Abril 2012

Edição 57

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EDITORIAL

Pensar o desenvolvimento

Silvio Caccia Bava


ELEIÇÕES NA FRANÇA

A audácia ou o beco sem saída

Algumas semanas após as eleições de 6 de maio, Sarkosy deverá participar de uma cúpula do G20. E, de cara, ele deverá aceitar, renegociar ou recusar um tratado europeu que aprofundará as políticas de austeridade. Sua escolha dependerá da orientação econômica e social da França, mas também de toda a construção européiaSerge Halimi


PARTIDOS POLÍTICOS

Sistema político e sociedade civil no Brasil

A vitória em 2002 colocou para o PT o dilema de optar pela governabilidade com a capacidade de controlar o Congresso ou pela manutenção de um sistema quase alternativo de governo. Sabemos as escolhas, mas o importante é entender as consequências disso para a relação entre governo, sistema partidário e sociedade civilLeonardo Avritzer


CRISE DA DÍVIDA

Quando a Grécia se chamava “Argentina”

A crise grega não é inédita. Contudo, outros países também assolados pelo peso da dívida escolheram não pagá-la, como a Argentina nas décadas de 1990 e 2000. Esse caso emblemático ilustra tanto as lógicas das organizações monetárias que conduzem à catástrofe como os mecanismos que permitiriam a Atenas liberar-seMaurice Lemoine


ELEIÇÕES NA FRANÇA

Acrobacias doutrinárias na Frente Nacional

Os assassinatos de sete pessoas em Toulouse, no dia 19 de março, provocaram uma reorientação da Frente Nacional: os problemas que representariam, a seus olhos, a imigração e o Islã. Antes, a candidata da extrema direita Marine Le Pen havia feito uma campanha baseada na temática social, no mínimo, nova em seu partidoEric Dupin


ELEIÇÕES NA FRANÇA

A presidencial vista do campo

Durante cinco semanas, a reportagem do Le Monde Diplomatique se estabeleceu em Merlieux-et-Fouquerolles, vilarejo com 260 habitantes do departamento de Aisne (Picardia), para acompanhar a campanha eleitoral francesa e sua ressonância em pequena escalaJulien Brygo


ELEIÇÕES NA FRANÇA

A história não se repete

Agora que os oráculos da informática e os mestres do capitalismo verde reivindicam o monopólio do futuro, a esquerda abandona os grandes projetos de desenvolvimento. Na falta de perspectiva em mudar o mundo, ela guarda suas esperanças em suas memórias. Mas é possível conciliar progressismo e nostalgia?Pierre Rimbert


PARTIDOS POLÍTICOS

A crise do PSDB

O PT aumentou sua influência na direita ao conquistar a confiança dos ricos com a promessa de não mexer nas fortunas e dos conservadores de baixa renda ao se comprometer com a reforma social. Mas foram os programas sociais que cimentaram a predominância petista. Tal situação gerou uma crise colossal no PSDB e no DEMLincoln Secco


PARTIDOS POLÍTICOS

A influência do pleito municipal na sucessão presidencial

Será na disputa para as maiores prefeituras, que estarão em jogo o prestígio e, em certa medida, a perspectiva de poder no futuro, de lideranças dos principais partidos. No caso do PT, Dilma e Lula estão empenhados em ganhar a eleição em São Paulo, como parte do projeto de reeleição da presidenteAntônio Augusto de Queiroz


CRISE NA EUROPA

Em Portugal, uma escola para “consertar” a democracia

As vedetes da Universidade Nova de Lisboa, principal escola de negócios (e fiadora dos pacotes econômicos) do país, não têm dúvidas: sua influência repousaria sobre a objetividade de suas pesquisas. A despeito dessa inclinação à levitação social e ideológica, os docentes reconhecem a existência de um consenso na escolaOwen Jones


RÚSSIA

Vladimir Putin e as expectativas da sociedade russa

Ainda que Putin tenha sido reeleito presidente da Rússia com 63,6% dos votos,Jean Radvanyi


ORIENTE MÉDIO

Faixa de Gaza, no centro da questão palestina

A escalada de violência na Faixa de Gaza em março confirmou o caráter instável do status quo e o impasse da estratégia israelenseJean-Pierre Filiu


PRIMAVERA ÁRABE

As revoluções árabes e o caso da Síria

“Inverno islâmico”? Conflitos confessionais? Repressão dos movimentos pelo Exército na Síria e no Egito?Alain Gresh


ÍNDIA

Microcrédito, o negócio da miséria

Ao emprestar somas módicas a fim de possibilitar o desenvolvimento de uma atividade produtiva, o microcrédito deveria emancipar os mais pobres. Mas, na Índia, a lógica dos acionistas triunfou: empresas de microcrédito constroem fortunas vampirizando os mais vulneráveisCédric Gouverneur


ÁFRICA

Nova frente no Sahel

O golpe de Estado que derrubou o regime “modelo” do presidente do Mali, Amadu Tumani Turé, no dia 22 de março, contribuiu para a confusão regional. Chacoalhado pelas novas rebeliões de movimentos tuaregues, o Sahel-saariano também padece da impunidade de grupos armados do Magreb islâmico que se reivindicam da Al-QaedaPhilippe Leymarie


ÁFRICA

Boko Haram, o crescimento de um monstro

Grupo religioso marginal dopado pela miséria, Boko Haram semeia o caos na Nigéria. Por que bater tão violentamente no coração das áreas muçulmanas, com o risco de alienar e aterrorizar suas populações?Jean Christophe Servant


ESTADOS UNIDOS

No Mississippi, as fraturas da América profunda

Próximo do fundamentalismo cristão, Rick Santorum triunfou, em 13 de março, na primária republicana realizada no Mississippi. Ao final, ele não será o candidato escolhido por seu partido, mas essa vitória confirma o paradoxo eleitoral dos EUA: é nas regiões pobres que os conservadores conquistam os melhores resultadosOlivier Cyran


JUDICIÁRIO BRASILEIRO

Desconfiança na justiça

A recente decisão do STF constituiu uma importante ruptura com os valores que estruturam a arquitetura e o funcionamento das instituições de direito no Brasil − mais especificamente o corporativismo, o patrimonialismo, a iniquidade e a falta de competição entre agências de aplicação da leiOscar Vilhena Vieira


SÃO PAULO

Itaquera, muito além da Copa do Mundo

A escolha de Itaquera como sede da abertura de um dos eventos midiáticos mais importantes do mundo pode ser entendida como uma homenagem simbólica aos habitantes do bairro e, contraditoriamente, como o ponto culminante dos processos de valorização fundiária, os quais se desdobrarão na expulsão dessa mesma populaçãoTiarajú D’Andrea


EDUCAÇÃO

Professores nota AAA

Ao final de seu mandato, Sarkozy terá suprimido 80 mil postos de trabalho na educação pública francesa. O chefe de Estado pretende impor uma ruptura na avaliação dos professores secundários com o objetivo de submeter os educadores aos chefes de estabelecimentos de ensino, seus “empregadores”Christophe Hélou