Vamos repensar os caminhos da esquerda?

Sobreviver no Brasil é fazer política. Indígenas, mulheres, trabalhadores, quilombolas, jovens negros, sem-teto, LGBTs, ao levantarem e se afirmarem, resistem todos os dias. Que as práticas e os saberes dessas vidas insurgentes e de seus territórios sejam coletivizados e apontem um novo sentido para o país é o que se espera de um projeto de …

por em

A solidariedade entre nós

  Você, leitora e leitor, que já não aguenta mais o pensamento único que impera nos grandes jornais diários, nas revistas semanais de notícias e nas emissoras de rádio e televisão, todos alinhados na defesa dos interesses do mercado; que já não confia mais nas notícias que vêm pela internet, muitas delas fakes; que se …

por em

Contrarreforma e “corte” de benefícios: o lucro com a miséria

Tem sido notícia frequente o corte de benefícios do INSS por incapacidade e assistenciais administrados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além do Bolsa Família. Em geral, as notícias trazem o montante de benefícios “cortados” acompanhado das justificativas de “economia” aos cofres públicos. Mas não se faz relação entre os “cortes” e a contrarreforma …

por em

“Querem nos impor uma vida irrefletida”

Como na maioria das periferias das grandes metrópoles, o extremo leste da cidade de São Paulo é formado por bairros ricos em diversidade cultural, mas carentes em projetos e equipamentos públicos que apoiem a produção artística e comunicacional de seus moradores.    Na luta por seus direitos culturais, os ativistas de Ermelino Matarazzo, distrito periférico …

por em

Temer e a diplomacia do G-Nada

Em 2016, o cenário internacional passou por mudanças importantes: a aprovação do Brexit em consulta popular, o crescimento da narrativa de extrema direita na Europa e a eleição do instável Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos são alguns fatores que colocaram em debate a ordem global ocidental estruturada no multilateralismo e nos valores …

por em

A falácia dos 99%

No final de janeiro de 2015, Barack Obama acabou sofrendo um momento breve, mas amargo de constrangimento político. Uma proposta de medida orçamentária que ele acabara de enviar ao Congresso se revelou natimorta antes de ser submetida à votação – morta no ovo pelo próprio presidente. A ideia básica brilhava ao mesmo tempo por sua …

por em

É proibido criticar o patriarcado

Em Porto Alegre, depois de um mês de visitação do público, o Centro Cultural Santander fechou no dia 10 de setembro de 2017 a exposição Queermuseu, atendendo à gritaria de ultraconservadores. Menos de uma semana depois, em Jundiaí (SP), o juiz Luiz Antonio de Campos proibiu a apresentação da peça O Evangelho segundo Jesus, Rainha …

por em

Negociar a qualquer custo com Pyongyang

Para dirigentes norte-coreanos, poderio nuclear é a única garantia de possível sobrevivência O diabo nuclear escapou da garrafa. Poderá ser enclausurado de novo? Não é de hoje que ele faz das suas na República Popular Democrática da Coreia (RPDC): o primeiro ensaio data de 1993. Mas, desde o ano passado, Kim Jong-un manda soar o …

por em

E se refundarmos a legislação trabalhista?

Só um cego discordaria da necessidade de uma reforma profunda do direito trabalhista. Na história da humanidade, as mudanças técnicas sempre acarretaram a refundação das instituições. Foi assim com as revoluções industriais anteriores, que, depois de perturbarem a antiga ordem do mundo abrindo as comportas da proletarização, da colonização e da industrialização da guerra e …

por em

Experimentos de esquerda em Portugal

À beira do Tejo, a um pulo da turística Praça do Comércio, em Lisboa, uma caixa de som ruim lança no ar Os vampiros, do cantor e compositor Zeca Afonso. O artista engajado, morto em 1987, é um monumento nacional: foi uma de suas músicas, tocada por uma estação de rádio católica no dia 25 …

por em

“Geringonça”, a aliança improvável

Não falta bom humor a Pedro Nuno Santos. O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, de apenas 40 anos, expõe em um ponto nobre de seu escritório uma caricatura de Hélder Oliveira publicada na revista portuguesa Expresso. Ao volante de um triciclo extravagante e fumacento, o primeiro-ministro socialista, António Costa, olha direto para a frente, …

por em

Comércio ameaça agricultura africana

O vento do livre-comércio sopra cada vez mais forte sobre o continente negro. De um lado, a União Europeia aumenta a pressão sobre as capitais africanas para finalizar a assinatura de acordos de parceria econômica (APEs)1 e acabar com as preferências comerciais não recíprocas: para conservar a isenção de tarifas alfandegárias sobre suas exportações para …

por em

Círculo vicioso das crises alimentares na África

A fome ameaça a humanidade desde o início dos tempos. As mais antigas representações do fenômeno vêm do Egito antigo, onde encontramos cenas de escassez pintadas nas paredes dos túmulos faraônicos. Hoje, as penúrias no sentido estrito são mais raras, mas ainda existem. Algumas regiões conhecem “fomes silenciosas” que passam despercebidas aos olhos do mundo. …

por em

O século de Lenin

URSS: União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. De início, o nome não remetia a um território, mas a uma ideia: a revolução mundial. Suas fronteiras seriam aquelas da revolta que triunfara na Rússia, depois daquelas que se esperavam em outros lugares. No canto superior direito de uma imensa bandeira vermelha, uma foice e um martelo simbolizavam …

por em

A fonte da contestação popular

Em 1917, após três anos de guerra, o entusiasmo patriótico dos soldados se voltou contra o Império Russo. Um deles confessou à sua enfermeira: “É que antes eu não sabia até que ponto os ricos viviam bem. [Na frente de combate], começamos a nos alojar em casas requisitadas e vi como ali tudo era bom; …

por em

Em nome do povo ou com o povo?

Pouco antes do Outubro de 1917, Lenin achava que a primeira tentativa de derrubar o poder czarista em 1825, em São Petersburgo, havia fracassado principalmente porque os revoltosos estavam “muito longe do povo”. Embora visse com benevolência os primeiros a desafiar o czarismo, ressaltava o abismo existente entre os bolcheviques e os insurretos de 1825. …

por em

Quando a revolução hesita

Para os historiadores de direita, ávidos por desqualificar a própria ideia de revolução, o verme estava no fruto: “A repressão de massa não foi um acidente nem uma resposta a uma situação difícil, mas um componente do projeto leninista”, afirma Dominique Colas.1 Seus colegas de esquerda, ao contrário, enfatizam as circunstâncias que levaram os bolcheviques …

por em

Cuba quer o mercado, mas sem capitalismo

  Berimbau de boca, fachadas degradadas, estéticas ultrapassadas: para a maioria dos observadores, a vida cotidiana cubana ilustra a obsolescência de sua retórica política. Comunista, a ilha parece parada no tempo. O cheiro de naftalina só é interrompido durante o tempo que dura uma fumarola de parafina: aos 86 anos, o presidente Raul Castro raramente …

por em

Produzir o comum

  Produzir o comum é produzir o que é de todos, o que todos partilham em comum. E, se é de todos, não é de ninguém, não pode ser comercializado, não pode ser privatizado. É público. É produzir uma sociedade colaborativa, solidária, com ampla participação cidadã em suas instâncias políticas, com um governo voltado para …

por em

Ser gay e a saúde pública

  Fazia seis anos que eu não realizava um exame de HIV e, naquela ocasião, eu estava certo de que o resultado seria positivo e eu seria parte do número crescente de jovens gays (15 a 29 anos) soropositivos em São Paulo. Embora cuidadoso em minha vida sexual, não estava livre do risco da contaminação: …

por em