Dezembro 2018

Edição 137

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A LIBERDADE DE EXPRESSÃO É SAGRADA?

Liberdade para Julian Assange

Edição 137 | Equador

Refugiado há seis anos na embaixada equatoriana em Londres, Julian Assange com certeza não pôde assistir ao vivo na CNN ao emocionante desfecho. Sua existência se parece com a de um prisioneiro.


EDITORIAL

Guerra de valores

Edição 137 | Brasil

Se esses movimentos já denotam os caminhos que esse novo governo vai trilhar – muito preocupantes por seu caráter autoritário e fundamentalista –, quando essas iniciativas saírem do papel e forem postas em prática vai se instaurar um confronto aberto na sociedade entre os defensores desses valores conservadores e a cultura pluralista e de respeito à diversidade que se desenvolveu no período democrático


A ARTE DE MENTIR E DESMENTIR

Firehosing: por que fatos não vão chegar aos bolsonaristas

Edição 137 | Brasil

Polêmicas efêmeras que confundem milhões e falsidades que consolidam crenças são combustível para o firehosing, uma tática que tem nas redes sociais o terreno perfeito. Como pará-lo? Segundo um volume crescente de pesquisas da psicologia,1 refutar (repetindo) mentiras não enfraquece valores e pode até reforçá-los. O que fazer então?


MÍDIA E BOLSONARO

O solo fértil do ódio

Edição 137 | Brasil

O profundo ódio e desigualdade entre as classes, o desprezo pela coletividade, a vigorosa arrogância presente em nossos espaços de convivência, a falta de perspectiva que leva milhões a credos religiosos baseados na extorsão, a absoluta descrença com a política, todos esses fenômenos não foram produzidos apenas nesta eleição ou mesmo nos últimos anos

 


COMO RESISTIR AO FIREHOSING

Pequeno manual de conduta e resistência ao controle do discurso e da libido

Edição 137 | Brasil

Ao perceber que o noticiário sobre o novo governo te faz espumar e compartilhar coisas o dia todo, pense em sair um pouco das redes sociais. Vá ver um filme, ler um livro, ouvir a música que você ama ou um disco novo. Consuma e produza arte, que é uma maneira e tanto de elaborar angústias e mobilizar forças, de forma crítica, inclusive


OS DIREITOS HUMANOS, UM BLOCO INDIVISÍVEL

Sem igualdade não há liberdade

Edição 137 | Mundo

Ao adotarem a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 10 de dezembro de 1948, 58 países entraram, pela primeira vez, em acordo sobre os princípios que permitem a cada um viver em liberdade, igualdade e dignidade. Muito progresso se fez desde então, mas a explosão das desigualdades ameaça tanto as liberdades políticas como os direitos econômicos e sociais


70 ANOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

Longo caminho rumo à dignidade

Edição 137 | Mundo

Os Estados-membros da ONU estão engajados em defender quais liberdades fundamentais? A leitura da Declaração Universal dos Direitos Humanos dá vertigem: ela garante quase todos os direitos políticos e sociais. Mas com quais meios? Resultado de um longo combate, contudo, a Declaração continua sendo uma eficaz ferramenta de progresso


AVANÇOS E RETROCESSOS NA AMÉRICA LATINA E CARIBE

Direito à educação com igualdade de gênero

Edição 137 | América Latina

Avanços jurídicos e políticos no sentido de garantir a igualdade de gênero na educação encontram fortes obstáculos para sua concretização nas escolas de diversos países da América Latina e do Caribe. Barreiras culturais, falta de vontade dos governos e avanço de tendências fundamentalistas conservadoras e religiosas afetam meninas e mulheres


A TRANSFORMAÇÃO DE NEW ORLEANS DEPOIS DO FURACÃO KATRINA

Como matar uma cidade

Edição 137 | EUA

Em 29 de agosto de 2005, um furacão atingia New Orleans, matando 2 mil pessoas e destruindo dezenas de milhares de casas. A catástrofe permitiu que políticos e empresários experimentassem um urbanismo de tábula rasa, objetivando substituir pobres por turistas – um método que inspira outros dirigentes ansiosos em lucrar com desastres climáticos…


“SINERGIA ENTRE O DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO E ESPIRITUAL”

Cosmismo, uma velha ideia russa para o século XXI

Edição 137 | Russia

Desde o fim da União Soviética, as elites russas procuram por ideologias alternativas. Conjugando cristianismo, racionalismo e sonho de imortalidade, o cosmismo, uma corrente de pensamento nascida no século XIX, oferece um quadro adequado para casar o relançamento dos programas científicos com a afirmação de valores tradicionais


CLASSES POPULARES E INJUSTIÇA FISCAL

Na origem do ódio ao imposto

Edição 137 | França

A mobilização na França contra os impostos sobre os combustíveis pôs em evidência um sentimento de injustiça fiscal expresso, sobretudo, pelos assalariados subalternos e pelos pequenos autônomos. Em um país onde o imposto continua sendo uma alavanca para a redistribuição, como explicar que ele seja contestado por quem está no ponto mais baixo da escala social?


