultoria sobre planejamento tributário.


COMO OS ESTADOS PARTILHAM AS ÁGUAS MARÍTIMAS

Direito do Mar balança, mas não avança

Edição 185 | Mundo

O mar, que cobre 70% do planeta, oferece ao olhar uma imensidão contínua. Porém, não escapa à apropriação, à exploração e às fronteiras. Como regulamentar os conflitos marítimos e o exercício de soberania dos Estados? Em 10 de dezembro de 1982, a ata final da Conferência das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) deu uma resposta original e duradoura a essas questões


O QUE ESTÁ POR TRÁS DOS BONS SENTIMENTOS

Os usos da compaixão

Edição 185 | Mundo

Solidariedade, responsabilidade: palavras que ganharam forte atualidade para sublinhar o que é devido aos menos privilegiados – os “vulneráveis” – em nome da igualdade imperfeita e do desejo de corrigir as injustiças. Viver juntos envolve assim prestar atenção aos sentimentos de cada pessoa. Mas o sentimento permite fundar uma norma coletiva?


RESENHAS

Miscelânea

Edição 185 | Mundo

Leia as resenhas de Homo Modernus, Do transe à vertigem e muito mais!