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A fonte da contestação popular
Em uma Rússia arruinada e famélica em razão da Primeira Guerra Mundial, o Partido Bolchevique se alçou como a única força capaz de acompanhar a revolução social. A radicalidade de seus militantes foi ao encontro daquela das camadas populares, cuja instrução se tornou, portanto, uma prioridade
Éric Aunoble
Em nome do povo ou com o povo?
Desde a “grande reviravolta” de 1928-1929, Stalin passou a regulamentar brutalmente a questão camponesa pela coletivização forçada das terras, o que causou a morte de milhões de pessoas. Do sonho populista – ingênuo, mas generoso – de autogestão do povo russo apegado a seu ideal, passou-se ao domínio das massas
Quando a revolução hesita
A deriva autoritária era inerente ao projeto bolchevique ou foi provocada pelas circunstâncias que incidiram sobre o novo poder? A questão já se colocava enquanto Lenin estava vivo, quando, do sonho de um povo russo autogestionado, passou-se para o comando estrito das massas
Hélène Richard
Cuba quer o mercado, mas sem capitalismo
O presidente Raul Castro anunciou que deixará suas funções em 2018. Cotado para substituí-lo, o primeiro vice-presidente, Miguel Díaz-Canel, nasceu um ano antes da chegada dos guerrilheiros a Havana, em 1959. Uma transição como essa seria uma pequena revolução, logo após outra: a que Castro tentou impulsar com a “atualização” do modelo econômico cubano
Cuba quer o mercado, mas sem capitalismo
O presidente Raul Castro anunciou que deixará suas funções em 2018. Cotado para substituí-lo, o primeiro vice-presidente, Miguel Díaz-Canel, nasceu um ano antes da chegada dos guerrilheiros a Havana, em 1959. Uma transição como essa seria uma pequena revolução, logo após outra: a que Castro tentou impulsar com a “atualização” do modelo econômico cubano
Produzir o comum
A primeira estratégia para a produção do bem comum é submeter a economia ao controle democrático. Essa subversão da ordem atual requer uma ativa participação cidadã e a democratização radical das instituições políticas existentes
Vamos repensar os caminhos da esquerda?
O fortalecimento do trabalho de base e a construção de mobilizações a partir das periferias sintetizam, para nós, o desafio de reorganizar a resistência em um novo patamar. Mas esse esforço coletivo precisa estar conectado a um debate de projeto de futuro. A resistência cotidiana precisa ser alimentada por sonhos e esperança
A solidariedade entre nós
Uma imprensa livre, independente, crítica, que traga elementos novos para ajudar você a formar sua opinião, precisa contar com o apoio dos cidadãos para sobreviver e oferecer ao público leituras plurais da realidade atual, abertura para a discussão de temas controversos, debate público e democrático sobre problemas, demandas sociais e políticas públicas, e os caminhos que o Brasil deve tomar.
Silvio Caccia Bava
Contrarreforma e “corte” de benefícios: o lucro com a miséria
O que acontecerá com os segurados que tiveram seus benefícios “cortados”? Serão reaproveitados nas empresas de origem? O mais provável é que os quase 200 mil trabalhadores fiquem desempregados, sejam privados do atendimento de suas necessidades e elevem os percentuais de miséria
“Querem nos impor uma vida irrefletida”
Quem são e como atuam os novos coletivos que estão enfrentando a conjuntura de crise que afeta o Brasil nos últimos anos, organizando a população das periferias e questionando os vícios das estruturas tradicionais da esquerda
Temer e a diplomacia do G-Nada
O baixo perfil de Dilma Rousseff fez o Brasil experimentar uma espécie de letargia na agenda regional, carecendo de novas iniciativas de relevo ou de aprofundamento daquelas existentes. Contudo, com Michel Temer vive-se uma verdadeira recessão geopolítica na América do Sul
A falácia dos 99%
A atenção obsessiva conferida à ostentação dos super-ricos permite às elites que desfrutam uma riqueza um pouco menos colossal se esquivarem da questão de seus próprios privilégios.
Richard V. Reeves
É proibido criticar o patriarcado
Em setembro, a cena cultural brasileira viu ressurgir a face tenebrosa da censura. Diante de expressões artísticas que criticam o patriarcado, uma instituição ligada a um banco e homens em posição de poder reagiram em defesa de supostas moral e família
Negociar a qualquer custo com Pyongyang
Do alto da tribuna das Nações Unidas, o presidente norte-americano prometeu “destruir completamente a Coreia do Norte” em caso de ataque. De sua parte, os dirigentes franceses e russos defendem o diálogo, mas fazem da paralisação do programa nuclear uma premissa inicial, e não o objetivo da negociação. Uma abordagem já fracassada…
Martine Bulard
E se refundarmos a legislação trabalhista?
Proclamando ter sido eleito pelas reformas que preconiza, e não contra a extrema direita, o presidente francês quer desregulamentar um pouco mais o mercado de trabalho. Diante do crescimento dos protestos, mesmo os sindicatos próximos do poder julgam a proposta desequilibrada para os assalariados. Adaptar o direito às novas formas de organização do trabalho levando em conta as aspirações humanas conduziria verdadeiramente a outra reforma
Alain Supiot
Experimentos de esquerda em Portugal
Minado pela corrupção e desfigurado pela purgação imposta pela União Europeia, Portugal recompõe-se lentamente… driblando as exigências de Bruxelas
“Geringonça”, a aliança improvável
A aliança é inédita em quarenta anos de vida democrática. Embora o Partido Socialista governe sozinho, ele é apoiado no Parlamento pelas outras três formações, com as quais assinou acordos bilaterais que especificam os respectivos desejos para a política a ser seguida. Não foi fácil construir a coalizão. O primeiro obstáculo foi a recusa do PCP em se sentar à mesma mesa que o Bloco de Esquerda. Assim, as negociações são feitas entre os socialistas e os comunistas, de um lado, e os socialistas e os líderes do Bloco de Esquerda, de outro
Comércio ameaça agricultura africana
Pela primeira vez em dez anos, a fome no mundo não recuou, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Parte desse desastre pode ser explicada pelo aquecimento global e por conflitos armados, mas as razões passam também pelos acordos de livre-comércio, que impõem a abertura das fronteiras, levando agricultores locais à ruína
Jacques Berthelot
Círculo vicioso das crises alimentares na África
Em 2015, a ONU se fixou, como objetivo ambicioso, colocar fim à fome e à desnutrição até 2030. Ainda que, em números absolutos, a maioria das pessoas que sofrem com a fome se encontre na Ásia, é na África subsaariana que a proporção de habitantes vivendo com medo da falta de comida é maior
Ser gay e a saúde pública
Preconceito e violência são alguns dos fatores que têm levado homossexuais masculinos a serem mais propensos à ansiedade, depressão e doenças sexualmente transmissíveis