INFANTILIZAÇÃO INTELECTUAL NAS ESCOLAS DE NEGÓCIOS

A teologia do management

Edição 137 | França

Para converter alunos de cursos preparatórios em administradores, as grandes escolas de negócios institucionalizam um fenômeno de desescolarização. Os estudantes perdem progressivamente o gosto pelo saber acadêmico para se submeter às obrigações da vida dos negócios. Liberados da preocupação escolar, eles podem se adaptar ao “sério” mundo das empresas


QUE AUTONOMIA OS CURDOS TERÃO NA SÍRIA DE AMANHÃ?

Futuro incerto em Rojava

Edição 137 | Síria

A Federação Democrática da Síria do Norte abriu conversações, rapidamente suspensas, com o regime de Damasco para consagrar sua autonomia de fato. A organização permanece sob a ameaça do Exército turco e da Organização do Estado Islâmico. Internamente, as tensões entre árabes e curdos se dissipam, mas uma desconfiança recíproca permanece


ESPLENDOR E MISÉRIA

Febre digital no Quênia

Edição 137 | Quênia

Ao lançar seu primeiro satélite em maio de 2018, o Quênia juntou-se ao punhado de países africanos presentes no espaço. O equipamento coletará dados destinados à prevenção de secas. A conquista é só mais um aspecto do desempenho tecnológico queniano, cujas descobertas inspiram o mundo, sem, contudo, solucionar os problemas estruturais do país


UMA NOVA REVOLUÇÃO VERDE?

Fertilizantes nitrogenados: providência transformada em veneno

Edição 137 | Europa

Produtos emblemáticos da “revolução verde”, os pesticidas e adubos sintéticos permitiram vencer o desafio alimentar apresentado pela explosão demográfica do século XX. Mas o recurso generalizado a esses produtos afeta gravemente a saúde dos agricultores e o equilíbrio do ambiente. Aprender a limitar seu uso é um dos imperativos da agricultura do século XXI


UMA NOVA REVOLUÇÃO VERDE?

Pesticidas e agricultores

Edição 137 | Mundo

Os perigos de vários produtos químicos utilizados na agricultura vão sendo aos poucos admitidos; entretanto, sua regulamentação e o reconhecimento dos males que provocam continuam sendo um combate árduo, em particular para os agricultores


SAÚDE

A cura da hepatite C em risco

Edição 137 | Brasil

O enfraquecido governo brasileiro de Michel Temer está abrindo mão de tratar todos os pacientes de hepatite C apenas para beneficiar uma megacorporação norte-americana. Nem conceder a patente nem importar o remédio com desconto resolveria o problema para os milhares de cidadãos que dependem desses medicamentos para sobreviver


BACIA DO RIO DOCE

Três anos de desastre

Edição 137 | Minas Gerais

A vitória de Bolsonaro, declaradamente contrário à defesa dos direitos humanos, do meio ambiente e dos indígenas e quilombolas, dá ensejo a uma expectativa negativa para as pessoas atingidas, em relação tanto à defesa de seus direitos socioeconômicos quanto à construção de soluções para problemas socioambientais enfrentados por elas


A MORTE DA EMPATIA?

Assembleias de som e fúria

Edição 137 | Brasil

Declarações como aquela da ministra Rosa Weber – presidente da instituição guardiã da lisura e da legitimidade no processo eleitoral –, de que, diante da avalanche de mentiras das fake news, não podia fazer milagre, devem ser vistas menos na chave da agitação política e mais na da reflexão político-teórica


Miscelânea

Edição 137 | Brasil

VIRADA À DIREITA DO SUCESSOR DE RAFAEL CORREA

No Equador, o liberalismo-surpresa

Edição 137 | Equador

O Equador com frequência entusiasmava os progressistas durante a presidência de Rafael Correa (2007-2017): redução da pobreza, reestruturação da dívida pública, asilo político a Julian Assange, fundador do WikiLeaks… Como então explicar a guinada de 180 graus de seu sucessor, Lenín Moreno, eleito para conduzir a mesma política?