Diplô Online
A era das anexações
O presidente dos EUA violou gravemente o Direito Internacional ao realizar uma operação militar em território venezuelano, caracterizada como crime de agressão por ferir a soberania de um Estado independente e a Carta da ONU
“Michelangelo e seus homens” – Novos olhares para os desenhos
Desenho em Michelângelo é também desígno, sinônimo de raciocínio, construção do pensamento, construção de imagens e, pode ser acrescentado, busca pela perfeição
Economia política na era digital
A expansão das tecnologias digitais e do uso massivo de algoritmos não apenas transformou a economia contemporânea, mas reconfigurou profundamente as relações sociais, o mundo do trabalho e as formas de exercício do poder
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Revoluções estruturais: a aceleração do tempo e a redefinição do ser humano
Enquanto as gerações passadas desfrutaram de períodos relativamente longos para absorver, refletir e se adaptar às mudanças, a nossa enfrenta um fluxo constante e avassalador de inovações e transformações que exigem ajustes rápidos
A falsa “síndrome pós-aborto” e o avanço das ofensivas contra os direitos reprodutivos no Brasil
Propostas legislativas em várias cidades do país utilizam conceitos sem respaldo científico para reforçar o estigma e restringir o acesso ao aborto legal
Globalização, nacionalismo e internacionalismo
É imprescindível adotar uma abordagem crítica, capaz de superar dicotomias simplificadoras e reconhecer a complexidade dos processos históricos e sociais contemporâneos
“Chega de chacina, polícia na favela, Israel na Palestina!”
O protesto pela paz no Rio não se resume a essa única operação; é um grito contra décadas de policiamento militarizado, violência racial e negligência estrutural
O uso espúrio do conceito de determinantes sociais da saúde
Os determinantes sociais da saúde compreendem “as condições em que as pessoas nascem, crescem, vivem, trabalham e envelhecem”, e que são “moldadas pela distribuição de dinheiro, poder e recursos”. Portanto, sabemos do impacto exercido por condições materiais de vida, incluindo emprego e renda, sobre a saúde das pessoas.
Não somos deste mundo
Não podemos mais nos permitir explorar o planeta como temos feito. O desequilíbrio ambiental, instituído pelo sistema capitalista, notadamente, em sua versão hipermoderna, o neoliberalismo, é uma desgraça só negada por quem se beneficia num curtíssimo prazo
Em 2019, a educação perdeu R$ 32,6 bi para o Teto de Gastos
A suspensão da Emenda Constitucional 95, que impõe um Teto de Gastos para as áreas sociais, é urgente e cada dia que passa nessa pandemia são milhares de pessoas que perdem suas vidas
Do sofrimento em se isolar ao agir coletivo na solitude
Passamos por um momento em que estar a par dos fatos pode também contribuir para a angústia e o sofrimento. A situação é séria e o melhor a fazer, para os que não suportam o bombardeio contemporâneo de informações, é afastar-se dessa sobrecarga de preocupação e agir de acordo com o que podemos
O eclipse da cidade e os “sem direitos”
Limitada pelo aprisionamento do corpo, relegado aos espaços privados, a vida urbana passa a ser mediada pelas redes e mídias sociais, que criam a sensação de proximidade e diálogo ainda que virtual. Mas a densidade do uso do espaço urbano revela, todavia, o grau diferenciado da intensidade dos sons iluminando, inequivocamente, a desigualdade vivida através do modo como os cidadãos lidam (ou são obrigados a lidar) com a pandemia. O eclipse é parcial.
O teatro bolsonarista
Por qual motivo, porém, retomar Shakespeare no Brasil atual? Talvez seja essa uma pergunta desnecessária, uma vez que a posteridade comprovou que Shakespeare é atemporal. Ou seja, em qualquer momento ele pode ser utilizado para pensar os nossos dias. Shakespeare foi um mestre da linguagem e por meio dela dominou a eternidade. Soube adentrar na alma humana profundamente, nos deixando um legado permanente para errar, mesmo com seus já antigos avisos.
Militares do governo Bolsonaro engrossam o nevoeiro
Do que foi apresentado podemos inferir que Paulo Guedes e sua equipe estão perdendo força. Afinal de contas, seus delírios e medidas envergonham os neoliberais mais ortodoxos. Ele não consegue pensar em outra solução para atenuar as chamas do nosso inferno que não seja o Deus “mercado”. Guedes não admite renunciar aos ensinamentos dos pais da economia neoclássica, como Jean-Baptiste Say e Frédéric Bastiat, nem que seja temporariamente. Portanto, não é nada improvável que o caminho de Guedes e da sua equipe seja o da rua.
O sequestro do último adeus
Velado o corpo, basta enterrá-lo. Isso, claro, se tudo vai bem. Quando a normalidade vinga, a exceção da morte é rapidamente resolvida. Em uma sociedade moderna e capitalista como a nossa, os seguros cobrem tudo: a preparação do corpo e a cerimônia de adeus são terceirizadas.
Pan-africanismo e democracia ainda são possíveis em África?
Alguns questionamentos que serão a base desta reflexão: por que o pan-africanismo fracassou no continente africano? Ele ainda é possível como projeto político? A partir de quais bases é possível repensar esse pan-africanismo? Qual é o papel da internet nessa nova trajetória do conceito? O pan-africanismo é compatível com a democracia? É possível reconciliar a tradição africana, sobretudo, os modelos de cidadanias pré-coloniais com as ambições do pan-africanismo? E como pensar o pan-africanismo em relação ao nacionalismo no continente africano?
A economia mundo pós pandemia
Lord Keynes, acreditando que as reparações econômicas se mostrariam desastrosa pelas forças de mercado, desenvolveu uma teoria colocando os gastos públicos, isto é, o Estado, como determinante para a retomada do emprego, do produto e da renda. Considerou que a teoria clássica não se aplica a um caso geral e que o Estado deveria exercer influência orientadora sobre a economia de mercado. Assim, com a crise de 1929 e o pós-guerra, sua teoria revolucionou profundamente o modo de pensar a economia marcando um radical rompimento na forma de fazer política econômica. A economia mundial permanecia lenta e estagnada e o animal spirits do capitalista, embora vivo estava adormecido. Assim o Estado assumiu o papel de maestro da orquestra, ao menos até os anos 1970.
Mentiras Plausíveis
Como no caso dos bancos, o sistema de saúde é drenado por meio de “saques” que excedem a capacidade de gerar novos tratamentos e outros produtos, como respiradores, medicamentos, máscaras, luvas, desinfetantes etc.
As gestantes em meio à pandemia de Covid-19
A pesquisa ouviu 250 mulheres gestantes e puérperas de todo o Brasil durante o mês de abril de 2020 por meio de questionário on-line, e foi realizada pelo Grupo de Estudos Feministas em Política e Educação (GIRA), vinculado a Universidade Federal da Bahia (UFBA). Quando perguntadas se a pandemia alterou seus planejamentos de parto, 52,7% disseram que sim e 90,8% disseram que percebem mudanças na forma como se sentem em relação à gestação
Entrevista com David Miranda
“Hoje o mundo inteiro está debatendo sobre uma renda emergencial para a população. Esse debate deve continuar lá na frente para aquecer a economia. Para fazer uma distribuição mais igualitária. Eu acho que o mundo vai passar por uma revisão de valores, que é importante para entender onde a gente tá agora, porque tá muito clara a divisão econômica e social do mundo inteiro, e principalmente no Brasil.”
Quadra 36 e a incansável batalha de poder ser e permanecer
Eu converso com a oficial de justiça que executa a reintegração. Ela me diz que cumpre ordens. As casas devem sair para dar lugar a um hospital que, à época, sequer tinha projeto aprovado. Dois anos depois, o hospital continua uma ideia, e as casas, que eram fatos, foram demolidas. Fatos amparados pela legislação municipal, é bom dizer.
Quando a bactéria da covardia se aproveita do vírus da pandemia
Na cena atual de 2020, os ataques ao Brasil e ao povo brasileiro não têm sido menores. Talvez, por conta de o foco estar na Covid-19 e em todos os receios e tensões que essa doença provoca na população é que essa escalada de atos, gestos e posicionamentos absurdos fique meio despercebida ou não chame a atenção como deveria chamar. Presidente e ministros escolheram exatamente esse momento tão delicado e sofrido da vida nacional para demonstrarem despreparo, insensatez, desrespeito e irresponsabilidade.
Invisibilidade das pessoas com deficiência
Para idosos e pessoas com deficiência, a sensação de isolamento não é uma fase temporária. Essa experiência diária de confinamento e exclusão é, infelizmente, a norma.
China e a biopolítica na crise do coronavírus
Esse momento, para o filósofo sul coreano Byung-Chul Han, expressa uma revisão da noção foucaultiana de poder aos mundos digitais do contemporâneo. Para o filósofo, ao invés da biopolítica no liberalismo, hoje estaríamos sob a égide da psicopolítica neoliberal, em que redes de difusão do poder exploram a ideia de liberdade e suas maneiras de manifestação.
Quarto de despejos: a contemporaneidade de Carolina de Jesus
Em “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, Carolina de Jesus retira os tapumes que escondem o estado paralelo que se caracteriza antagônico aos deveres do Estado – instituição política – com seu contingente populacional
O incloroquinável Napoleão de hospício contra o mundo
Bolsonaro é um genocida. Na era digital, comparável apenas a Mubarak (não à toa, os dois únicos presidentes até hoje censurados pelo Twitter). Um a um, de aperto em aperto de mãos, com ou sem contágio vai exterminando o próprio povo. Vale-se de um vírus para tanto, o mesmo que assola as fronteiras para além de seu umbigo
Cartografia dos óbitos da Covid-19 em São Paulo
As inadequadas condições sanitárias em muitas residências, o desprezo orquestrado pelo surto pandêmico, a exposição e falta de alternativa em relação à informação de baixa qualidade e as urgências não mitigadas em tempos de crise são alguns dos fatores que contribuem para esse padrão de dispersão socialmente orientado: uma dispersão geográfica, portanto, mais do que geométrica, apesar de alguma coincidência entre elas. O padrão socioespacial tem um corte de classe e a doença já faz dos mais pobres as suas principais vítimas

